Bloodborne mais fácil do que Dark Souls?

Nope.

Na E3 já tinha tido a oportunidade de testemunhar gameplay de Bloodborne, o próximo jogo dos criadores de Dark Souls, mas foi apenas durante a Gamescom que surgiu a ocasião para jogar pela primeira vez (o público também teve acesso, mas não era permitido filmar), isto depois de ter assistido a uma apresentação, onde foram divulgados mais alguns detalhes e foi mostrado mais um trecho que ia além do que tinha sido exposto em Los Angeles.

Antes mais de mais, quero abordar a preocupação de que este jogo será mais fácil do que Dark Souls. Os fãs ficaram com esta noção quando durante a semana passada o produtor disse que Bloodborne não será tão castigador como Dark Souls, informação essa que já tínhamos recebido durante a E3. No entanto, ser menos castigador não é sinónimo de que a dificuldade será menor, apenas significa que quando perderemos, não seremos tão punidos.

Digo isto porque como já disse, tive a oportunidade de jogar e num período de cerca de 15 minutos morri duas vezes, embora aquela área parecesse bastante simples de passar. E tenho que acrescentar que a dificuldade da demo foi reduzida para que os visitantes da feira pudessem chegar ao final, na versão final será mais difícil, pelo menos foi o que os produtores garantiram durante a apresentação.

Esta apresentação serviu para dar a conhecer os três pilares sobre os quais o jogo foi concebido, que são exploração do desconhecido, combate arriscado e um conceito online único. Apesar de ser dito que o conceito online será único, nada foi dito sobre esta componente. O foco desta vez estava na jogabilidade, que é mais arriscada e perigosa do que Dark Souls porque a personagem tem uma arma em cada mão em lugar de uma arma e um escudo.

Deste modo o combate é muito mais ofensivo e focado na vossa habilidade para atacar e esquivar os ataques adversários logo a seguir (continua a haver uma barra de stamina, por isso não podem atacar durante infinitivamente). Há mais uma variável que torna Bloodborne em algo diferente de Dark Souls, a hipótese de ganhar a saúde perdida. Quando sofrem dano de um inimigo, a parte perdida da barra de saúde ficará por alguns momentos a amarelo. Durante este curto período, podem atacar qualquer inimigo para recuperar a saúde que perderam.

Atacar para recuperar a saúde nem sempre é a melhor decisão, principalmente quando estão rodeados de adversários. Embora seja mais ofensivo, atacar à sorte não é uma boa estratégia em Bloodborne. Conhecer e utilizar bem as armas também é importante. Um dos pontos diferenciadores de Bloodborne é a capacidade de transformação das armas, que conforme o modo, podem ser mais ágeis ou mais lentas e ter um menor ou maior alcance. Esta é caso da Soul Cleaver, a arma que tem tido mais protagonismo. Em adição a esta, vi ainda um machado (Anti-Beast Axe) que tem dois modos: um para ser usado com uma só mão e outro para ser usado com duas. Além da transformação, cada arma tem dois ataques diferentes, um mais leve e outro que causa mais danos, mas demora mais a ser executado.

O HUD é familiar para quem jogou Dark Souls, aliás, só existe uma diferença. Os itens para regenerar a barra de saúde tem um espaço dedicado. O resto continua igual. Esta diferença foi implementada para que os jogadores pudessem experimentar mais à vontade outros itens, não havendo necessidade de preocupação em reservar aquele espaço só para itens de saúde. É uma alteração bem-vinda e que creio que realmente fará diferença em explorar os "cantos" do combate.

"Ser menos castigador não é sinónimo de que a dificuldade será menor, apenas significa que quando perdermos, não seremos tão punidos."

Sobre a história quase nada foi dito, mas sabemos que não será uma narrativa direta e parece que o estilo será o mesmo de Dark Souls, deixando espaço para interpretações. Foi dito adicionalmente, em reposta às questões colocadas, que o jogo será uma mistura entre ação e terror, e mais uma vez sublinhou-se que há muito foco no combate. A ação certamente virá dos combates, enquanto a parte do terror será criada pela atmosfera e pelo medo do que poderemos encontrar a seguir.

Ainda sobre a nova mecânica que permite regenerar a barra de saúde ao atacar os oponentes, vale a pena dizer que o diretor do jogo, Hidetaka Miyazaki, olha para ela abstractamente como se fosse uma barra que mede a vontade e coragem dos jogadores. Dá para perceber porquê. Mesmo que a barra esteja perto do fim, existe sempre a chance de recuperar parte dela, mas existe um risco associado. Deste modo os jogadores terão que ser corajosos para avançar perto da morte contra um adversário.

Para aqueles que ainda estão com receio que Bloodborne seja demasiado fácil, resta dizer que a equipa é a mesma de Demon's/Dark Souls, que estão sem dúvida entre os jogos mais difíceis da geração anterior. A dificuldade já se tornou a sua imagem de marca da From Software, por isso qualquer receio é injustificado. Apesar das novas informações reveladas na Gamescom, continuam a haver questões por responder e sentimos que ainda só vimos a ponta do icebergue de Bloodborne. Todavia, adoramos tudo o que foi mostrado até agora. Este é mais um dos grandes jogos que vão chegar em 2015.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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