Carta aberta aos leitores do Eurogamer Portugal

Deveremos manter a mesma forma de pontuar os videojogos?

A indústria de videojogos tem mudado de forma drástica nos últimos anos, onde o online, ou as comunidades online, são cada vez mais importantes para as editoras.

Os videojogos deixaram de ser um produto fechado, onde compramos numa loja, jogamos e nunca mais é atualizado, melhorado ou retificado. Agora, e como a nossa forte comunidade tem alertado, os videojogos sofrem atualizações e atualizações quase todas as semanas, resultando num produto diferente daquele que estava disponível a quando das suas análises.

A equipa do Eurogamer Portugal tem-se debatido com este problema, tentando dar ao leitor a melhor análise possível de um produto que lhe foi fornecido por uma editora, parceiro ou que tenhamos adquirido. A forma normal de se fazer uma análise a um produto, que funcionou desde o século passado, era de um produto acabado, de um produto sem alterações quando chegava ao consumidor. Assim, nós tínhamos a certeza que o jogador estava a jogar o mesmo jogo que o redator, e que a experiência era a mesma e por isso existia uma ligação muito direta e confiável.

As coisas já não são assim. A comunidade é muito importante para preencher um jogo, na forma como o estúdio idealizou que fosse consumido. Isto leva-nos para exemplos recentes, como Driveclub e Assassin's Creed Unity, onde a nossa experiência, perante um produto que ainda não estava nas mãos do jogador, foi diferente do resultado final. Driveclub é um excelente jogo, divertido, eficaz e o online funcionou na perfeição. Mas esta não foi a experiência do jogador quando adquiriu o jogo, muito devido a problemas com o código do jogo em lidar com milhares e milhares de acessos ao mesmo tempo.

Por outro lado, um videojogo é atualmente muito mais que uma simples nota, onde é-nos cada vez mais difícil de separar um 7/10 de um 6/10, não dando, admitidamente, a ideia exata do produto. Um 7/10 é um jogo recomendável? Um 6/10 é um jogo médio, mas recomendável? É uma questão que apenas o texto, o corpo da análise ditará, e sentimos que não estamos a servir o leitor da melhor forma.

A nossa política de análises tem que mudar, pois a forma como os jogadores consomem videojogos não é a mesma como na década passada. O Eurogamer Portugal é feito de jogadores para jogadores. Somos pessoas apaixonadas por esta arte, pessoas que vivem os videojogos como os nossos leitores vivem, e isso reflete-se na forma como abordamos a indústria. Nós jogamos com a comunidade, queremos estar cada vez mais perto de vocês e isso também deverá se passar nas nossas análises.

Por todas estas razões queremos abrir a discussão a quem de direito tem em dar a sua opinião, a quem diariamente nos visita em busca da melhor informação sobre videojogos, os nossos leitores. Deverá o Eurogamer Portugal eliminar a pontuação de 1/10 por um método mais especifico, mais franco em termos de opinião final?

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Sobre o Autor

Jorge Soares

Jorge Soares

EG.pt Master of Puppets

Sempre ocupado e cheio de trabalho, é ele quem comanda e gere a Eurogamer Portugal. Queixa-se que raramente arranja tempo para jogar, mas quando está mesmo interessado num jogo, lá consegue arranjar uns minutos. Tem mau perder e arranja sempre alguma desculpa para a sua derrota, mas no fundo, é o que todos fazemos.

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