Star Trek - Análise • Página 2

PEW PEW PEW SPOCK!

Despachadas as apresentações e ficamos com o que já certamente todos conhecem nos dias de hoje, um jogo de acção e tiros na terceira pessoa com muito PEW PEW PEW! Podemos dizer que não é o tipo de sensação que juntamos a Star Trek mas mesmo assim, caso bem realizada, não vejo qual o problema de uma nova visão/interpretação do universo quando o mesmo já passou por tantos géneros diferentes. O problema está na inconsistência da experiência, na sua falta de profundidade, nas suas mecânicas de jogo mal utilizadas e na inteligência artificial que roça o ridículo, tanto no aliado como nos inimigos. Aqui sim, temos os condimentos do desastre todos preparadinhos.

Um jogo de ação na terceira pessoa com um forte recurso ao sistema de cobertura envolto no universo Star Trek é o que temos aqui e se a tentativa foi emular Mass Effect 3 (mais vocacionado para a ação que os dois anteriores) então temos aqui um produto que cumpre, mas fica bem aquém do seu potencial máximo. Kirk e Spock vão enfrentar vários níveis que tentam imprimir suspense, drama e tons épicos para maravilhar o jogador mas este provavelmente estará mais atento à intriga que é pensar porque a resposta dos comandos não se sente tão boa como nos exemplos que serviram de inspiração. e os movimentos são um pouco mais ridículos do que deveriam

Apesar de combinar algum engenho com segmentos ridículos, o design de níveis consegue ser bem competente e a componente de exploração, procura de segredos ou trivia consegue ser bem interessante. Completamente dedicado aos fãs de longa data da série, apesar de tentar piscar o olho aos fãs de videojogos quando lhes indicam que existem segredos para descobrir. Existe até uma segunda forma de jogar os níveis dependendo do personagem que escolhem e se cumprem os objetivos opcionais mas o apelo cedo desaparece.

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Tem alguns momentos que nos desarma e diverte, para voltar vingativo e nos bater.

Kirk é mais vocacionado para a ação, vocacionado para os tiros e o jogo de cobertura na dança de balas com os Gorn, enquanto Spock nos permite ser mais furtivos e aplicar habilidades específicas da sua raça. Caso queiram podem aderir ao Online e enfrentar os níveis em cooperativo com outro jogador e aqui vão ter um melhor desfrutar do jogo. A inteligência artificial que dá vida ao outro personagem é simplesmente ridícula, ineficaz e desprovida de qualquer capacidade para ajudar o jogador. Contém com problemas reforçados quando o vosso companheiro não vos ajuda, se mete na linha de fogo e se deixa ser abatido e vos deixa à mercê de todos os restantes inimigos.

Se não tiverem cuidado a experiência pode até tornar-se frustrante por isso tenham algum cuidado. Isto é especialmente evidente quando o companheiro IA não consegue sequer abater um inimigo. Agora pensem que a IA dos inimigos é também ela ridícula e este "épico de ação galáctica" ficam bem aquém do desejado. Estes "lagartos" procuram de forma ineficaz cobertura, deixam-se expostos prolongadamente para serem abatidos e por vezes nem sequer sabem para onde disparar. Como o jogo é afetado por alguns bugs mais do que devia, torna-se difícil perceber qual é o problema no momento mas que não está como deveria isso percebemos.

"Nada aqui é tão mau quanto pode parecer, simplesmente não é bom e a roçar o aceitável."

Até as lutas contra bosses, existem algumas, não tem grande interesse. Nada aqui é tão mau quanto pode parecer, simplesmente não é bom e a roçar o aceitável. Desprovido de qualquer tom épico que tanto pretendia, momentos em que enfrentamos um inimigo mais poderoso simplesmente pedem ao jogador para se desviar, manter a sua distância e martelar o botão de disparo. Cada arma tem dois tipos de disparo, um deles pode até atordoar os inimigos para um consequente ataque físico, mas nenhuma delas se distingue. Momentos contra bosses poderiam elevar a experiência e ser algo épico mas também aqui o estúdio não conseguiu ir mais longe.

Equipados com um Tricoder, a dupla pode de imediato sinalizar o destino, realçar pontos de interesse e interagir com equipamentos específicos. Muitos deles precisam de um hack que nos leva para os mini-jogos. Alinham frequências de rádio ou indicar o caminho de uma linha para armadilhar um explosivo é interessante apesar de nos deixam a pensar que são mesmo uma tentativa de copiar o que já vimos anteriormente. O Tricoder permite ainda dar ordens ao nosso companheiro e apesar disto atenuar a sua ineficácia no combate. É uma das mecânicas de jogo mais interessantes e uma que funciona em pleno em todas as formas em que as mecânicas de jogo a ele recorrem.

Mostrando bem que soube copiar e que tem todos os clichés e mais alguns, Star Trek tem também uma lista de habilidades que podemos melhorar com a experiência que ganhamos ao longo dos níveis. Desde melhorias às armas e capacidades de disparo, podemos melhorar a destreza dos hacks e o manuseamento das capacidades específicas de cada personagem. Se não fosse uma ocasional curiosidade digo que até me passava ao lado e mais parece estar ali só por estar, sem grande consequência na experiência de jogo. Claro que melhorar o escudos parece tão Mass Effect mas é mesmo, até a forma como funciona. Após alguns disparos o escudo destrói-se e ficamos à mercê dos tiros e temos que nos proteger até o escudo se regenerar.

Existe até uma secção em que controlamos o arsenal da Enterprise numa perseguição espacial que se queria épica. Por todo o conjunto de fatores entre os quais uma jogabilidade e aparato visual inconsistentes e medianos, fica-se pelo tolerável e pelo descartável. Estava aqui uma oportunidade para um momento de eleição mas ficamos claramente a perceber que houve uma enorme falta de inspiração na hora de passar o conceito para jogo propriamente dito. Isso afetou o desfrutar que o jogador tem do produto.

Tenho a confessar que não sou propriamente um grande entusiasta de Star Trek. Via a série na TV mas não fiquei devoto a este universo. Os mais recentes filmes vieram dar a Star Trek um maior apelo global entre as massas e também eu fiquei com mais Star Trek no meu radar. Passei ao lado os jogos da série pois acreditava serem algo específico e que não me apelavam. Neste caso foi diferente e o ponto de partida foi mesmo o seu formato de jogo de ação na terceira pessoa inserido no universo da Enterprise. No entanto, este videojogo dificilmente funcionará seja em que campo se coloquem: fanáticos Star Trek ou adeptos de shooters à procura de mais.

Se forem fãs de Star Trek vão querer experimentar esta fatia cannon deste universo que agora renasce como revigorado fulgor. Vão receber uma boa história e todo o talento dos atores dos filmes como suporte. Pelo caminho podem até conhecer um shooter que nem conseguem distinguir se é bom ou mau. Se pelo outro lado são meros curiosos que querem mais um jogo de ação galáctico, então estão mesmo tramados e passem ao lado. Vão conhecer uma história que pouco ou nada vos diz e enfrentar mecânicas de jogo repletas de falhas e um produto desolado por uma qualidade geral mediana. Existia toda uma obrigação para o Digital Extremes ter feito algo muito melhor do que aqui é feito.

5 /10

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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