Dis-Kinect: Quais as vantagens da Xbox One sem o Kinect?

Agora a Xbox One custa tanto quanto a PS4.

A poucas semanas da E3 e confirmando os rumores que circulavam pela Internet há meses, a Microsoft tornou ontem oficial que a partir de 9 de junho será possível comprar uma Xbox One sem Kinect, tornando a consola mais apelativa para aqueles que viam o dispositivo como desnecessário e com pouca utilidade. Para além de agradar e de corresponder ao feedback da comunidade, o ponto mais importante a retirar desta decisão é que a Xbox One está apta para competir frente-a-frente com a PlayStation 4. Até agora estava em clara desvantagem por custar 100 euros a mais que a consola rival da Sony (devido à inclusão do Kinect), mas em breve ambas passarão a custar o mesmo.

Por mais que as intenções da Microsoft fossem as melhores ao tornar o Kinect obrigatório na compra da Xbox One, a ideia nunca agradou à grande maioria. Devido às falhas do primeiro Kinect, nunca foi dada uma real oportunidade à segunda geração do dispositivo. A Microsoft também tem parte da culpa. Pouco antes do lançamento da consola, deixei evidente que a ideia da Xbox One sem Kinect não me agradava, no entanto, embora a consola esteja disponível em vários países há meses, não foi lançado nem mostrado um jogo que "vendesse" o dispositivo. Kinect Sports Rivals claramente não serviu para esse propósito, como já era esperado.

Sem um jogo para "vender" o Kinect e sem uma integração relevante nos jogos existentes, o dispositivo tornou-se quanto muito num acessório útil para navegar na consola, para trocar de aplicações e iniciar a reprodução de conteúdos apenas com comandos de voz. Para quem usa a consola para mais do que jogar, a ideia de não ter que levantar um dedo para controlar o que está a passar na televisão é cómoda, mas para aqueles que olham para a Xbox One como uma consola, e não propriamente como um centro de entretenimento para a sala-de-estar, o Kinect nunca valeria os 100 euros extra pedidos comparativamente à PlayStation 4.

Importa perceber que dar a opção de comprar a Xbox One sem o Kinect não significa que a Microsoft terminou com o apoio o dispositivo, mas é evidente que o estatuto do Kinect é menor. De obrigatório passou a ser um extra de 100 euros. No entanto, dada a situação da Xbox One, até este ponto com mais sucesso do que a Xbox 360 mas ainda assim 2 milhões de unidades atrás da PlayStation 4, os benefícios parecem ser maiores do que os malefícios.

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Não digam já adeus ao Kinect. O dispositivo continuará disponível como uma opção para a Xbox One. A decisão é vantajosa para todos.

Os produtores ainda podem criar jogos para o Kinect. A proposta não é tão atractiva porque o dispositivo deixou de ser obrigatório e a partir de junho começará a ver-se uma discrepância entre o número de consolas Xbox One vendidas e o número de Kinects presentes nas salas-de-estar. Mas esta discrepância não parece ter sido problema para o primeiro Kinect, que chegou anos depois da Xbox 360 estar instalada no mercado e ainda assim foram vendidas 20 milhões de unidades da primeira geração. Por outro lado, a Xbox One passará a ser mais atraente para os produtores com mais unidades vendidas mensalmente, o que levará a um consequente crescimento da base instalada.

"Decidir entre comprar a Xbox One e a PlayStation 4 já não será tão fácil, deixou de ser uma questão de preço."

Acima de tudo, esta decisão mostra que a Microsoft não está a competir para ficar em segundo lugar nesta geração de consolas. Foi preciso coragem para admitir que incluir o Kinect e tornar a consola mais cara do que a PlayStation 4 não foi a melhor aposta, ou pelo menos, não foi uma decisão que agradou aos jogadores. A Microsoft já tinha demonstrado esta capacidade quando anunciou a remoção do DRM, que se fosse implementado, obrigaria que a consola estivesse ligada à Internet. Admitir os erros não é fácil; avançar com mudanças desta escala num produto com um investimento tão grande como a Xbox One ainda menos fácil é.

A Microsoft está claramente a ouvir as críticas e a tentar melhorar (a entrada em cena de Phil Spencer parece ter ajudado), foi assim que acabou por optar esta decisão. O anúncio ocorreu ontem, mas aparentemente a Microsoft já a tinha tomado há semanas, estando a planear reajustes à interface para melhorar a navegação com o comando (uma necessidade, dado que agora que a presença do Kinect na sala-de-estar é incerta) e tendo discutido com os produtores e editoras acerca de terminar com a obrigatoriedade do dispositivo. Os detalhes são escassos, mas sem o Kinect presente, a consola poderá inclusive aumentar a sua capacidade de processamento, o que por sua vez poderá resultar num melhor desempenho a correr os jogos.

O anúncio de ontem também cria expectativas para a E3. Se a Microsoft resolveu anunciar algo tão grande fora do evento, será que tem anúncios ainda maiores reservados para o palco de Los Angeles? Esta será a primeira E3 desde que as consolas foram lançadas para o mercado. É garantido que tanto a Sony como a Microsoft estão a reservar grandes "bombas" para o evento. Daqui para a frente, voltando a sublinhar que agora a Xbox One custará 399 euros, igual à PlayStation 4, será uma guerra de exclusivos, de melhor desempenho nos jogos e de oferecer a melhor experiência aos jogadores. Decidir entre comprar a Xbox One e a PlayStation 4 já não será tão fácil, deixou de ser uma questão de preço.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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