A Nintendo vai às compras

Onde pode gastar o seu dinheiro?

Na semana passada vimos a Nintendo a, finalmente, reconhecer que tem nas mãos um sério problema chamado Wii U. É bom ver o gigante de Quioto a acordar, engolir o orgulho e a começar a trabalhar para dar a volta à situação.

Apesar de ainda achar a salvação da Wii U mais ou menos possível - com uma descida enorme de preço e bons exclusivos a coisa é capaz de ir lá - a Nintendo mostrou interesse em fundir-se e/ou adquirir outras empresas. Parece uma estratégia louvável e um bom uso a dar aos rios de dinheiro que correm por aqueles lados.

A Nintendo é, de longe, a maior empresa de video jogos do mundo mas a sua relevância, especialmente no que toca a consolas domésticas, tem sido posta em causa graças à Wii U. Comprar novas empresas significa comprar os direitos exclusivos de certas propriedades intelectuais que, se bem aproveitadas, podem colocar a Nintendo novamente no primeiro lugar da indústria.

Mas onde é que a Nintendo pode e deve gastar o seu dinheiro?

SEGA

A SEGA é a principal favorita a ser adquirida ou fundida com a Nintendo.

Esta foi uma das minhas previsões para os próximos anos e, dada a sua situação actual e a aproximação à Nintendo que tem acontecido ao longo dos últimos anos, a aquisição da SEGA ou uma fusão com a Big N parece ser o próximo passo natural na relação.

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Rivais durante anos, atletas olímpicos desde 2008.

A realidade é que a SEGA é a sombra do que foi quando fazia consolas e a sua oferta de software só tem vindo a piorar com o passar dos anos. Hoje em dia, reduz-se, basicamente, a Football Manager, Total War, Yakuza, e jogos do Sonic de qualidade duvidosa. Escrever isto até me dá um aperto no coração uma vez que a minha primeira consola foi uma gloriosa Mega Drive, na altura repleta de muitos, muitos jogos de qualidade da própria SEGA. Felizmente, a SEGA adquiriu recentemente a empresa mãe que detinha a Atlus, trazendo consigo um monte de IPs de elevada qualidade, tais como Shin Megami Tensei(na qual se inclui a série Persona) e Etrian Odyssey.

Comprar a SEGA daria um boost de novas IPs gigantesco à Nintendo. Além de rechear o próximo Super Smash Bros. de novos lutadores, a Nintendo poderia recuperar velhas franchises da SEGA adormecidas e que já merecem regressar. Conseguem imaginar um Alex Kidd ou Skies of Arcadia com a atenção que é dada a Zelda? Um Shining Force com a qualidade de um Fire Emblem ou Wars? Um Sonic trabalhado de raíz por uma equipa que desenvolveu um Mario em 3D e que saiba, de facto, fazer um jogo de plataformas em 3D? Não gostavam de ver novos Streets of Rage, Shinobi, Panzer Dragoon, Crazy Taxi, Comix Zone, Jet Set Radio, Out Run, Sega Rally e, obviamente, Shenmue?

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Quantos fãs de Shenmue não comprariam uma Wii U para ver o fim da saga da Ryo?

Apesar do passado de ferozes rivais, uma fusão entra a SEGA e a Nintendo seria a melhor coisa que algum dia poderá acontecer a ambas as empresas e uma consola com o selo das duas iria rebentar a cabeça a muito velho fanboy acérrimo de cada uma delas.

Capcom

A Capcom é a outra grande favorita a ser adquirida pela Nintendo. Tal como aconteceu com a SEGA, também a Capcom teve, na altura da GameCube, uma relação mais próxima com a Nintendo, graças a um contrato de desenvolvimento de vários exclusivos e do lançamento de toda a série Resident Evil na "lancheira" roxa, numa tentativa de a tornar apelativa ao público mais maduro. Alguns desses exclusivos acabaram também na PlayStation 2 porque a GameCube vendeu muito abaixo das expectativas, mas para a história ficam pérolas como o remake do Resident Evil original e o subestimado Resident Evil Zero.

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Se todos os jogos com 10 anos tivessem este aspecto...

Nos dias que correm, a Capcom é mais conhecida pela suas implacáveis políticas anti-consumidor e pela sua conta bancária seriamente desfalcada do que pela qualidade dos seus jogos mas, apesar de os últimos anos lhe terem corrido pessimamente, ainda é a segunda empresa com o maior número de personagens e IPs mais reconhecidas em todo o mundo, apenas superada pela Nintendo. Esta aquisição faria da Nintendo uma espécie de Disney dos video jogos, concentrando em si personagens icónicas como Donkey Kong, Mario, Mega Man e todo o cast de Street Fighter. Conseguem imaginar um parque de diversões Nintendoland?

Séries como Monster Hunter, Resident Evil, Devil May Cry e Street Fighter também resolveriam o problema da Nintendo em identificar-se com o público que ainda a vê como uma marca infantil, por isso acho que esta seria uma grande aquisição/fusão que só beneficiaria as duas empresas.

Level-5

Dado que a Level-5 já gera boa parte dos seus lucros nas portáteis da Nintendo, graças a títulos como Inazuma Eleven ou Professor Layton, a aquisição deste estúdio independente poderia servir para dar à Wii U séries de JRPGs exclusivos de elevada qualidade, tais como Ni No Kuni, Dark Cloud ou Rogue Galaxy.

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Ni No Kuni foi um prodígio tecnológico na DS mas foi um consola da Sony quem recebeu o seu port.

Apesar do actual declínio ocidental do género, este ainda se mantém bastante popular no Japão e a Level-5 é um dos mais consistentes estúdios a produzir JRPGs de qualidade, como prova a confiança depositada no estúdio pela Square Enix, que lhe entregou Dragon Quest VIII e IX.

Se um dos objectivos da Nintendo for vender hardware doméstico em território japonês, esta é, a meu ver, uma das compras mais acertadas.

Platinum Games

Este é um estúdio japonês com bastante talento mas cujas vendas raramente reflectem a qualidade dos seus títulos. Dos 7 jogos que lançaram, apenas Bayonetta e Metal Gear Rising alcançaram sucesso comercial(e este último teve a ajuda de Metal Gear fazer parte no nome), fazendo com que o futuro da Platinum Games se encontre constantemente em risco.

Se fosse adquirida pela Nintendo, a Platinum Games poderia continuar a produzir os melhores títulos de acção over-the-top sem que dinheiro fosse uma preocupação. Se Metroid Other M foi uma experiência falhada nas mãos da Team Ninja, acredito que a história fosse bastante diferente com a Platinum Games a tratar de Samus.

Além disso, seria bom que a chegada da Nintendo finalmente concretizasse o sonho da Platinum Games adquirir Darksiders e tornar a série numa alternativa negra à série Zelda.

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The Wonderful 101 foi exclusivo Wii U e Bayonetta 2 segue os mesmos moldes. Serão estes sinais do que poderá estar para chegar?

Mistwalker

Tal como a Platinum Games também o estúdio fundado por Hironobu Skaguchi, o pai de Final Fantasy, luta constantemente por se manter vivo.

Apesar da sua mediocridade, Blue Dragon vendeu bem mas as vendas de Lost Odyssey, de longe o melhor "Final Fantasy" da geração passada, não foram suficientes para garantir uma sequela e The Last Story, exclusivo Wii, também não alcançou o sucesso comercial esperado.

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Seria uma pena que o título de The Last Story fosse um presságio sobre o futuro do estúdio.

Se eu tivesse algum poder de decisão dentro da Nintendo, olharia para a Mistwalker como uma alternativa barata à Level-5, ao estilo de Moneyball. Boa parte do talento que abandonou Final Fantasy veio para este estúdio e as dificuldades financeiras do mesmo fazem dele uma boa oportunidade que a Nintendo pode aproveitar. Quem sabe não será a Mistwalker a ressuscitar a série Earthbound.

Oculus VR (ou empresa similar)

Num futuro próximo, uma nova consola com um "capacete" de realidade virtual como o Oculus Rift vai ser uma revolução tão grande quanto o foi a Wii. A Nintendo, como principal inovadora da indústria, está consciente de que este tipo de tecnologia vai literalmente mudar a forma como jogamos, por isso não estranharia se a aquisição da Oculus VR ou de outra empresa similar passassem pelos planos da Big N.

A Nintendo há muitos anos que pisca o olho à realidade virtual(lembram-se do Virtual Boy?) mas a tecnologia nunca acompanhou a sua visão do futuro. Se ainda não tiverem em desenvolvimento um produto similar, o Oculus Rift parece corresponder exactamente àquilo com que a Big N sempre sonhou.

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Eu quero jogar Metroid Prime com o Oculus Rift!

Rare

Adquirida por um balúrdio em 2002 pela Microsoft e conhecida por não fazer nada de jeito desde então, a Rare é o único estúdio ocidental que coloco nesta lista.Antes de se dedicar a fazer cópias baratas de Wii Sports, a Rare, nos idos anos 90, era um nome de imenso respeito na indústria, capaz de levar as máquinas da Nintendo aos limites com títulos como Donkey Kong Country ou Conker's Bad Fur Day. E falo de limites realmente inimagináveis para aquele hardware, não nos moldes banais com que se utiliza a palavra nos dias de hoje.

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Depois de jogar Banjo Kazooie: Nuts & Bolts, tenho de concordar com o Conker.

Neste caso, a nostalgia fala claramente mais alto que a razão, uma vez que o talento da velha Rare há muito fugiu do estúdio, mas não tenho dúvidas de que a maioria dos fãs da Nintendo gostariam de ver a Rare regressar à casa mãe e aos velhos tempos em que era, muito provavelmente, o melhor estúdio de jogos do mundo.

E vocês? Quem é que acham que a Nintendo deveria adquirir?

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Sobre o Autor

Joel Monteiro

Joel Monteiro

Colaborador

Amante de design de videojogos nos poucos tempos livres. Escreve quinzenalmente na Eurogamer Portugal sobre a indústria e criatividade.

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