Injustice: Gods Among Us - Análise • Página 2

A fúria dos deuses.

A transformação das cenas animadas em tempo real gera particular entusiasmo devido à projecção dos cenários em três dimensões. As batalhas acontecem num plano bidimensional, mas ao contar com personagens e fundos em três dimensões, há um reforço de realismo acrescido de uma enorme interactividade a partir de objectos espalhados pelo cenário. Entrando em destruição à medida que as personagens trocam golpes mais explosivos, a natureza estática das arenas que conhecemos da esmagadora maioria dos fighting games é neste jogo um tema do passado. Isso permite ao jogador servir-se de alguns objectos colocados em pontos específicos para conseguir uma vantagem. Na Batcave, por exemplo, é possível disparar um conjunto de mísseis na direcção do adversário. No cenário reservado ao Aquamen, destruir uma parede lateral constituída de vidro causa uma inundação momentânea capaz de causar dificuldades no adversário. Estas possibilidades variam de acordo com a arena escolhida e ainda há que ter em conta as constantes animações, especialmente a partir dos golpes das personagens que levam a desmoronamentos e quedas de estruturas envolventes. Admiráveis pelo seu realismo, os palcos de batalha destacam-se pelo seu bom design e variedade. Variedade essa que se vê reforçada pelas extensões aplicadas em cada um. Se uma personagem executar um golpe forte numa das extremidades, atira o rival para uma outra zona de composição diferente, onde prossegue o combate. A atmosfera de cada arena é particularmente admirável. Tendo como ponto de inspiração as recentes produções de Batman Arkham, as suas diferentes construções captam muitos sinais distintivos de um bom conjunto de personagens.

Se jogaram acostumados ao último Mortal Kombat, depressa irão reconhecer o balanço e equilíbrio das personagens. Deste ponto de vista são jogos bastante conexos. Contudo, não tardará até descobrirem que as 24 personagens têm muito mais para oferecer do que um conjunto de golpes basilares repartidos por diferentes graus de impacto. Do mais moderado até ao mais duro, cada golpe é o ponto de partida para uma variedade de combinações que fazem de cada personagem uma caixa de pandora.

A NetherRealm optou por distinguir entre as personagens que encontram na força uma característica saliente, por oposição às personagens que usam máquinas e gadgets como instrumentos de combate. Este é um dos melhores efeitos do jogo, já que ao pressionar um botão, o jogador activa o seu poder especial. Na Wonder Woman, por exemplo, a sua habilidade especial radica no uso da espada e do escudo, enquanto que Batman tem à sua disposição um conjunto de morcegos electrónicos. Entre electrónica e armamento, as possibilidades de uso aumentam exponencialmente e revelam-se como o ponto de partida para uma jogabilidade que mostra outras soluções, muito para lá dos poderes especiais de cada personagem, nos quais certos golpes são precedidos de uma curta cena animada.

Estes poderes especiais podem ser aplicados quando a barra do poder super estiver repleta, bastando, para tal, que apliquem golpes no adversário ou sejam atingidos. É um esquema puramente Street Fighter, assim como o sistema de "blocking" que agora se opera puxando na direcção oposta, entre defesa alta e baixa. Também faz diferença a existência de duas barras de energia em detrimento do duplo round da maioria dos fighting games. Ao perder a primeira barra, o jogo prossegue e esse jogador pode usar a técnica Clash que lhe permite quebrar uma combinação aplicada pelo adversário e arriscar um golpe capaz de causar danos ou recuperar saúde, tendo que, para tal, afectar porções da "super meter". Sendo bem sucedido o resultado pode causar uma reviravolta no sentido do combate. Entre os movimentos EX e cancelamentos, o "tutorial" é uma ferramenta indispensável a que terão de recorrer diversas vezes até assimilarem a estrutura global do jogo.

"Injustice oferece uma curva de aprendizagem mais prolongada, mas sentir-se-ão recompensados assim que tornearem as primeiras dificuldades. "

Nestes termos, Injustice oferece uma curva de aprendizagem mais prolongada, mas sentir-se-ão recompensados assim que tornearem as primeiras dificuldades. Em termos de modos de jogo, dentro da estrutura individual e para lá da história, a NetherRealm introduziu mais três valiosos e alternativos jogos. O "Battles" é constituído por uma vintena de campanhas que articulam diferentes grupos de personagens. Na pele de um vilão, herói ou outro, neste modo não há lugar a qualquer narrativa, tão somente uma série de combates disputados sucessivamente até à batalha final. Enquanto que para alguns fighting games este modo equivale ao modo arcade, aqui é a alternativa ao modo história e ainda apresenta diversas configurações.

Depois temos o S.T.A.R.S Labs, cuja presença noutros jogos de luta é constante. Em Injustice o jogador terá de percorrer 240 desafios constituídos por um objectivo principal e dois objectivos acessórios. Como acontece noutras propostas, alguns desafios atingem picos de dificuldade quase absurdos, mas nada de impossível para os fãs dedicados. O modo treino oferece uma série de condições de treino, sendo útil para extrair o máximo de cada personagem.

Em termos de multiplayer online, Injustice têm como modo bandeira o "King of the Hill", no qual um conjunto de oito jogadores partilham os mesmos combates, procurando desalojar do trono o jogador mais vitorioso, num sistema ao semelhante ao "endless mode" de Super Street Fighter IV. Entre outras opções como ranked match e player match, o jogador acumula pontos de experiência por cada batalha disputada, subindo de nível. Isto permite-lhe personalizar o cartão do jogo, com fundos e imagens das personagens.

Injustice: God Among Us é uma evolução segura de Mortal Kombat. Baseado no universo DC Comics, o seu maior trunfo é a jogabilidade profunda e inovadora, ainda que tenha como ponto de partida o modelo usado em Mortal Kombat. Contudo, para extrair o máximo desta edição, terão de maximizar as habilidades únicas das personagens. Este jogo só não é uma surpresa absoluta porque já conhecemos o trajecto da NetherRealm e sabemos que há aqui muita matéria trabalhada em Mortal Kombat, mas a atmosfera exclusiva, partilhada por personagens icónicas e entusiasmantes, depressa seduz qualquer adepto de fighting games e faz desta uma das melhores propostas para um género que tem conhecido um crescimento assinalável.

9 /10

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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