Previsões para a próxima geração

O que diz a minha bola de cristal?

Há uns tempos atrás fui carinhosamente apelidado de “Michael Pachter wannabe”, um “elogio” que agradeço uma vez que sou fã confesso do analista mais amado/odiado da indústria. Não quero ficar atrás dele e, por isso, também eu vou lançar umas previsões para o que vai acontecer durante a próxima geração. Não me crucifiquem já; href="https://www.eurogamer.pt/articles/2013-07-13-a-wii-u-esta-em-apuros">algumas das coisas que disse que a Nintendo tinha que fazer com a Wii U já se concretizaram.

Apesar de ter a minha opinião formada sobre o que irá acontecer com o mercado de hardware, deixei de fora as 3 fabricantes de consolas para evitar guerras na secção de comentários.

Entrem na máquina do tempo, apertem o cinto e vamos a isto.

Previsão nº1 - A Electronic Arts vai voltar a ser nº1 no mundo

A Electronic Arts já foi a maior editora do planeta mas nesta geração perdeu esse lugar para a Activision Blizzard, muito graças ao gigantesco sucesso de Call of Duty. No entanto, com títulos como Battlefield 4, Star Wars Battlefront, Mirror's Edge 2 e, especialmente, Titanfall a juntarem-se aos best-sellers amadurecidos da editora(Need for Speed e títulos EA Sports), a EA vai entrar na nova geração com um lineup invejável.

A Activision Blizzard precisa de rever a sua oferta para não depender tanto do sucesso de Call of Duty e de Skylanders que, este natal, já vai ter Disney Infinity a fazer-lhe concorrência e a levar a carteira de pais de todo o mundo ao desespero.

No PC, Diablo III vendeu bem mas World of Warcraft tem cada vez menos adeptos. Acho que a empresa precisa de diversificar a sua oferta e voltar a ter mais franchises do tamanho de Tony Hawk e Guitar Hero para continuar a ter um catálogo relevante.

"A Activision Blizzard precisa de rever a sua oferta para não depender tanto do sucesso de Call of Duty e de Skylanders"

1
Apesar do crescimento da editora, a diversidade do catálogo da Activision tem descido bastante.

Quem também se encontra de muito boa saúde criativa e capaz de fazer frente às duas grandes editoras americanas é a Ubisoft. Além de Prince of Persia, Rayman e Splinter Cell, Assassin's Creed e Just Dance estabeleceram-se nesta geração como IPs de sucesso garantido mas é a força de The Crew, The Division e Watch Dogs que me enchem de esperanças em relação ao futuro da editora francesa. Agora só precisam de um FPS competitivo.

Previsão nº2 - Call of Duty vai perder terreno

Call of Duty: Black Ops 2 foi o primeiro jogo da série com menos sucesso que o anterior: vendeu “apenas” cerca de 25 milhões de unidades. Longe de acusar fadiga, a verdade é que a concorrência, especialmente Battlefield, não tem dado tréguas ao jogo da Activision.

Homefront e Medal of Honor podem ter falhado a sua missão mas Titanfall é a minha aposta para o jogo que vai, finalmente, conseguir dividir o público de Call of Duty. O título da EA tem tudo o que um jogador de Call of Duty procura- acção frenética, multiplayer competitivo, 60fps- e ainda lhe acrescenta parkour e mechs gigantes. O que querem mais? Não nos podemos também esquecer que Battlefield 3 vendeu umas respeitáveis 16 milhões de unidades e que a série, aos poucos, se está a estabelecer no coração de todos aqueles que gostam do gatilho virtual.

2
Battlefield está à espreita, à espera do primeiro deslize de Call of Duty para liderar o mercado dos FPS militares.

Também Destiny e Warface, o FPS F2P da crytek, são capaz de apelar a este público pelo que pretendentes ao trono de Call of Duty não irão faltar na próxima geração.

Previsão nº3 - A Sega vai à falência

Ah, a saudosa Sega...! Lembram-se dos tempos em que a Sega era a única competição à altura da Nintendo? Pois, também a mim me parecem tempos bem distantes. Após uma impressionante série de decisões completamente idiotas, a Sega deixou de produzir consolas para se dedicar exclusivamente ao sofware. Entrou muito bem nesse mercado mas não teve gás suficiente para conseguiu ocupar a mesma posição que tinha enquanto fabricava consolas. Com o passar dos anos, as coisas só têm piorado e desde os tempos da Dreamcast só criaram duas franchises com algum peso: Valkyria Chronicles e Yakuza

Sonic, outrora um rival à altura do canalizador italiano da Nintendo, nunca conseguiu fazer a transição para o 3D. Tem tido vendas generosas mas nunca extraordinárias. Ainda assim, é a maior franchise da Sega, seguida de Football Manager.

Nos últimos anos, a Sega tem investido muito no mobile e para a nova geração decidiu meter todos os ovos num cesto chamado Wii U, com 3 Sonic exclusivos a caminho da consola da Nintendo. Uma decisão arriscada dado tratar-se de uma consola com uma saúde um pouco frágil.

3
Parece que a única forma de termos um bom jogo do Sonic em 3D é mesmo entregando o seu desenvolvimento à Nintendo.

"Chamem-me pessimista mas eu não acredito que a Sega aguente mais uma geração."

Chamem-me pessimista mas eu não acredito que a Sega aguente mais uma geração. A empresa tentou reestruturar-se, despediu funcionários mas não tem feito nada de realmente notável e que venda muito. Aliens: Colonial Marines foi um dos títulos mais comentados deste ano mas não pelas melhores razões. Com tanta IP de qualidade na sua história, é impressionante como a Sega não aproveita melhor aquilo que lhe deu sucesso no passado. Títulos como Alex Kidd, Comix Zone, Phantasy Star(offline), Crazy Taxi, Skies of Arcadia, Jet Set Radio, Streets of Rage e até Shenmue mereciam alguma atenção e, bem trabalhados, ainda têm o potencial e o apelo para venderem bem.

Dados os desenvolvimentos mais recentes, a minha previsão é que a Sega vai acabar por ser comprada pela Nintendo algures durante a próxima geração. Irónico mas a melhor coisa que lhe pode acontecer.

Previsão nº4 - A Square Enix vai passar sérias dificuldades

Já tive a oportunidade de falar sobre esta empresa que, em tempos, me foi muito querida. Para quem não esteve atento, fica aqui o resumo do seu percurso:

  1. A Squaresoft era uma editora pequena mas responsável pelos maiores RPGs da SNES e PlayStation;
  2. A Enix era outra editora, ainda mais pequena, responsável por Dragon Quest, o maior RPG do Japão;
  3. Fundiram-se em 2003, formando a Square Enix com ambições de serem uma das maiores editoras do mundo;
  4. Entraram em crise criativa e nunca mais produziram jogos de qualidade com a frequência de antigamente;

A Square Enix entrou de forma terrível na actual geração e, tirando The World Ends With You, não criou uma única IP digna de nota nos últimos anos. Antigamente lançavam vários RPGs de qualidade por geração(Chrono, SaGa, Mana, Front Mission, etc.), agora não conseguem vendes mais de um milhão de cópias de um RPG se não tiver Final Fantasy no título.

Os seus grandes investimentos nos últimos tempos foram a aquisição da Eidos e o desenvolvimento de dois MMORPGs. A Eidos tem feito um excelente trabalho, levando-me até a questionar como chegaram à ruína financeira, mas a Square Enix esperava números maiores. Na verdade, esperava que a Eidos carregasse às costas todas as asneiras feitas pela empresa no Japão.

Os dois MMORPGs em questão são Dragon Quest X e Final Fantasy XIV. O primeiro teve vendas fraquíssimas e o segundo foi um autêntico desastre, entretanto re-lançado com o subtítulo “A Realm Reborn”.

4
A Square usou um Phoenix Down em Final Fantasy XIV. Vamos lá ver se o ditado “pau que nasce torto jamais se endireita” se aplica ou não ao caso.

São ambos MMOs à moda antiga, com subscrição, numa era em que o F2P se está a tornar rei e senhor do jogo multiplayer.

Com as suas maiores apostas a serem mal recebidas pelo público, a sua galinha dos ovos de ouro(Final Fantasy) a vender menos a cada novo título que é lançado e a única divisão que ainda faz jogos decentes a ser duramente pressionada, não auguro um bom futuro para a Square Enix. Neste momento, depende muito do trabalho da Eidos mas não tem a coragem suficiente para assumir isso. Com a quebra criativa sentida a oriente, a empresa ou engole o seu orgulho e se reestrutura ou prevejo que irá passar por grandes dificuldades ao tentar competir com estúdios ocidentais.

Previsão nº5 - A Activision vai tentar adquirir a Take-Two

A Take-Two foi alvo de uma tentativa falhada de aquisição por parte da EA em 2008, situação que teria deixado a EA sem concorrência nos jogos de desporto(tirando Pro Evolution Soccer). Felizmente para nós, isso não aconteceu mas com a quantidade e qualidade de novas IPs que introduziu esta geração - Bioshock, Red Dead, XCOM e Borderlands - a Take-Two tornou-se uma editora com um portfólio bastante apetecível. Como a EA ainda deve ter o orgulho ferido por não ter conseguido comprar a Take-Two, acredito que vai ser a Activision Blizzard quem vai tentar adquirir a casa de Grand Theft Auto e, desta foram, colmatar as falhas que lhe apontei na primeira previsão.

A concretizar-se este negócio, a primeira previsão fica, obviamente, sem efeito.

Agora que sabem o que penso que poderá acontecer nos próximos anos nesta indústria, gostava de ouvir a vossa opinião. Há alguma coisa que vos parece óbvia que irá acontecer e que deixei de fora?

Salta para os comentários (88)

Sobre o Autor

Joel Monteiro

Joel Monteiro

Colaborador

Amante de design de videojogos nos poucos tempos livres. Escreve quinzenalmente na Eurogamer Portugal sobre a indústria e criatividade.

Conteúdos relacionados

Também no site...

Steam Game Festival: Summer Edition adiado

Decorrerá alguns dias mais tarde.

EA Play 2020 adiado

Existem conversas mais importantes a decorrer.

Comentários (88)

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela tua contribuição!

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários