Inspector Zé e Robot Palhaço em Crime no Hotel Lisboa - Análise

O cum Catano…

Esta análise foi originalmente publicada em dezembro de 2013, aquando do lançamento de Inspector Zé e Robot Palhaço em Crime no Hotel Lisboa. Decidimos republicá-la para acompanhar o lançamento do jogo no Steam. As novidades desta versão são bugs resolvidos e melhorias visuais, novas animações para alguns personagens, táxi e outras coisas, suporte para as Proezas no Steam com estante incluída no escritório do Zé, suporte para cartas colecionáveis, crachás e tudo o mais que o Steam oferece, versão em Inglesa revista e suporte melhorado para Windows e Mac.

A não ser que nos últimos meses tenham andado a viver num local muito longínquo e sem acesso à internet, o nome do estúdio Nerd Monkeys será imediatamente familiar, assim como o título do seu primeiro jogo, O Inspector Zé e Robot Palhaço em Crime no Hotel Lisboa. Apesar de ser uma estreia, a equipa de produção contou já com alguma experiência, Filipe Duarte Pina foi por exemplo um dos fundadores dos extintos Seed Studios, conhecidos pelo desenvolvimento de jogos como Under Siege ou ToyShop Tycoon.

Se isto não é suficiente para captar a vossa atenção, reparem novamente no nome do jogo, "Crime no Hotel Lisboa". Pois é, o "setting" é nada mais, nada menos, que a romântica Lisboa dos anos 80, representada num estilo de "pixel art" cheio de personalidade. É um jogo de aventura "point and click" à antiga, no tempo em que ainda eram conhecidos como aventuras gráficas, por grande parte da interação se executar nos próprios cenários.

A apresentação aparece em forma de peça de teatro, com as cortinas a abrir para a ação e a plateia a surgir em baixo. Isto é utilizado como forma de o jogo se enquadrar, ao mesmo tempo que serve de gratificação gratuita quando a plateia se levanta a aplaudir depois de fazermos algo correctamente, ou a apupar se tentamos algo estúpido. Um ampliar da ação que serve um pouco o mesmo propósito de um desencadear de caixa de achievement, mas sem os pontos desnecessários.

A direcção estética é muito inteligente, por ser declaradamente "old school", numa resolução nativa de 256x192, a mesma utilizada pelo velhinho ZX Spectrum 48k. É um estilo animado simples, mas distinto. As personagens possuem formas exageradas que desafiam o contorcionismo e cores vibrantes que contrastam com o efeito escada exagerado dos cenários, do hotel Lisboa, da ponte 25 de Abril, do rio Tejo, e até das natas.

Vestimos a pele do inspector Zé, um detective privado, fumador compulsivo de Português Suave, que troca os nomes de toda gente e que foi distinguido na licenciatura de investigação criminal com a respeitável classificação de "Dozeoito". Na sua companhia cai (literalmente) um estranho robot doméstico (o "sidequique"), baptizado de Robot Palhaço, por contar com um respeitável reportório de anedotas que pode sacar a qualquer altura.

Sendo uma aventura policial, os serviços da equipa de investigadores são requisitados para investigar o estranho suicídio do senhor Sebastião Love, um indivíduo de 42 anos, encontrado no chão do quarto do hotel Lisboa, com catorze facadas nas costas. Leram bem, suicídio, com 14 facadas, nas costas.

Há uma coisa que qualquer Zé do planeta saberá, é impossível, ou pelo menos pouco provável, alguém se suicidar com tantas facadas... nas costas. Para piorar, as motivações do suicídio são deixadas em carta, e envolvem o cheiro dos pés da senhora Love, um motivo que Zé não engole facilmente. Aliás, o detective parece ser bastante mais perspicaz a identificar o óbvio, que o robot, ou mesmo a própria polícia, personificada no jogo pelo agente Garcia.

Em certa medida, o inspector Zé lembrou-me de Ace Ventura, talvez pela forma como opera à margem das autoridades que o olham com desdém, mas que na verdade mostram ser inferiores na arte da investigação policial. É também das poucas personagens do jogo que não representa uma visão estereotipada de uma figura da sociedade Portuguesa, ao contrário do gordo agente Garcia, o engraxador Tony ou a Sra-da-vida Maria Estrela, que faz descontos à segunda-feira.

Já devem ter percebido que o jogo vive exactamente deste tom de humor, uma paródia da sociedade Lisboeta que chega a roçar a sátira em alguns momentos, e o absurdo noutros. As cinco ruas representativas da cidade oferecem referências deliciosas, que acompanham o tom do jogo e ainda enriquecem o ambiente ao prestar homenagem a coisas como o fado, a gastronomia, a tecnologia e até o retrogaming.

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Sobre o Autor

Aníbal Gonçalves

Aníbal Gonçalves

Redator

MMOs e RPG são com o Aníbal. Aliás existe um rumor na redação que a sua primeira casa é o World of Warcraft. Mas às vezes também o vemos a fazer uns exercícios. Não é mau de todo.

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