A Ascensão de Kratos

Estreia esta semana na minha sala de estar.

Com a recente promoção levada a cabo pela SCEE, na qual se pode encontrar God of War: Ascension por um preço entre os €23 e os €29, decidi dirigir-me à loja e comprar o único título desta série que ainda me faltava. Depois do estrondoso trabalho do Sony Santa Monica em God of War 3, estava ansioso para conhecer o seu último trabalho na PlayStation 3 e o preço revelou ser demasiado irresistível. Talvez seja mesmo só a minha vontade de regressar para perto de Kratos, afinal de contas as primeiras horas de GOW3 praticamente não tem rival nesta geração de consolas. Raramente se viu algo tão frenético, tão grandioso, tão sumptuoso quanto aquela investida sobre o Monte Olimpo portanto estava com as expectativas em alta para esta nova Ascensão.

Claro que o acesso à demonstração de The Last of Us também teve um pequeno papel nesta compra. Além do preço e da série em si, aceder no dia 30 de Maio à demonstração, duas semanas antes do lançamento do jogo, tem o seu interesse e eu vou estar na fila da frente para ter uma amostra do que o Naughty Dog andou a fazer desde Uncharted 3. Mas no aqui e agora o que interessa é mesmo a mais recente aventura de Kratos e assim comecei o meu jogo.

Ascension começa com Kratos preso e torturado por uma das três Fúrias, a Megera. Como já é tradicional na série, temos aqui uma interpretação bem singular da Mitologia Grega onde os seus mitos e conceitos são levados a novas escalas de irreverência e brutalidade. Megera tem um aspecto repugnante a lembrar até um cruzamento com uma aranha e desde logo ficam bem aparentes os avanços feitos no motor de jogo a nível visual.

Desde as aproximações de câmara a Kratos ou a Megera, tudo aqui ostenta um nível de detalhe altamente interessante e maior é o impacto quando comecei a controlar Kratos. Quando a sua tortura corre mal, Kratos está livre para iniciar a sua perseguição e aqui notamos desde logo como tudo está mais rápido, mais gracioso e até mais dinâmico, mas muito igual ao que já vimos.

Segue-se uma caça por uma ilha que dá verdadeiro significado ao seu nome, centenas de mãos espalham-se prontas a atacar Kratos e a revelar novos e ameaçadores perigos. Tudo aqui transpira God of War, é a mesma fórmula sem tirar nem por e apesar de tal não ser mau, fica a sensação que não houveram avanços em termos de criatividade e design. Controlar o personagem e os movimentos nos combates sente-se mais rápido que anteriormente mas fora isso tudo parece demasiado igual a si mesmo.

Ainda tenho muito pouco tempo de jogo mas tudo até agora parece indicar um desenvolvimento que jogou pelo seguro e preferiu afinar, melhorar e testar tecnologicamente o motor, a máquina, e a série. Não é propriamente evolução mas antes sim afinação nas melhorias nos combates, nos visuais e até na estrutura de jogo (especialmente na forma como os cenários são moldados nas lutras contra os bosses) mas não sentimos que tudo isto é levado a uma escala que se possa considerar verdadeiramente evolucionária.

Até ao momento nada aqui me trouxe o fascínio que GOW3 trouxe e na altura quando pensava porque o jogo estaria a ter uma recepção abaixo do esperado, agora começo a fazer as contas. Se GOW3 subiu o volume do amplificador até ao 11, Ascension parece ficar-se por um volume mais estável e mais regularizado. Temos as mecânicas de jogo que já conhecemos e bem, afinadas e até melhoradas em alguns casos, mas não temos aqui a escala épica, o tom furioso e incessante do anterior. O que torna a personalidade deste jogo menos envolvente.

Pelo menos foi esta a sensação com que fiquei ao jogar um pouco do jogo. Apesar de estar altamente expectante para o que virá em seguida, a verdade é que me preparo para baixar um pouco o entusiasmo. Existe quase um contra-senso que se instala consoante vou jogando Ascension, quanto mais o jogo mais vontade tenho de jogar GOW3 mas ainda assim não o consigo parar de jogar. Quase como se quisesse mostrar a mim próprio 'Isto é que é um God of War', apesar de Ascension ser plenamente um God of War com tudo o que tem direito e todo o mérito.

Das duas uma: ou estou anestesiado/mimado por GOW3 ou então Ascension transparece como um produto "meramente" competente e divertido e não insanamente épico como o terceiro jogo. A resposta só a vou descobrir mais tarde mas após um contacto com o jogo a ideia que vou ficando é a de uma companhia que não quis estar quatro/cinco anos sem um jogo na série e a de um estúdio que decidiu conciliar a "obrigatoriedade" de criar um novo título com um ímpeto experimental.

Ainda tenho pouco tempo de jogo, praticamente 45 minutos, quase que poderia dizer que tive acesso a uma demonstração do jogo mas estou mesmo ansioso por regressar e passar aqui o meu fim de semana. Ainda estou na perseguição em Hecatonquiros e terminei agora mesmo o segundo encontro contra o primeiro boss portanto ainda não tenho muito tempo de jogo. Ainda nem sequer abordei o multi-jogador e por isso mesmo se tiverem algumas dicas estejam à vontade e deixem-nas nos comentários.

God of War: Ascension até ao momento demonstrou ser um produto sólido e altamente competente. Tão divertido quanto um AAA do Sony Santa Monica já provou ser mas sem a chama do anterior. Até agora nada esteve à altura daquelas primeiras duas horas de GOW3 e apesar de o tentarem provavelmente será muito difícil de o conseguir. Ainda assim a sensação de um jogo que tem muito para dar está presente e estou curioso quanto ao multi-jogador.

Aquela primeira luta contra o boss é em si fantástica, visualmente impressiona e tem uma boa sensação de escala mas falta toda uma personalidade, assim como uma forte sensação que não é propriamente algo de novo na série, e espero mesmo que seja impressão minha e que o jogo não tenha tido tempo para assentar. Estou altamente ansioso para o que vem a seguir e espero que seja bom até porque o sistema de combate parece ser o mais afinado e o melhor da série. A banda sonora continua imponente como sempre e afinal de contas é um prazer descobrir um pouco mais deste universo.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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