Mario Kart: Super Circuit - um olhar pelo retrovisor

Enquanto continuamos a acelerar em Mario Kart 8, impulsionados pelos 200cc.

Mario Kart voltou a ocupar o espaço do meu actualmente a jogar. O tempo é escasso e nem sempre conseguimos jogar tudo o que queríamos num dado momento, ou porque as nossas obrigações aqui para o site assim o ditam. Mas é sempre bom quando há uma convergência entre as nossas expectativas e o que vamos jogar. O recente conteúdo adicional, denominado Animal Crossing x Mario Kart, assim como a adição do modo 200cc, com um nível de insanidade, velocidade e caos completamente sem precedentes, fazem de Mario Kart 8 uma das melhores experiências desta geração em termos de jogos arcade, na linha dos clássicos arcade da Sega e Namco, hoje completamente voltados ao abandono. Felizmente, essa chama, acessibilidade, imediatismo e forte interactividade, ainda perdura nas consolas. Jogos belíssimos visualmente, com velocidades estonteantes, dando a sensação de um verdadeiro estado de arte. Possuir alguns dos mais belos circuitos criados para um jogo Mario Kart, é um dos motivos porque Mario Kart 8 é, de longe, o melhor jogo da série, o mais bonito, o mais eficaz em termos de condução e desafio.

Não por acaso, a Nintendo fez chegar quase em simultâneo com o conteúdo adicional de Mario Kart 8, a primeira versão portátil de um jogo da série: Mario Kart: Super Circuit, lançado em 2001 para a Game Boy Advance. Curiosamente, na mesma versão para a Virtual Console (os manuais estão como que digitalizados e ainda podem usar uma função save), a mesma que a Nintendo ofereceu aos primeiros compradores da Nintendo 3DS, denominados embaixadores, depois do corte operado pela companhia alguns meses depois, em sinal de compensação pelo apoio dado desde o primeiro momento.

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Uma versão portátil que apresentava o melhor da versão SNES, embora os puristas tenham uma admiração eventualmente maior pelo original.

Sendo Mario Kart: Super Circuit uma versão portátil que se aproxima imenso e tem enormes semelhanças com o Mario Kart da Super Nintendo, embora alguns afastamentos, é impressionante como em praticamente 13 anos a série deu um salto colossal a todos os níveis, mantendo no entanto os pontos-chave: personagens, sistema de power ups, pistas e as suas armadilhas e um colorido que nunca deixou de ser uma das marcas da série. De resto, da condução, ao impacto em termos de desafio e escala dos circuitos, não podem ser jogos mais diferentes e distantes.

Super Circuit também apresenta as diversas taças e categorias de karts ordenadas por cilindrada. Dos 50 cc para principiantes (o modo mais fácil), até aos 150 cc (dificuldade mais elevada) só para veteranos, a diferença maior vai logo para a condução. Sem o "drift" com dois nitros, manter o kart dentro das trajectórias é uma questão de precisão acrescida e sucessivos toques, enquanto rodamos por dentro consoante a velocidade, tentando manter o bólide em pista. À semelhança de Mario Kart (SNES), são mais os obstáculos que atrasam do que propriamente o confronto entre as personagens. Existem imensos obstáculos, paredes onde um embate pode arruinar a corrida e bermas enlameadas onde é imediata a perda de velocidade. Em certa medida e enquanto não nos habituamos à peculiaridade da condução, até parece um jogo mais difícil.

Claro que o acesso às caixas de itens é vital. Com elas asseguramos os indispensáveis "power ups" com os quais neutralizamos temporariamente algum dos nossos concorrentes mais adiantados. Mas nem sempre é fácil ir de encontro aos blocos translúcidos. Podendo a fórmula ser a mesma, Mario Kart 8 é em tudo um jogo muito mais sólido e inovador, mesmo quando comparado com Mario Kart da Wii, o divisivo Double Dash da GameCube e o precursor Mario Kart 7, numa escala e dimensão adaptadas à portátil 3DS.

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Luigi's death stare é uma imagem de marca em MK8, mas a forma como as personagens obervam as passagens tocou a todas.

Se do ponto de vista da condução a diferença é abissal, o que dizer dos circuitos, um dos elementos de Mario Kart 8 em particular destaque pela equipa de produção, que tem nesta edição a concretização mais impressionante, seja em detalhe, escala, profundidade e temáticas, tão concretizadas nos universos dominantes da companhia, algo que anteriormente era menos notório. As pistas em Super Circuit não ganham destaque pelos fundos e escala, como inclinações, passagens aéreas, entre outros. O traçado dos circuitos é mais sinuoso e "cotovelado", visando precisamente levar o jogador ao erro. Em Mario Kart 8, a largura das pistas visa o aproveitamento ao máximo da técnica "drift" e das imediatas carambolas que ocorrem após um contacto entre dois jogadores. Passaram da obstaculização para a condução como factor de delimitação no acesso à meta. Não é por acaso que muitas vezes quem vai na frente colhe o azar de ser interceptado pelo segundo, ficando imóvel no meio da pista para logo de seguida ser literalmente varrido para uma berma por um pelotão em fúria, quando não chega a ser atirado para algum abismo, o culminar do azar.

Os fãs de F-Zero, Animal Crossing e Zelda, foram compensados com alguns dos mais impressionantes circuitos, mas também mais personagens e bólides, num somatório que nenhum outro jogo da série conseguiu apresentar. Mario Kart: Super Circuit devolve-nos a nostalgia dos primeiros jogos, não deixando de ser uma boa forma de conhecer a fundo as raízes da série e perceber como o sistema de power ups se tornou crucial no desenvolvimento dos futuros jogos. Mario Kart 8 e o seu duplo DLC servem melhor os fãs de Mario Kart e os devotos das corridas de cariz arcade, assinaladas por belíssimos gráficos e uma jogabilidade desafiante da primeira à última curva, especialmente na categoria 200 cc, verdadeiramente estonteante.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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