Battlefield Hardline - Análise

Nem tanto polícias, nem tanto ladrões.

Uma campanha com enredo cliché que nunca prende o jogador. IA demasiado má para ser verdade. Multijogador continua a salvar Battlefield.

Quem nunca jogou aos polícias e ladrões na sua infância? Uns fogem, outros vão atrás. Na minha infância a área eram montes e campos agrícolas, mas nunca deixando de ser super divertido poder fugir, e claro encontrar (se formos os polícias) os ladrões escondidos. Battlefield Hardline pega um pouco nesta ideia, focando-se nas guerras de rua, entre os polícias e ladrões, ou gangsters ligados a droga e armas.

A série Battlefield, este ano ao colo do estúdio Visceral Games (Dante's Inferno, Dead Space), mudou de ambiente, deixando o cenário de guerra que nos tinha habituado, levando-nos para as ruas de Miami e Los Angeles. A Electronic Arts decidiu adiar o jogo em 2014 para este início de 2015, e pelo resultado final, em comparação com o tumultuoso lançamento de Battlefield 4, as coisas estão bastante mais calmas.

Battlefield Hardline é um jogo mais polido no seu lançamento que os seus anteriores, e, claro, como tem uma componente multijogador forte, tivemos que passar muito tempo com a comunidade a jogar e dissecar os modos online. Mas será polimento sinónimo de qualidade? Ou o Visceral Games jogou pelo seguro, pouco inovando na sua componente multijogador e campanha a solo?

Começando pelo modo campanha, Battlefield: Hardline coloca-nos numa espécie de série TV em Miami. A campanha está estruturada em episódios, havendo uma ligação de história entre eles. Se não jogarem seguido a campanha, quando voltarem ao jogo iremos ter um "Nos episódios anteriores" como forma de voltarmos a pegar na história. Pessoalmente gostei imenso da forma como a campanha se desenrola, mas nunca fiquei numa espécie de Cliffhanger após cada episódio, e não tive aquela vontade de continuar a jogar para saber mais.

O modo campanha está cheio de clichés retirados de conhecidas séries de policiais, e é algo que não poderia deixar de ter. É algo positivo pois é algo familiar. Somos Nick Mendoza, um detective de Miami, descendente cubano, destacado para o departamento de narcóticos da polícia. Por isso iremos percorrer as ruas (de forma quase linear) de Miami em busca dos maiores traficantes de droga e armas, pois um novo produto tem chegado em abundância às ruas.

Diferente de todos os jogos Battlefield, BF Hardline é muito mais um jogo de Stealth do que ação. Esta decisão por parte do estúdio leva em consideração o tipo de pessoa que Mendoza é, e não sendo um soldado, a forma de atuar é sempre mais calma e com menos confrontos possíveis. Em termos de "lógica" tudo certo, mas pessoalmente acho que deveriam ter optado por um estilo mais de ação, tendo alguns locais de maior confronto.

Esses locais existem, mas a IA não ajuda em nada para que sejam difíceis. Na maioria das vezes andei de taser em riste, limpei todos os inimigos em salas nas calmas, sem qualquer problema. Temos acesso a um sistema de radar no canto inferior esquerdo, que ativa todos os inimigos que tenhamos identificado com o nosso gadget scanner. Basta analisar as suas rotinas e com calma tudo fica fácil. Para terem uma ideia de quão Stealth é o jogo, às vezes parecia que estava a jogar Metal Gear Solid do que Battlefield. Não que isso seja mau em si, mas aliado a uma IA super má, a dificuldade do jogo fica bastante limitada.

1
Tazer é a melhor arma da campanha.

Como exemplo de uma má IA, se matarem alguém, e outro vir, os inimigos vêm em massa para o local, e é incrível que basta ficarmos numa esquina com a mira apontada que todos os inimigos irão aparecer no mesmo local, não mudando as rotinas de acordo com a arquitetura da sala, flanqueando o jogador, ou até criar tácticas de ataque. É claro que podemos desculpar que o pessoal que defende os barões da droga poderão ser pau para toda a obra, mas se estes são a elite do crime organizado, de organizado têm pouco. A má IA passa também para o nosso companheiro. Aliás, ele deve ter alguma capacidade sobrenatural pois é invisível aos inimigos e os mesmos a ele.

A história é super simples, mas eficaz, pois cumpre com o objetivo. É tudo aquilo que podemos esperar de uma série de polícias. Temos o nosso parceiro, temos os corruptos, os malucos, o chefe da polícia sempre a pegar e claro, os conflitos morais perante algumas situações mais cinzentas. Apesar do ambiente (construção dos elementos e som) das ruas e cenários estarem fantásticos, quase sempre temos o jogo numa estrutura de arena (talvez influenciado pelo online?). Chegamos de carro, temos um armazém, uma casa, uma rua, um edifício, e é isso, pouco mais temos que explorar. Pelo caminho vamos descobrindo evidências que ajudam a enquadrar o caso que estamos a investigar.

O Visceral Games investiu muito no conceito de polícias e ladrões e tem o mérito, pelo menos, de acreditarmos que estamos num desses confrontos citadinos. Até o pormenor de podermos mostrar o distintivo com a arma em riste está presente. É claro que nem sempre resulta e o ladrão saca da arma, mas pouco importa pois somos (sou) demasiado rápido.

Como modo campanha, Battlefield: Hardline não traz nada de novo, cola-se, e bem, a algumas séries TV, mas nunca nos consegue prender, tornando-se monótono em algumas situações. A IA é péssima, a estrutura dos cenários é demasiado linear e pequena, não deixando muita margem de "invenção". Dá a entender que o Viscerial Games quis ser apenas competente, e não ir mais além.

"Apesar do ambiente (construção dos elementos e som) das ruas e cenários estarem fantásticos, quase sempre temos o jogo numa estrutura de arena (talvez influenciado pelo online?)."

2
Aqui quem manda sou eu... ou talvez não.

Multijogador

Já sobre o modo multijogador, temos um Battlefield mais citadino, variando entre Los Angeles e Miami, e pegando nos mesmos ambientes do modo campanha. Pessoalmente costumo jogar nos mapas mais pequenos neste tipo de jogo, pois tendo a perder-me em mapas muito grandes. Mas como existe uma ligação com a campanha, em termos visuais, dei por mim a entra mais facilmente no modo multijogador que jogos passados.

Diferente do que podíamos estar à espera, o multijogador não se aproxima muito da ideia de polícias e ladrões, salvo alguns modos de jogo, como o Rescue, onde temos que libertar (ou manter no caso dos sequestradores) reféns. Aqui temos um 5vs5, sem direito a respawn se morrermos. O Viscerial Games não quis mudar muito a formula vencedora criada pelo DICE, e Battlefield continua a ser extremamente divertido e enorme na sua componente online.

Alguém que não tenha jogado muitos jogos Battlefield irá sentir-se um pouco perdido no início. Aqui a componente comunidade é extremamente importante para nos sentirmos parte de algo. Modos como Team Deathmatch nos mapas maiores poderão ser simplesmente um caos no início. Por isso se jogarem a sós, sem uma equipa, os modos que mais divertem são aqueles por objectivos mais diretos, como o já referido Rescue, bem como o Crosshair onde temos que abater ou proteger um VIP que é nada mais que um dos jogadores, escolhido de forma aleatória.

Tendo deixado os palcos de guerra, em Hardline o nosso armamento é muito menos militar e mais "real" no dia a dia de polícias. É claro que não deixa de ter armamento pesado, refletindo um pouco as necessidades locais de proteção e ataque em cidades. Temos acesso também a diversos veículos, quer para transporte quer para ser usado com metralhadoras acopladas e blindados. Um dos momentos mais divertidos em Hardline é sem dúvida quando andamos de carro com outros jogadores, e todos estão nas janelas a disparar. Existe um enorme dinamismo nos mapas, tendo sempre, ou quase sempre, ação presente. Nada é monótono em Battlefield: Hardline, fornecendo horas e horas de divertimento online.

Ainda sobre as armas, mas agora a nível de progressão, algo interessante inserido foi o Weapon License, que é nada mais que uma licença para podermos usar determinada arma que estava destinada apenas a um lado das facções, mas que agora podemos usar em qualquer lado. Para poder desbloquear esta licença temos que atingir o número de 1250 mortes com a respetiva arma. De realçar que esta licença não permite saltar entre classes.

Vindo da nossa progressão no modo campanha temos os Battlepacks, que também estavam presentes no Battlefield 4. Podemos comprar os Battlepacks por gastar dinheiro ganho nos modos competitivos, e são super vitais para dar aquela dose extra de personalização durante cada embate. É claro que aqui a EA poderia ter metido a mão com as micro-transacções, mas ainda bem que não o fez, sendo assim um sistema mais justo, pois depende diretamente da habilidade de cada jogador amealhar dinheiro.

Uma das maiores preocupações dos jogadores online é se os servidores têm estado estáveis desde o seu lançamento. Depois de diversos dias a jogar após o lançamento, não tive qualquer problema de servidores, ou quedas. Tudo está estável, fluído e super rápido, tal como seria de esperar.

O adiamento para 2015 parece ter feito bem à série Battlefield, pois apesar de uma campanha que desilude em termos técnicos, o modo multijogador, que é onde passaremos mais tempo com o jogo, não desilude e mostra que ainda existe espaço para melhorias na série. Com diversos níveis de progressão e imensas batalhas para travar, os próximos dias continuarão caóticos nas Everglades.

Lê o nosso Sistema de Pontuação

Salta para os comentários (33)

Sobre o Autor

Jorge Soares

Jorge Soares

EG.pt Master of Puppets  |  eurogamerpt

Sempre ocupado e cheio de trabalho, é ele quem comanda e gere a Eurogamer Portugal. Queixa-se que raramente arranja tempo para jogar, mas quando está mesmo interessado num jogo, lá consegue arranjar uns minutos. Tem mau perder e arranja sempre alguma desculpa para a sua derrota, mas no fundo, é o que todos fazemos.

Conteúdos relacionados

Também no site...

Comentários (33)

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela tua contribuição!

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários