Wolfenstein: The New Order - Antevisão

Um osso duro de roer.

Já lá vão muitos anos em que jogava o "jogo do enjoo". Estou claro a falar do primeiro Wolfenstein 3D, o pai dos shooters, vindo diretamente das mentes da id Software. Isto em 1992. E porque enjoava? Talvez devido às cores e aquele efeito manhoso de gráficos em três dimensões. Nunca gostei do jogo, mas reconheço a sua enorme importância para o panorama dos videojogos.

Passados mais de 20 anos, temos o regresso (ok houve jogos pelo meio) da série, agora ao cuidado do estúdio MachineGames, mas usando novamente um motor da id Software, a mais recente evolução desde Rage do Tech 5. Na apresentação à porta fechada que tivemos acesso, o estúdio produtor, na pessoa de Jens Matthies o diretor criativo, afirma que Wolfenstein: The New Order será mais que um shooter frenético, mas onde a história terá um papel muito importante.

A demonstração, e consequente gameplay que tivemos acesso, foi feita num PC, mas que é representativo da nova geração de consolas, a Xbox One e PS4. Como muitos sabem, Wolfenstein: The New Order leva o jogador para uma Segunda Guerra Mundial adulterada, onde os Nazis conseguem conquistar toda a Europa, e ganhar a guerra. O mundo está assim debaixo dos Nazis, isto em 1960. A tecnologia é muito mais avançada nesta altura do que o foi na realidade. Será que se o mundo fosse conquistado pelos nazis em 1940, a progressão tecnológica vinda dos diversos testes e experimentações levadas a cabo durante a Segunda Guerra Mundial se faria sentir atualmente? Assim o é em Wolfenstein: The New Order. Por isso poderão esperar mechs, armamento de peso, tecnologia mais avançada e certas techs que ainda nem hoje existem. Este é também um dos assuntos a resolver no jogo, sobre como os Nazis conseguiram chegar a este estado avançado de tecnologia.

Em Wolfenstein: The New Order somos William Blazkowicz, mais conhecido por B.J. Blazkowicz acordou de um estado de coma de 15 anos, ou seja desde 1945, altura do fim da guerra. Temos a tarefa de acabar com a ameaça nazi na Europa, e para isso temos que crescer dentro da organização e sabotar os seus planos de domínio mundial. Após acordar do coma, Blazkowicz está dentro da organização, considerado como um verdadeiro Ariano.

Na missão que o estúdio MachineGames mostrou, B.J. está num comboio a caminho de Berlim, estando a ser usado como servo. É uma cena do jogo onde não envolve qualquer tipo de tiroteio, sendo antes um revelar de algumas personagens, como a sexualmente perturbada e algo estranha Frau Echer. Esta última faz-se acompanhar de um soldado nazi, que é um misto de bobo sexual e cheio de piada seca. O nosso papel era servir café na carruagem, mas fomos colocados em teste, para ver se realmente somos um ariano puro. Frau Echer testa B.J. por colocar diversas fotos, algumas sugestivas e outras de flores. Aqui temos que escolher entre duas fotos de cada vez. A escolha parece ser a resposta para a sua fidelidade ao sistema Nazi. Mas para além disso, Frau Echer coloca uma arma à disposição de B.J., para o testar. Depois de algumas escolhas de fotos, Frau Echer afirma que se ele pegasse na arma não era um ariano e por isso passou no teste. Nesta cena podíamos escolher usar ou não a arma, deixando em aberto o resultado do seu uso.

Depois do teste levamos o café para outra carruagem, onde se encontrava num quarto uma amiga de B.J., a Anya, uma das resistentes contra o regime nazi, dizendo que apenas tem uma cama no quarto, e se ele se sente confortável com isso. Acaba aqui a demo.

Esta cena serviu também para revelar o poder gráfico de Wolfenstein: The New Order. Depois de termos visto Rage em PCs de topo, Wolfenstein: The New Order não nos surpreende, pois é algo que o motor da id Software nos habituou. Apesar disso temos fantásticos elementos destruíveis dentro do jogo, algo que eleva o fator de dificuldade em embates mais pesados. A nova geração parece ser mais do mesmo em termos de shooters, mas eleva em grande qualidade os elementos em volta do jogador, as coisas a acontecer ao mesmo tempo no ecrã e o poder de destruição.

Wolfenstein: The New Order esta a ser produzido desde 2010, e centra-se num gameplay mais clássico e numa dificuldade à moda antiga. Em conversa com os produtores partilhei a minha frustração sobre os mais recentes jogos onde temos ajudas por todos os lados e "gráficos" em cima de nós a dizer para onde ir. A ideia por detrás de Wolfenstein: The New Order é elevar a dificuldade do jogo, não apenas no gameplay contra os inimigos, mas também nas próprias mecânicas. No mundo real não existem ajudas gráficas e temos que descobrir para onde ir e que porta abrir. Joguei em modo Normal, e mesmo aqui a dificuldade está bastante acima da média dos últimos shooters.

Em termos de jogabilidade é extremamente fluído e divertido. É um shooter à moda antiga, frenético e sem complexos de mostrar todos os seus músculos. Gostei particularmente do pormenor de podermos ganhar vida por simplesmente passar por cima dos inimigos mortos, não obrigando ao jogador a recolher essa mesma vida. Já referente ao armamento, temos a possibilidade de jogar com duas armas ao mesmo tempo, dentro da mesma categoria. Temos a possibilidade de desbloquear um segundo disparo, que é apenas desbloqueado para a arma em causa, na mão que a estão a usar. Assim podemos ter armas do mesmo tipo, mas com níveis diferentes de poder de fogo. Algumas armas têm uma segunda funcionalidade para além do disparo, como por exemplo o que foi mostrado, um maçarico para cortar ferro e grelhas.

Apesar de ser um shooter o multijogador ficou fora do jogo, estando remetido para uma campanha a solo. Este elemento poderá ser algo diferenciador, mas no mundo atual onde os embates online são feitos ao som de milhões de balas, é uma posição de risco que o estúdio está a tomar. Prometido para as consolas de nova geração, Xbox One e PS4, Wolfenstein: The New Order também sairá para as "velhinhas" PS3 e Xbox 360, bem como PC, versão pela qual pudemos experimentar o jogo.

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Sobre o Autor

Jorge Soares

Jorge Soares

EG.pt Master of Puppets  |  eurogamerpt

Sempre ocupado e cheio de trabalho, é ele quem comanda e gere a Eurogamer Portugal. Queixa-se que raramente arranja tempo para jogar, mas quando está mesmo interessado num jogo, lá consegue arranjar uns minutos. Tem mau perder e arranja sempre alguma desculpa para a sua derrota, mas no fundo, é o que todos fazemos.

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