GTA V - Antevisão

A festa de despedida desta geração de consolas.

Eu gostei do GTA IV. Pronto, já o disse. Se calhar, a partir de agora vão-me odiar, mas prefiro-o ao San Andreas. Sei perfeitamente que as expectativas para o primeiro GTA desta geração era uma versão melhorada do GTA que encerrou a geração da PlayStation 2, e o que acabou por surgir foi algo completamente diferente e com várias limitações quando comparado a San Andreas. Mas ao invés de jogar pelo seguro, a Rockstar preferiu arriscar num jogo mais terra-a-terra, afastando-se das maluqueiras introduzidas em San Andreas (se gostam desse tipo de jogo, então têm a série Saints Row).

O objetivo da Rockstar para GTA V não é arriscar novamente, é antes pegar em tudo o que aprendeu com os jogos anteriores e criar o derradeiro jogo de mundo aberto. É no lado da narrativa que elevar-se-á a fasquia. A estrutura tradicional de GTA de uma só personagem foi trocada por uma mais complexa de três personagens. Nunca antes foi feito nada semelhante.

Claro que, perante algo nunca antes visto, os jogadores estão com dúvidas em relação à forma como esta estrutura de três personagens funcionará. Será que este é o caso de três jogos compilados num só? Não. Pela descrição da Rockstar, parece que temos em mãos um só jogo mas com três perspetivas diferentes.

Durante as missões haverá uma troca constante entre as três personagens, permitindo jogar três lados diferentes da mesma estória. Fora das missões, “poderão trocar entre estes protagonistas mais ou menos à vossa vontade”, disse a Rockstar na recente apresentação do jogo. Resta saber qual é o significado deste “mais ou menos”, mas ao menos é dito que trocar de personagens é uma excelente forma de explorar o mundo, que estará acessível no seu todo desde o início do jogo.

Revisitar Los Santos, uma das três cidades de San Andreas, é uma oportunidade para a Rockstar mostrar uma faceta degradante da sua interpretação Los Angeles. Em outrora estava repleta de glamour e de estrelas de cinema famosas mundialmente, agora não passa de uma cidade em queda, com dificuldades para se manter de pé face à crise financeira que se abateu sobre o mundo. No meio deste caos moderno, surgem os nossos três protagonistas que estão dispostos a recorrer aos meios criminosos para alcançar o sucesso.

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Franklin: Adora carros e é um condutor excelente. Além disso, tem a seu favor a sua juventude, inteligência e ambição.

Quando fala-se de um novo GTA, uma das perguntas inevitáveis é: será maior que os anteriores? No caso de GTA V a resposta é sim. A área jogável é cinco vezes maior que Red Dead Redemption (inclui exploração de baixo de água) e no total é maior que GTA: San Andreas, GTA IV e Red Dead Redemption combinados. A grandeza de GTA V não está só no tamanho do seu mapa, a Rockstar afirma que este será o maior GTA na seleção de armas e de carros.

Os roubos são o foco principal das missões de GTA V. Toda a narrativa do jogo gira em redor do planeamento e execução de planos de assaltos. A Rockstar descreve os roubos como “missões grandes de múltiplas partes que requerem planeamento e execução, e oferecem a maior recompensa”. Os roubos estão espalhados pela narrativa, quebrando a estrutura linear dos jogos anteriores e dão a oportunidade ao jogar de participar em missões épicas desde o ponto inicial do jogo.

A troca de personagens poderá ocorrer de várias maneiras: durante uma cinemática, automaticamente durante a gameplay, ou manualmente (apenas possível conforme as circunstâncias de cada missão). Os jogos da Rockstar sempre contiveram uma apresentação cinematográfica. Com GTA V a tradição mantém-se. O que se propõe é, semelhante ao que acontece nas séries de televisão, dar a conhecer a narrativa de diferentes perspetivas sem nunca afastar o jogador do fio condutor. Manter esta consistência num jogo com estas dimensões é uma tarefa arrojada, mas a Rockstar está a trabalhar em GTA V desde que terminou GTA IV, o que lhe deu bastante tempo para pensar como tudo se desenrolará.

Antes de participarem num roubo terão que planeá-lo, o que implica comprar as armas, veículos e outras coisas essenciais para serem bem-sucedidos. A abordagem ao assalto é outra das preocupações, havendo a escolha de proceder sorrateiramente ou entrar a matar. A fase seguinte do planeamento implica escolher a equipa para o roubo, que por vezes excede os três protagonistas.

No entanto, cada um dos três protagonistas terá sempre um papel central e único em cada assalto devido às suas habilidades especiais. Michael possui a habilidade de abrandar o tempo num tiroteio (Max Payne?!). Franklin tem a mesma habilidade na condução, sendo um elemento importante nas fugas. Já Trevor consegue causar danos extras e receber menos dano, além de ter um ataque corpo-a-corpo único. Cada uma destas habilidades terá um uso limitado e deverão ser usadas estrategicamente, sublinha a Rockstar.

Como GTA V está decididamente virado para ação, como já era possível conclui pelos trailers, que exibem explosões e caos, a Rockstar teve que melhorar o combate, não só para este efeito, mas também para se manter a par das evoluções que se deram na indústria desde o lançamento de GTA IV em 2008. As melhorias mais notáveis são a fluidez do run and gun, enquanto se mantém um controlo total sob a retícula, um sprint que permite mobilidade a elevadas velocidades com a arma na mão, e uma cambalhota estratégica para sair de cobertura e evitar o fogo inimigo (as transições de entrar/sair da cobertura também estão mais suaves). As melhorias mais pequenas dão-se ao nível da câmera e retícula. Quando fizerem zoom para disparar, a câmera move-se para uma perspetiva acima do ombro para possibilitar um campo de visão mais amplo. No que toca à retícula, esta fica vermelha quando passa por um inimigo e mostra um “X” quando o inimigo alvo estiver morto.

A Rockstar não se esqueceu dos amantes de San Andreas, que desde então aguardam um jogo de tais proporções, e promete centenas de atividades que vão entreter quem gosta de explorar o jogo além das missões que compõe a narrativa, como:

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Trevor: Um sociopata à solta, um ex-piloto do exército e um parceiro de Michael quando este ainda assaltava bancos. Vive numa roulote em Blaine County rodeado de traficantes de metanfetamina e de gangues de motoqueiros.
  • Mini-jogos - Base Jumping, corridas off-road, caça e roubos de multibancos;
  • Missões secundárias - Roubar carrinhas de segurança, recolher pessoas que estão a pedir boleia;
  • Eventos de desporto - Yoga, Gold, Ténis, Triatlo, Corridas de bicicleta;
  • Desafios - Stunt Jumps, Desafios;
  • Compra de propriedades - Casas, Garagens, Marinas, Negócios;
  • Personalização - Tatuagens, cortes de cabelo, roupas veículos e armas;

A Rockstar confirmou que GTA terá um modo multijogador, mas por enquanto ainda não está preparada para falar sobre isso. Sabemos apenas que será “uma nova abordagem ao multijogador em mundo aberto”. Os detalhes virão mais tarde.

Já só resta falar dos gráficos. Neste aspeto, este é o jogo mais impressionante que será lançado para a PlayStation 3 e Xbox 360, se levarmos em conta as dimensões que de já falamos anteriores. O jogo a correr não é tão definido como as imagens dão a entender (parece-me que estamos perante um caso de bullshots ou de uma possível versão nova geração), mas continua a ser impressionante ver algo assim num hardware que já tem sete anos de idade. Só é pena não existir uma versão PC. Aí sim, poderíamos ver GTA V em toda a sua glória, sem as limitações que as consolas atuais já não conseguem nem podem esconder.

Dito tudo isto, o que esperar de GTA V? Parece-me que estamos perante um ponto de viragem na série que será um pilar central para os jogos em mundo aberto para a próxima geração de consolas. A Rockstar sabe que tem algo muito especial em mãos e que não pode dar-se ao luxo de parar no tempo e de cingir-se à fórmula tradicional que ainda vimos em GTA IV. Esta série tem representado o pináculo dos videojogos desde GTA III, mas acho que todos sentimos que estava a precisar de evoluir - uma evolução verdadeira, e não apenas acrescentar mais coisas ao jogo. A Rockstar também o sentiu, e antes que ficasse ultrapassada, deu um passo em frente.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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