Primeiras horas com Xenoblade Chronicles 3D

Estamos a jogar a versão portátil do melhor jrpg da Wii e primeiro exclusivo New 3DS.

A New Nintendo 3DS vai receber muito em breve a primeira conversão um jogo lançado exclusivamente para a Nintendo Wii. Trata-se de Xenoblade Chronicles, um dos melhores jrpg's da geração passada de consolas domésticas, publicado na Europa no verão de 2011. Embora com menor resolução que o original (na Wii o jogo corre a 480p), não deixa de ser uma prova das capacidades da New 3DS, o acolhimento da versão 3D de um jogo premiado na Wii pela forma como a Monolith Soft e o director Tetsuya Takahashi (criador de Xenogears - PlayStation e Xenosaga - PlayStation 2) conseguiram distinguir o seu jrpg dos demais pela produção de um mundo aberto, relacionamento entre as personagens, sistema de combate, caça aos tesouros e coleccionáveis, e uma narrativa altamente empolgante até ao fim do jogo, tendo em Shulk um dos principais protagonistas.

Curioso verificar que aquando o lançamento da 3DS, no começo de 2011, o padrão de produção tridimensional estava mais próximo das produções da GameCube, superando claramente o patamar gráfico da N64. Por isso se percebe que a portátil tenha recebido duas remasterizações dos clássicos Zelda da N64 e até a fantástica sequela de Luigi's Mansion. Com Xenoblade Chronicles 3D, a New 3DS aproxima-se claramente do patamar das produções da Nintendo Wii, abrindo a porta a jogos maiores, complexos e melhores visualmente.

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Os ambientes em Xenoblade Chronicles são muito ricos e diversos, com imensas criaturas escondidas na sua fauna e flora.

Há no entanto um custo em termos de mercado, uma fragmentação que deixará de fora os proprietários dos modelos 2 e 3DS anteriores. Mas com os primeiros sinais bastante positivos das vendas do modelo New 3DS nos Estados Unidos e Japão, abre-se o caminho a mais produções que tirem partido do processador melhorado da nova portátil, de efeitos tridimensionais estáveis e do c-stick, a alternativa a um segundo analógico.

Já passaram uns bons anos desde Xenoblade Chronicles. As memórias deixadas são boas, pelo que rever o jogo na portátil produz sentimentos de nostalgia, não obstante o conhecimento e identificação dos acontecimentos e personagens. Embora para alguns conhecedores de Xenoblade Chronicles as razões para um regresso não sejam tão vitais, o lançamento deste jogo numa fase de fim de ciclo da Wii conduziu a que muitos jogadores tivessem passado ao lado desta marcante experiência. Daí que a oportunidade para jogar Xenoblade numa portátil seja uma proposta próxima do irrecusável.

As poucas horas de jogo que acumulamos com o exclusivo New 3DS revelam bom desempenho. O jogo apresenta-se com a mesma narrativa, personagens e estrutura. Não encontram DLC's nem conteúdos que alarguem a campanha. As novidades reportam-se a uma série de coleccionáveis integrados no modo colecção, podendo a partir de tokens adquirir as personagens do jogo para as visualizar , assim como uma jukebox capaz de reproduzir a magnífica banda sonora. Aliás, a respeito disso, foi mais uma vez nostálgico visualizar o ecrã inicial, com a espada Monado espetada num cenário verdejante, coberto por um céu azul, onde as nuvens se movimentam e o magnífico tema musical parece comandar o dia para um enternecedor pôr-do-sol. Entre os momentos que guardamos de certos jogos este é um deles.

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A transição entre o dia e a noite é vital para conseguir certos encontros e assim resolver missões secundárias.

O manual pode também ser consultado separadamente, a partir do ecrã inicial de opções. Vale a pena referir que as instruções do jogo são fornecidas à medida que progridem na fase inicial, com explicações concisas, claras e ilustradas, abertas em momentos cruciais e relevantes, ficando aí bem claro o alcance das mecânicas exclusivas do jogo em termos de combate, técnicas das personagens, relações entre elas e entre os aliados e os inimigos no curso da batalha. O jogo é compatível com a Amiibo Shulk, figura que para pesar dos fãs é uma das mais raras no nosso país, atendendo ao desinteresse dos retalhistas em apostarem na sua comercialização. Resta-nos esperar por nova reimpressão desta tão procurada Amiibo.

A interface está melhorada, com acessos rápidos ao menu através do botão X, algo sempre útil para nos mantermos imediatamente no encalço da missão primária e quests secundárias. O ecrã táctil revela sobretudo o mapa de jogo e os dados estatísticos da nossa party activa, estando o ecrã superior, de onde emanam os efeitos tridimensionais mais estáveis. Em termos de aproveitamento da sensação de profundidade o jogo tira algum partido mas não nos parece decisivo para melhorar a experiência. De resto a acção tem-se revelado muito fluída, sem assinaláveis perdas de frame rate, embora não seja de excluir essa eventualidade em batalhas mais preenchidas. Nas primeiras sequências existe uma acumulação de personagens e inimigos e a fluidez mantém-se.

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O sistema de combate não sofreu alterações face ao original. Os controlos são bastante intuitivos.

O acesso ao c-stick é fundamental no apoio à manobra da perspectiva de jogo, vital para que tenhamos os inimigos debaixo de controlo e um constante acesso aos ângulos que nos mostram as porções de território à nossa volta e a sua construção, pois o jogo apresenta uma forte componente vertical e horizontal. Em termos de grafismo, claramente é uma resolução inferior à versão Wii, tendo sido sacrificados alguns detalhes e texturas de modo a garantir uma experiência mais fluida. Ainda assim grande parte da beleza e identidade do jogo transitaram para esta versão portátil.

As primeiras horas com Xenoblade Chronicles 3D são positivas e encorajadoras. Ver um jogo de grande dimensão (com mundo aberto e a solicitar constantemente o processador por forma a gerar tantos ambientes tridimensionais) numa portátil não deixa de ser um desafio para os próprios produtores e uma oportunidade para muitos experimentarem este exclusivo Wii que tão boas memórias deixou. No próximo mês publicaremos o nosso veredicto.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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