inFamous: First Light - Análise

Fetch Walker caminha em busca de si mesma.

InFAMOUS: Second Son foi o único exclusivo PlayStation 4 até à data que me fez regressar aos meus tempos de menino com aquela impaciência para as semanas passarem, sempre ansioso pela sua chegada. De igual forma, sempre à procura de informações mas com a ideia de estar sempre na corda bamba para decidir quanta informação seria aceitável ou suficiente para aguentar a espera mas de forma a não estragar a surpresa que queremos ter no dia de o jogar. Sabem aquela sensação de estar sempre a contar o dinheiro que já juntamos como se ele fosse, por magia, crescer na próxima vez que o contamos? Sempre a poupar os trocos possíveis a tentar descortinar se teria dinheiro para a versão Lendária ou se o melhor era ficar pela normal? (Quem sabe até junto dinheiro para aquele gorro e caixa especial?)

Pensando melhor, neste ano de 2014, Second Son foi o único jogo a dar-me tal sensação. É tão somente normal pois estou perante uma série que adoro. Série que vi nascer, que acompanhei ao longo dos anos na PlayStation 3 e ansioso fiquei para ver como transitava para a nova geração de consolas. O Sucker Punch ofereceu dois jogos e uma expansão em separado para o segundo que conquistaram todos os fãs que ficaram fiéis, alimentados por toda a diversão numa história estilo comic Norte Americano e por um gameplay cativante. Quando Second Son chegou, joguei-o com todo o entusiasmo digno da imensa sede que o período de espera me provocou.

Após a minha aventura em Seattle e de resolver a luta de Delson Rowe contra a DUP, volto agora para a Cidade Esmeralda mas agora para conhecer eventos decorridos antes de Second Son. First Light decorre dois anos antes dos irmãos Delsin chegarem a Seattle, Fetch Walker é a protagonista e esta é uma oportunidade brilhante para aprofundar ainda mais o mundo criado pelo estúdio, para aprofundar a narrativa de fundo ou como os Condutores são vistos pela população em geral. Quando descobriu que era diferente dos comuns mortais, a vida de Fetch tornou-se num autêntico inferno e somente o seu irmão Brent lhe conseguia mostrar que poderiam alcançar a normalidade. Antes de chegarmos aos trágicos eventos, dos quais tivemos um leve vislumbre ao longo de SS, vamos conhecer toda a sucessão de acontecimentos na sua origem.

First Light não é um jogo propriamente longo mas não é assim tão pequeno. Para terminarem a história principal vão precisar de umas boas quatro horas e depois ficam alguns desafios secundários a cumprir. Até lá chegar, vamos passar por algumas zonas de Seattle (a metade superior do mapa de Second Son) correndo para encontrar melhorias, cumprindo missões de história que envolvem na sua grande maioria despachar membros de gangues e procurando itens perdidos pela cidade para melhorarmos as habilidades de Fetch (todas elas bem conhecidas quando Delsin absorve os seus poderes). A história não é propriamente do mais arrebatador que vão encontrar, por vezes até chateia e parece uma forma unicamente direccionada para prolongar artificialmente a longevidade com missões repetidas mas quando sobe de tom consegue mesmo envolver o jogador.

Toda a estrutura base de FL é essencialmente a mesma de SS quando temos os poderes de néon de Fetch. Corremos pela cidade, disparamos raios cor de rosa das mãos, subimos pelas paredes acima a correr e enviamos mísseis. Existem pequenos acertos no mundo de jogo (esperem até ver os graffitis dela) principalmente nas missões e atividades secundárias mas nada que vá revolucionar o que conhecem da série. Fetch precisa encontrar pequenas bolas de luz, espelhadas pela cidade, para desbloquear melhorias e existem duas formas: entrando em corridas ou saltando pela cidade para as alcançar. Podem ainda ser obtidas ao cumprir missões e desafios (como derrotar um determinado número de inimigos em ataques corpo-a-corpo e coisas assim). É uma estrutura de jogo que rapidamente pode cansar mas que na verdade não chega a ter tempo para isso.

Não existe aqui nenhuma missão que nos vai ficar particularmente na memória, nem sequer personagens que adicionem seja o que for ao mundo de inFamous, excepto Fetch claro. A única excepção será mesmo a missão final mas obviamente que nada vamos revelar aqui sobre ela pois é sem dúvidas o momento alto de First Light. Pena que a história consiga até saturar e somente em raros momentos consegue ser mais do que uma simples banalidade. A sério, algumas missões não fazem qualquer sentido e qualquer fraqueza da IA apenas serve para quebrar a imersão no mundo de jogo. É a mesma Seattle mas sem Delsin ou a DUP (inicialmente) apenas com um perfume de mulher.

Onde, e confesso que foi inesperado, FL brilha é no seu modo Arena. Rapidamente despacham a história mas onde vamos perder muito mais tempo, sem dar por ela, é nas diversas arenas que a DUP criou para Fetch praticar os seus poderes. Será aqui que todas as melhorias vão ter efeito que se faça sentir, na história quase parece completamente irrelevante se melhoramos os poderes de Fetch, o que é pena. Mas nas arenas, que podem jogar até com Delsin se tiverem SS, o desafio aumenta e aquela deliciosa caça por uma pontuação de destaque nas tabelas mundiais entra em ação.

Seja a salvar pessoas inocentes, a despachar um determinado número de inimigos, utilizar um poder em especial ou procurar manter um incessante ritmo para o multiplicador continuar a crescer. First Light combina aquele gameplay delicioso com uma sensação quase arcade, o desejo de obter uma pontuação máxima encadeando de bela forma os movimentos e tentando conciliar velocidade com habilidade. Confesso que fiquei viciado neste modo de jogo e agora não quero parar enquanto não enfrentar todos os desafios, despachar todas as arenas e desbloquear todas as melhorias. Os desafios que o Sucker Punch nos lança são convidativos e o jogo fica muito mais forte graças a esta nova implementação.

É pena que First Light não implemente mecanismos de jogo ou novas funcionalidades no gameplay para tornar este produto em algo verdadeiramente relevante. Ainda assim mostra toda a sua competência e os fãs sabem que não podem ficar sem a jornada de Fetch. Apenas sinto que o jogo poderia ter beneficiado com um pouco mais de ambição. As arenas são fantásticas e dentro delas temos diversão descomprometida, um verdadeiro recreio, já que na cidade a IA adversária vai teimando em quebrar a imersão com pequenas fragilidades. No geral é um produto competente que não nada de novo.

inFamous: First Light é provavelmente dos melhores produtos que podem comprar por €14.99 para a vossa PlayStation 4, jamais se esqueçam disso quando pensam do jogo. Todos os méritos de Second Son estão aqui presentes mas também todas as fragilidades do mesmo não foram corrigidas para aqui. Rapidamente termina e pode até tornar-se monótono mas graças às arenas e aos constantes desafios, a jornada de Fetch ganha uma força extra altamente importante. Tendo em conta o preço, se são fãs de inFamous e se não se importam de passar mais algum tempo neste recreio sem quaisquer ambições de maior não se façam rogados, entrem em First Light.

7 /10

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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