Porque é que não consigo deixar de jogar Destiny?

O bom, o mau... e o horrível no jogo do Bungie.

Destiny é tudo aquilo que, provavelmente, ouviram sobre ele: um jogo repetitivo, castigador, básico, irritante e até frustrante mas também é um jogo para o qual não existe meio termo. Isto porque para outros será um produto incrível, um autêntico vício, uma propriedade intelectual genial, um novo trabalho bombástico dos talentosos membros do estúdio Bungie e claro, aquele jogo que não conseguimos parar de jogar. A verdade é essa, se aguentaram todas as fraquezas de Destiny e foram além do nível 20, o mais provável é que não mais consigam largar o jogo. Fazendo as contas, já lá vão quatro meses desde o lançamento deste controverso produto e os seus servidores continuam cheios de Guardiões.

Decidi entrar no mundo de Destiny algures a meio de Novembro, uma altura que -desconhecia eu- foi bastante sensível. Claro que qualquer altura é boa para entrar num jogo mas no caso e um MMOFPS com uma expansão a caminho e já três meses de existência, poderia facilmente ficar perdido num abismo algures sem saber o que fazer. A minha sorte é que a comunidade dedicada a Destiny é espectacular. Foi um dos factores principais para me agarrar ao jogo e um dos importantes meios para continuar a obter satisfação do mesmo. Isto porque, como referi, tendo sido lançado a 9 de Setembro, começar a jogar em Novembro colocou-me muito distante dos que já o jogavam desde o lançamento e numa espécie de corrida contra-relógio até ao lançamento da expansão para impedir que ficasse ainda mais para trás em relação à grande maioria.

Destiny começa como mais um FPS banal com visuais bonitos e mecânicas que se sentem familiares para quem já jogou um jogo da série Halo feito pelo Bungie. A história é patética e rapidamente sentimos que o design de níveis é altamente básico. Ainda assim, graças ao site/aplicação do jogo e das cartas Grimoire, aprendemos que todo o universo que o estúdio criou de raiz é espectacular e profundo, mesmo tendo bastantes similaridades com Halo. A dada altura já começamos a passo e passo crescer no jogo e aprendemos as mecânicas da jogabilidade. Seja no domínio das classes e habilidades específicas como no aumento de níveis, compra de armas e armadura.

Graças às Strikes Playlists e à forma como está estruturado, temos sempre um novo objetivo à nossa frente, seja subir de nível para aceder a Strikes mais difíceis e obter melhores recompensas, seja desbloquear habilidades das armas/armadura e nos tornarmos mais poderosos. Destiny parece partilhar daquela sensação de cálculo matemático altamente astuto e engenhoso que o Bungie demonstrou na série Halo: tudo aparentemente muito simples mas com muita profundidade e uma incrível capacidade de concretização. Bailado matemático diriam uns.

A matemática é altamente tramada em Destiny pois os seus números são aleatórios e se tal é normal em muitos produtos no PC, nas consolas é algo ainda relativamente recente. É um dos pontos mais amargos e controversos deste produto e podem ter a certeza que depois de passarem uma tarde a jogar na esperança de ter itens melhores para apenas receberem algo inferior ou até o que pode ser considerado como lixo é devastador. Ainda assim, enquanto gritamos palavrões ao jogo e ao estúdio, enquanto juramos que não mais jogamos Destiny, eis que passado alguns momentos voltamos para bater mais umas missões diárias e tentar encontrar aquela exótica que desejamos.

As raids são dois dos maiores desafios e tanto em Vénus como na Lua, todas as semanas os jogadores procuram os melhores e mais desejados tesouros com uma ou até três personagens. Pega lá uns shards ou uma nave lendária para ti que esperavas uma Vision of Confluence, sem falar naquela tal de Gjallahorn, pega uma arma estupidamente fraca ou que nem posso usar na minha classe tu que foste o melhor no Crucible (o multi-jogador competitivo) enquanto aquele que nem matou ninguém se vai embora com uma caçadeira lendária. Destiny consegue ser cruel e insuportável, horrível mesmo. Ao ponto de gritarmos obscenidades para a TV. No entanto, quando encontramos uma boa companhia e estamos embrenhados no gameplay, a cooperar com gente fixe, Destiny funciona às mil maravilhas.

A minha sorte foi que com a chegada da primeira expansão me foi dado acesso a equipamento para chegar a 31 sem ter que recorrer ao Vault of Glass. Isto deixou uma grande parte da comunidade com a amarga sensação que tiveram três meses a jogar para nada enquanto os novatos tinham a vida altamente facilitada. Essa sensação é real e não pode ser negada mas acredito que o Bungie tentou conciliar o melhor dos dois mundos: procurar cativar novos jogadores (nas promoções de Natal) permitindo que o jogo pós-nível 20 não fosse tão complicado e monstruoso, mantendo ainda um certo nível de respeito para os "veteranos", afinal de contas apenas estes bravos guerreiros têm as melhores armas do jogo (excepto alguns raros sortudos a quem "pingam" Exóticas enquanto passeiam).

A dada altura, gerou-se um clima quase hostil nas noitadas de Destiny, nos fóruns e nas comunidades. O pessoal acreditava que havia sido enganado e que a expansão apenas servia interesses gananciosos das corporações. O preço não deixa de ser elevado para os conteúdos que oferece mas ainda assim injectou uma considerável dose de novidade no produto. No entanto, intensificou ainda mais a noção que o Bungie é um estúdio brilhante mas que por um estranho motivo não deixa de dar uma no cravo e outra na ferradura. Seja nos incríveis erros (bugs) que afectam o jogo, seja na exploração de artimanhas para barrar com queijo os modos mais difíceis do jogo, por cada uma que o Bungie consegue fazer bem, lá se espeta com mais outra.

Nós continuamos a jogar, a acumular quase 100 horas de jogo nos mesmos níveis, nas patrulhar por itens específicos que agora podem ser comprados e assim sendo ficaram insultados os jogadores que investiram dezenas de horas em "farming", a ideia que o Bungie é bom no que faz mas que ainda está num processo de tentativa e erro é cada vez mais firme. Destiny deixa de ser banal quando não mais nos preocupamos com a história quase inexistente, e a necessidade de recorrer às cartas para aprofundar o conhecimento, deixa de ser mais um FPS banal quando nos divertimos imenso com o que de bom tem e não nos deixamos mais afectar por erros que poderiam ser considerados gravíssimos. É porque o que tem de bom é mesmo muito bom.

Só de pensar que em meros meses o Bungie criou hábitos nos jogadores, criou formas de jogar e criou todo um novo conceito que poderia facilmente ser visto como um sucessor espiritual de Halo (que agora está nas mãos de outro estúdio) pois cruza o passado com o futuro. A dada altura senti mesmo que Destiny poderia muito bem ter Halo no nome caso o estúdio pudesse, esta é a visão do Bungie para o que Halo se deveria tornar nesta geração de consolas com uma vertente social muito mais vincada e na qual as comunidades estão a fazer os jogos mesmos depois de os estúdios os lançarem.

Claro que não poderia terminar sem mencionar o Xûr, essa já mítica figura. O vendedor que apenas trabalha ao fim de semana é um dos maiores motivos pelos quais trabalhamos arduamente toda a semana. Claro que, não sendo o Bungie um estúdio que parece gostar de brincar com os jogadores, o que vende consegue ser quase insultuoso. Imaginem trabalhar uma semana para ganhar Strange Coins e na Sexta ele chegar sem nada que mereça ser comprado gerando uma espera de mais uma semana. Quase como se fosse uma série de TV má mas que não evitamos deixar de seguir seja lá porque razão for, Destiny consegue deixar-nos agarrados mesmo quando parece que nos insulta e dia após dia lá estamos nós a procurar melhorar a armadura para conseguir jogar em todos os modos e a procurar ajudar quem precisa.

A única certeza que tenho é que todas as Terças lá vou eu a correr para completar uma Nightfall ou Weekly Strike, sempre à espera de reunir malta para uma nova incursão em Crota's End ou Vault of Glass. Todos os dias corro para a Torre para receber as diárias da Erin ou da Vanguarda, aumentando assim o poder das minhas armas, recebendo materiais para melhorar armadura e sempre à espreita de encontrar mais uma exótica, ou pelo menos uma boa lendária para disparar uns tiros com a malta. Destiny é, para o bem e para o mal, um trabalho do Bungie e quem segue este estúdio desde a série Halo sabe que o seu talento é garantido.

Queria terminar com elogios a toda a comunidade dedicada a este jogo que todas as noites está lá a preencher de vida este mundo. Pessoas cujos risos, gritos, piadas, lamentos ou até conversa banal vou ouvindo e se tornaram de alguma forma familiares. Sei que a dado momento Destiny ficou pronto a ser encostado mas assim abri as portas ao multi-jogador e conheci uma incrível comunidade, fiquei verdadeiramente rendido a este novo produto de um dos mais talentosos e criativos estúdios. Ao contrário do esperado, não senti fadiga ao jogar sozinho mas senti que, a dado momento, precisa de ir mais longe e foi quando Destiny brilhou no seu máximo esplendor.

Seja o Freeman (o nosso Adolfo), Fearme (o nosso Loureiro), Carbono, Cormax, Caça-Fantasmas, ou membros de outras comunidades que alguns até podem conhecer como o AlexSoares, Aloutre, ou Daimon, quero agradecer-vos a todos pela companhia, pelas lições e por de alguma forma me terem ajudado a gostar ainda mais de Destiny. Sem vocês este masoquismo de imenso prazer jamais teria sido possível. Agora quero tornar-me ainda melhor.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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