Metro Redux - Análise

Regresso ao metro de Moscovo.

Há quem apelide esta geração de consolas como a da reciclagem, devido aos variadíssimos remakes de jogos lançados nas plataformas da geração passada, e não só. É evidente a tentativa de fazer chegar determinadas obras a um público mais alargado, e com isso rentabilizar ainda mais o trabalho despendido em projetos já concluídos e consolidados, que apenas requerem um lifting visual e ajustes em algumas particularidades técnicas. Estes regressos ao passado são ótimos para quem não jogou determinado título na altura do seu lançamento, pode agora experimentar uma versão melhorada e devidamente adaptada às exigências atuais.

Metro Redux junta-se à já vasta lista de remakes, remastered, ou que lhes quiseram chamar, onde oferece a experiência original com Metro 2033 lançado em 2010, mais a sequela Metro Last Light que saiu para o mercado em 2013. A 4A-Games consegue um pacote interessante ao incluir os dois jogos ao preço de um, e mais alguns conteúdos para aumentar a longevidade. Voltamos assim ao metro de Moscovo, repleto de mistérios e horrores, onde a humanidade encontrou refúgio após o Apocalipse. Somos Artyom, um entre muitos, que tenta compreender o que levou à decadência da sociedade como nós a conhecemos.

Temos desta forma uma otimização de ambos os títulos, a nível gráfico com texturas mais detalhadas, melhorias na performance do motor de jogo, atualização e aperfeiçoamento da captura de movimentos. É evidente um maior salto visual em Metro 2033, com um novo sistema de iluminação, texturas muito superiores, alguns cenários e personagens completamente redesenhados.

Também foi efetuada uma adaptação na jogabilidade em 2033, tendo esta sido transportada de Last Light, até o interface foi copiado da sequela para o original, o que só o beneficia. A física é também agora idêntica a ambos, sendo muito evidente nas armas, que possuem agora mais personalizações e um manuseamento muito semelhante entre os dois.

Existe uma enorme tentativa de fazer com que 2033 se pareça mais a Last Light, é notável a melhoria IA no primeiro, que era um dos seus maiores problemas. As alterações efetuadas conseguem colocar a experiência muito mais similar, praticamente idêntica, o que não acontecia anteriormente. Este paralelismo pode ter duas interpretações por parte de quem joga. Se por um lado é de louvar a melhoria de muitos dos parâmetros do título original, por outro não se consegue ter o mesmo impacto quando passamos para a sequela, não existe a total sensação original de evolução entre os dois jogos. Não é apenas 2033 que sofre melhorias, Metro Last Light evidencia também uma reconstrução do seu sistema de iluminação, ajustes nas texturas, e as já referidas evoluções na captura de movimentos dos personagens. Não é tão evidente como em 2033, principalmente para quem jogou a versão PC.

Infelizmente ainda estão presentes alguns dos problemas originais. Apesar das referidas melhorias na captura de movimentos, a movimentação dos personagens continua robotizada, com posturas pouco naturais, problemas na sincronização das vozes com os movimentos, e muita falta de emoção nas expressões. Os diálogos são muitas vezes cómicos pelo facto das expressões e movimentos não refletirem o que está a ser dito e sentido. Havia também espaço para melhorar o som em geral, particularmente das armas.

Este pacote possui também os conteúdos adicionais lançados até há data, bem como novas missões secundárias, modos de dificuldade ajustados que permitem abordagens diferentes. São muitas horas de jogo que temos em mãos, mas o mais importante não é a quantidade, mas sim a qualidade das mesmas.

Não é fácil ficar convencido e recomendar este Redux. Continuam a ser jogos com muita qualidade, que mantêm todos os pontos fortes originais, desde o ambiente hostil bem recriado, passando pela sensação de solidão em muitos dos momentos. Mas mesmo com todas estas alterações há que refletir se o tempo dedicado não seria mais bem empregue num terceiro jogo da franquia, dar um passo em frente e aproveitar tudo o que foi conseguido anteriormente. Existe potencial para se alcançar algo de muita elevada qualidade.

A versão testada foi a da PlayStation 4, e não poderíamos deixar de referir o excelente trabalho feito nas consolas, já que a exigência em hardware no PC sempre foi um dos seus pontos negativos. É espantosa a fluidez alcançada na PS4 que possui uma resolução nativa de 1080p.

Metro Redux é um bom pacote para quem nunca jogou os originais e não tem a possibilidade de os jogar no PC, é altamente recomendado para as consolas, principalmente no universo PlayStation que nunca recebeu 2033. Se continuam com dúvidas, podem sempre ler as análises originais dos dois jogos.

Análise Metro 2033.

Análise Metro Last Light.

7 /10

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Sobre o Autor

Adolfo Soares

Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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