Geração reciclagem: A calma depois da tempestade

Alguns esclarecimentos.

O meu artigo de opinião "Geração Reciclagem", publicado no passado Sábado, foi um dos mais lidos, comentados e partilhados desde que comecei a escrever para a Eurogamer Portugal. Foi também o que mais ondas levantou e, de forma a evitar mais confusão e controvérsia, vejo-me na obrigação de esclarecer alguns dos factos apontados e pelos quais assumo completa responsabilidade.

Beyond: Two Souls

Ao contrário de The Last of Us e Grand Theft Auto V, a versão remasterizada de Beyond: Two Souls não foi oficializada e não incluí as fontes de onde retirei a ideia de que poderia encontrar-se a caminho da PlayStation 4. A primeira é uma notícia de Abril que aponta para a possibilidade da Quantic Dream estar a remasterizar o jogo. Tem por base documentos encontrados no portefólio de um produtor onde estão incluídas cenas inéditas do jogo, código para o DualShock 4 e mesmo uma menção directa a uma versão Director's Cut do mesmo. A segunda, da semana passada, tem o jogo listado em duas lojas suíças diferentes, uma capa inédita (idêntica à da edição especial mas a cores) e uma data de lançamento para Setembro.

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O anúncio foi entretanto removido das lojas online.

Por muito fumo que haja, ainda não existe fogo e lamento ter induzido em erro alguns de vocês ao incluir o jogo na mesma lista que outros já confirmados. Se realmente estiver para ser lançado em Setembro, com certeza veremos uma confirmação nos próximos tempos. Caso contrário, não passou de um rumor e peço desculpa por tal facto não ter sido mencionado.

Sony

O artigo foi também acusado por alguns leitores de "denegrir a imagem da Sony"(e um pouco da da Microsoft) em favor da Nintendo. É uma acusação que, infelizmente, não é anormal. Já antes referi que sempre que aponto o dedo a uma empresa interpretam como estando a bajular outra e vice-versa. Muitos de vocês não viveram no tempo em que as consolas eram vistas como um mero brinquedo para crianças e foi precisamente a Sony a grande responsável pela enorme mudança de mentalidade na qual vivemos hoje. Como jogador, é impossível não ficar grato por isso e por todos os grandes jogos que a empresa me deu ao longo dos anos.

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Esta era a imagem dos video jogos antes da Sony. Alguém diga a um dos miúdos que o jogo só dá para um jogador.

No entanto, enquanto jogador crítico e com uma opinião com frequência expressa em público, não posso ficar indiferente às coisas negativas que a Sony, Microsoft, Nintendo ou qualquer outra empresa deste sector façam. Já apontei o dedo a todas, sem excepção. Mencionei que é "a Sony quem mais anda a pescar no best of da geração passada" e reconheço que isso não é, de todo, uma afirmação justa. Como referi, Beyond: Two Souls não passa de um rumor e mesmo Uncharted é apenas uma possibilidade, pelo que, por enquanto, The Last of Us é o único jogo editado e confirmado pela própria Sony. A empresa justifica o relançamento com o facto de que muitos nunca jogaram o título da Naughty Dog (de que é que estão à espera?!) porque boa parte não teve uma PlayStation 3 na geração anterior. Duvidei que esse número pudesse ser assim tão elevado mas não tive legitimidade para o fazer.

Grand Theft Auto V é um jogo da Rockstar e Metro Redux é da Deep Silver. Desde a publicação do meu artigo que surgiram novos rumores de uma remasterização de DmC: Devil May Cry (Capcom) e Dark Souls 2 (Bandai Namco). Nenhum deles da Sony. Devo reiterar uma coisa que disse e corrigir outra: o mercado está (ou pode estar prestes) a ser inundado por remasterizações mas a principal culpada não é a Sony.

Integridade

Por fim, resta-me apenas esclarecer que não, não fui pago pela Nintendo para escrever o artigo assim como nunca recebi sequer um porta-chaves da Microsoft ou da Sony para escrever bem ou mal sobre eles. Sou um colunista convidado pela Eurogamer e escrevo quinzenalmente. Faço-o porque gosto de video jogos, gosto de os discutir e porque os meus artigos são bem recebidos pela esmagadora maioria dos leitores. Não temos no nosso país um Jim Sterling, Marcus Beer, Yahtzee ou Angry Joe mas isso não significa que para os portugueses esteja tudo bem no que toca a video jogos (bem pelo contrário, somos dos mais prejudicados na Europa). Tal como em tudo o resto, existem aqui coisas boas e coisas más e ambas merecem o devido destaque e discussão. O meu objectivo é apenas tocar em matéria atual que considero relevante e deixar que vocês a discutam (de preferência de forma construtiva) na secção de comentários, concordem ou não com o que é dito.

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Pensei que a linguagem colorida evidenciasse a natureza pessoal do artigo. Sportinguistas, não levem a mal e deixem o Patrício na PlayStation.

Por fim, devo esclarecer que este é apenas um espaço de opinião pessoal, o que significa que os restantes membros da equipa Eurogamer não partilham necessariamente a mesma opinião que eu. Vejam o exemplo da Eurogamer.net que, no que toca a esta onda de remasters, tem uma opinião exactamente oposta à minha, tal como muitos de vocês. Isso é óptimo, dado que este espaço é precisamente para discutirmos essas diferenças. Encontramo-nos para a semana.

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Sobre o Autor

Joel Monteiro

Joel Monteiro

Colaborador

Amante de design de videojogos nos poucos tempos livres. Escreve quinzenalmente na Eurogamer Portugal sobre a indústria e criatividade.

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