PIX THE CAT é o novo jogo do estúdio Pasta Games que trabalhou anteriormente em vários jogos que provavelmente ninguém alguma vez jogou mas ainda assim conta com Rayman Jungle Run no seu currículo. Assim percebemos que é um grupo de trabalhadores Franceses que gosta de visuais bonitos, com estilo e estética mas que se esforça imenso para apresentar propostas de jogo cujo gameplay tenham significado e consigam oferecer aquela diversão imediata que tanto precisamos nos dias de hoje. Aliás, diria que PIX THE CAT é um jogo que consegue mostrar-nos bem a actual era em que os videojogos se encontram mas ao mesmo tempo recupera um certo saudosismo por uma altura em que tudo era bem menos complexo, mais focado na diversão.

PIX é um produto que facilmente pode passar despercebido, catalogado como igual a muitos outros mais que existem por aí fora. Afinal de contas, podemos ser perdoados até por acreditar que ficaria melhor dentro de uma App Store para iOS ou Google Play Store para Android do que propriamente numa PlayStation Network para PlayStation 4 e PlayStation Vita mas o mais espantoso é que consegue validar a sua existência neste serviço, com relativa facilidade posso acrescentar.

Esta é uma altura em que não mais passamos meses a fio sem jogos, quem não se lembra do lançamento da Xbox 360 ou da PlayStation 3? Períodos em que ficávamos meses sem novidades, à espera dos mais recentes AAA que nos preenchiam por completo os horários dedicados a este divertido e em que jogos como este eram impensáveis para estas plataformas dedicadas. Agora, em 2014, as consolas vão validando a sua posição na sala de estar com jogos independentes, de baixo orçamento, mas com integridade, profundidade e qualidade para nos conquistarem e deixarem de sorriso na cara, encantados com aquele tão precioso divertimento.

PIX faz-nos pensar em jogos como Chu Chu Rocket, jogos quebra-cabeças cuja intensidade vai crescendo até que a dado momento já nem percebemos bem o que se está a passar. A rapidez dos nossos movimentos parece tornar-se cada vez mais lenta enquanto o jogo cresce de tom e percebemos que na repetição e na aprendizagem de ajustes e afinações à nossa abordagem ao jogo teremos mais benefícios. Especialmente importante para quem se quer entregar ao jogo e começar a trepar pelas tabelas de pontuações.

Tudo aqui é muito directo e certamente atractivo para os que aprenderem a apaixonar-se pelo género. Como se fosse uma viagem para uma atracção psicadélica num qualquer parque de diversões, PIX pede ao jogador que entre em pequenas salas para ir apanhando os ovos que estão nela espalhados. Deverá então passar pelos pontos marcados com um alvo para os entregar e assim conseguir abrir o portal para a próxima sala. O tempo vai decrescendo e quanto mais rápido formos mais longe chegamos e quanto melhor formos a jogar melhor será a nossa pontuação. Até aqui tudo normal, é a base da experiência de jogo mas PIX é um pouco mais profundo do que isto.

Os ovos têm que ser recolhidos para os pintainhos seguirem o gato que dá nome ao jogo e este terá que os apanhar a todos antes de entregar um pintainho que seja nos alvos para obter a pontuação mais alta dessa sala. Entregar um pintainho que seja antes de apanhar todos os ovos quebra o multiplicador e impede-nos de ascender mais alto, o feedback visual são os ovos a rachar. PIX também não pode ir para trás e ficar encurralado, perdemos ou arriscamos que todos os pintainhos desapareçam e a nossa pontuação vai pelos ares.

A velocidade começa a crescer e a intensidade aumenta em sintonia, quer isto dizer que a nossa rapidez de pensamento terá que crescer em concordância e a dado momento é o cérebro e os dedos que têm que ser tão ou mais rápidos que o jogo. Enquanto algumas salas são básicas e altamente fáceis, outras podem ser diabólicas e autenticamente infestadas de armadilhas. Sejam elas quais forem, a vossa melhor ajuda é manter a calma e serem rápidos como um relâmpago. Espectaculares são aqueles momentos em que temos na imagem várias salas e enquanto jogam na mais pequena delas ficam logo a saber para onde têm que levar os pintainhos. Estes momentos em que o estúdio brinca com a perspectiva realmente moldam o gameplay de forma a dar variedade e dificuldade a esta experiência estilo Pac-Man.

Se o conseguirem vão começar a cumprir objetivos, desbloquear Troféus, ganhar itens extra, modos extra e níveis de dificuldade superiores. O modo básico permite-nos compreender as mecânicas de jogo mas subir um patamar que seja no Arcade poderá enviar-nos para uma espiral de níveis que nos deixa completamente devastados. Enquanto o fazemos, se sentirem a tão desejada e precisa sintonia com o jogo, vão sem se aperceberem começar a desejar aprender os melhores caminhos, onde não errar, como usar melhor o tempo e como aumentar a pontuação para que uma primeira sessão com 278.000 pontos se torne numa gloriosa jornada para 1 milhão de pontos.

Estamos na era moderna dos indie mas ao mesmo tempo estas são as experiências descartáveis de outrora que ninguém queria jogar quando todos os miúdos fixes andavam a jogar as melhores sensações. Agora não mais somos o miúdo de gostos bizarros, agora somos aquele que joga os independentes e que consegue uma compreensão mais ampla desta indústria. A possibilidade de jogar na PS4 e na Vita é prova disso e pena mesmo não contar com Cross-Save pois isso seria um autêntico mimo. Em termos visuais e sonoros cumpre com um misto de simplicidade com irreverência e estilo para depois nos tornar seus escravos à procura de dominar o gameplay.

PIX THE CAT é um pequeno grande jogo que pode ser jogado em curtas sessões como vos pode manter entretido por umas boas horas. Parece conter todo o ADN de um produto de uma outra era, de uma altura em que os videojogos eram fixes e não se importavam com isso. Atualmente está tudo preocupado em ser a nova sensação, o novo centro dos holofotes como o mais complexo e cinematográfico videojogo enquanto outros não se esquecem que não é preciso nada mais do que ser divertido. PIX é exactamente isso mesmo, um produto sem quaisquer complexos que apesar de reflectir na perfeição o actual estado desta indústria, recupera todo um preciosismo de eras passadas.

8 /10

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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