Injustice: Gods Among iOS e não só

Um fim de semana a esmurrar Lex Luthor.

Esta foi uma semana muito importante para o pessoal no NetherRealm Studios. Por um lado deu a conhecer ao mundo uma amostra do seu aguardado Injustice: Gods Among Us para Xbox 360 e PlayStation 3, o novo jogo para estas plataformas após o aclamado Mortal Kombat, e por outro também disponibilizou gratuitamente para os sistemas iOS da Apple um jogo com o mesmo nome mas adaptado para estes aparelhos.

Tendo em conta que estamos perante um jogo que desfruta da licença DC Comics e Warner Bros. para nos dar uma espécie de Mortal Kombat melhorado com personagens das famosas bandas desenhadas da DC, este Injustice é certamente um produto cujas expectativas são altas. Por isso mesmo vivi esta semana com especial interesse nesta nova propriedade intelectual e tentei descobrir se todo o entusiasmado é justificado e se devo manter as expectativas em alta para o dia 19 de Abril.

Primeiro parti numa jornada pela demonstração presente actualmente nos serviços de distribuição digitais da Microsoft e Sony, o Xbox Live e o PlayStation Network respectivamente. A demonstração permite que o jogador experimente um pouco do produto final e que conhece melhor as mecânicas de jogo, os controlos e como este jogo tenta combinar tudo o que esperamos destes personagens com tudo o que adoramos em Mortal Kombat.

Batman, Wonder Woman e Lex Luthor são os três personagens presentes nesta demonstração e sendo eu um grande fã de Bruce Wayne, foi este o personagem que escolhi para testar este Injustice e conhecer como toda a fórmula me podia conquistar. O primeiro nível não podia ser mais apropriado: nos telhados de Gotham City Batman e Wonder Woman preparam-se para trocar "mimos" e aos poucos o jogo começa a mostrar a sua personalidade.

Os trabalhos de arte tem sido parte importantíssima na promoção de Injustice, a visão do NetherRealm para estes personagens tem sido bem interessante e desde a sua estética ou design, aos seus fatos, tudo tem sido gerido com perceptível cuidado. Também parecem ser reflexo do enredo proposto no jogo no qual os heróis se confundem com vilões e que nem tudo é o que parece mas isso só mesmo no jogo final podemos conhecer mais.

O que isto traz consigo é um jogo com personagens que se encaixam bem no estilo do estúdio e que são recriados no ecrã com todo um distinto aparato. Já conhecemos bem estes personagens e já os vimos vestir vários fatos mas nunca os vimos assim num videojogo, existe uma certa sensação que os fatos estão relacionados com a sua personalidade e forma de estar neste universo em específico, que esta é uma visão mais sombria e até mais fria do universo DC.

Pelos cenários que pudemos conhecer na demonstração, este é um jogo repleto de vida e bem enquadrado para surpreender o jogador. Especialmente quando personagens tão detalhados podem interagir com os cenários para executar movimentos específicos em determinados pontos (como usar um caixote do lixo para enviar Luthor a voar pelo cenário ou usar o sinal Batman para esquivar de golpes do adversário. Os cenários apresentam ainda vários locais dentro do mesmo que tal como os diferentes movimentos especiais específicos dos personagens vamos adorar explorar no jogo final.

Injustice sente-se tal e qual o aclamado Mortal Kombat do NetherRealm, um jogo de combate mais pausado e até estratégico cujos movimentos dos personagens enquanto rápidos não o são tanto quando comparados com outros jogos como Tekken, por exemplo. Fica a sensação que estes personagens não se movem como coelhos em esteróides mas sim como lutadores que pesam e medem o que cada um oferece à luta e precisa de obedecer certas regras para tornar tudo sustentável e credível.

É uma jogabilidade que pode demorar algum tempo a assimilar mas parece conter uma boa dose de profundidade e que estamos desejosos de explorar a fundo, especialmente conhecer os restantes personagens. Especialmente quando chega a hora de desencadear aqueles especiais que mostram movimentos espectaculares. Como um todo, esta demonstração deixou antever um jogo firme nas filosofias do NetherRealm disposta a usar com sabedoria a licença que tem entre mãos para nos dar combates cuja aprendizagem de combos e golpes ostenta profundidade patrocinada por um ritmo mais lento.

Depois da demonstração, parti para Injustice iOS e conheci um jogo que quase pode ser descrito como uma aplicação companheira, algo que nos deixa continuar a usufruir deste universo em qualquer lado enquanto não chegamos a casa (e enquanto o jogo não chega). Aqui temos um leque enorme de personagens para usar mas de momento ainda só tenho uma mão cheia (Flash, Harley, Deathstrike, Nightwing, e Catwoman) sendo preciso continuar a jogar para amealhar dinheiro in-game (não real, apesar de esse poder ser usado para facilitar as coisas) e adquirir esses personagens mais rapidamente.

Nesta experiência que parece combinar o que o NetherRealm usou em Batman: Arkham City Lockdown (por sua vez inspirado no aclamado Infinity Blade) com um simplificado jogo de combate assente com esquema de controlo táctil. Sem recorrer a botões virtuais, temos uma mecânica de jogo tão simples quanto pressionar o ecrã para atacar, deslizar o dedo para um golpe extra após um combo, e outros combos ou movimentos especiais que consistem em gestos similares.

Em cada combate temos uma situação de três contra três com movimentos e especiais vindos directamente do jogo que chegará às consolas muito em breve. Pressionar o ecrã resulta num combo simples que executado em pleno permite um golpe extra com o deslizar do dedo na direcção respectiva. Caso queiram podem deslizar o dedo pelo ecrã em sequência para um combo diferente e quando preenchida a barra de especial podem desencadear esse movimento: alguns personagens pedem ao jogador que deslize sucessivamente o dedo no ecrã para aumentar o dano enquanto outros pedem que pressione repetidamente um ponto específico do ecrã para esse mesmo efeito.

Este é um esquema de controlo altamente simples que evita quaisquer confusões exageradas ou controlos que se sintam inadequados num iOS. Por outro lado permite que tudo seja simples e apesar de um pouco repetitivo, poder trocar de personagens a meio dos combates confere um certo dinamismo que ajuda a manter as coisas mais refrescadas do que inicialmente poderia prever.

Ao lutar os personagens usados sobem de nível e vão ganhando habilidades novas para tornar o leque de lutadores mais forte e coeso. Isto também dita o andamento da progressão pois com personagens de baixo nível não podemos enfrentar qualquer nível, temos que ir gerindo os níveis dos nossos lutadores e adversários. Ao obter experiência sobem os atributos e vamos conhecendo as fraquezas e especialidades dos personagens para criar uma equipa que se adapte à nossa forma de jogar: pessoalmente não fiquei fã de Harley Quinn enquanto catwoman provou ter um estilo irresistível.

Os visuais também estão bem conseguidos e apesar de sentirmos que não existiu grande progresso desde Arkham City Lockdown, ficamos na mesma com um jogo bem interessante. Injustice provavelmente não é o jogo iOS que vão querer mostrar aos amigos para provar o poder do vosso aparelho móvel mas cumpre bem o seu propósito. A fluidez dos combates e a graciosidade dos movimentos tem mais impacto que a qualidade gráfica em si e o detalhe dos personagens, apesar de não desiludir.

Um dos elementos mais interessantes deste jogo, e uma das razões que me tem causado tanta curiosidade ao ponto de passar este fim de semana em redor dele, tem sido a aclamação que permite desbloquear itens e conteúdo no jogo de consola, é algo que continuo a testar. Tem sido bem interessante este Injustice iOS e provou ser muito mais divertido do que pensava inicialmente.

A curiosidade inicial deu lugar a um jogo que se tornou num novo companheiro fora de casa e apesar de longe de se tornar numa referência, é um produto que se sente relevante para um estúdio que quer criar impacto com uma nova série e que quer manter os jogadores activos, interessados e envolvidos com este universo.

Agora só resta esperar por dia 19 de Abril e esperar que o NetherRealm implemente algumas melhorias e novidades para tornar este produto iOS ainda melhor. Entretanto vou tentar desbloquear mais personagens e aplicar mais golpes até não poder mais.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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