As pessoas mudam. Ninguém fica igual para todo o sempre. Esta é uma das verdades que inevitavelmente qualquer pessoa dará de caras a determinado momento da sua vida. A mudança pode-se dar a qualquer nível, seja na opinião, hábitos, gostos, formas de comportamento, atitude, enfim, mil e uma coisas podem mudar. Nada é imutável.

A que propósito vem esta conversa aborrecida? Recentemente apercebi-me de uma mudança nos meus gostos/hábitos nos videojogos. Não tenho paciência ou vontade para jogar sequelas. Em retrospectiva, só houve uma sequela em 2012 que posso dizer seguramente que adorei. Foi Darksiders 2. Tinha adorado o primeiro jogo e estava ansioso pelo segundo. E em defesa do jogo, devo dizer que muito mudou de 2010 para 2012. O protagonista é diferente e movimenta-se de uma forma diferente, o combate evoluiu tanto que dificilmente se identifica com o do primeiro, a proporção do mundo é maior e há oportunidades para exploração.

Tirando Darksiders 2, não houve nenhuma sequela em 2012 que me tenha deixado empolgado. Não estou a tentar criar um argumento para poder afirmar que as sequelas são maus jogos, ou que não são apostas seguras, porque dizer isso seria estar a mentir. Mas é verdade que nas sequelas falta o fator novidade. A não ser que uma sequela mude drasticamente, ou seja lançada só vários anos depois último do jogo, não há espaço para surpresas. Curiosamente, não haver surpresas ou novidades é precisamente o motivo que leva os jogadores a comprá-las. Nós gostamos de familiaridade e olhamos de canto para o desconhecido. É verdade.

As sequelas são aquilo que movimenta a indústria dos videojogos. São as sequelas que movem milhões de unidades todos os anos e registam grandes números que deixam as grandes editoras contentes. Mas as sequelas são chatas, cansam e aborrecem. Quem não tem a oportunidade de comprar uma dúzia de jogos ou mais por ano, pode não concordar ou estar consciente do que estou a falar. Mas como devem imaginar, trabalhar num site de videojogos traz a oportunidade de jogar uma quantidade enorme de videojogos. Em 2012 fiz a análise de 37 jogos. Desses 37, apenas 9 são novas propriedades intelectuais. Os restantes jogos ou são sequelas ou pertencem a séries estabelecidas no mercado.

"As sequelas são chatas, cansam e aborrecem."

Este número é apenas relativo às análises, porque na realidade em 2012 joguei mais que 37 jogos. Porém, alguns deles nem sequer os cheguei a acabar. Porquê? Adivinharam, são sequelas. Instalei Assassin's Creed III no PC, mas fui perdendo o interesse lentamente. Tenciono acabá-lo algures em 2013, se a vontade surgir. Em Call of Duty: Black Ops II visitei o multijogador meia dúzia de vezes, se tanto. A campanha passou-me ao lado. No PES 2013 igual, joguei algumas vezes e depois caiu no esquecimento. Street Fighter X Tekken comprei (ainda não sei bem porquê) e sofreu o mesmo destino que os já referidos. Super Mario Bros. U? Os primeiros níveis foram divertidos, depois... bem já sabem a história.

A falta de inovação não se verifica só nas sequelas. É em quase todos os jogos. Não estão cansados que todos os third-person shooters utilizem a mecânica de cobertura do Kill Switch (popularizada por Gears of War)? A estória pode ser diferente, as personagens também, mas quando chega a altura de jogar são quase todos iguais. O mesmo nos first-person shooters, são raros aqueles que apresentam algo de diferente. As explosões são muitas, mas a essência é pouca. Não foi à toa que escolhi ZombiU como o meu jogo favorito de 2012. Os zombies não são propriamente novidade nos videojogos, mas dentro da temática dos zombies, é uma experiência refrescante, para além de revitalizar os Survival Horror nas consolas.

O meu apetite por videojogos não diminuiu de forma alguma. Continuo um apaixonado por esta forma de entretenimento, como muitos de vocês, estou certo. Posso não ter a mesma disponibilidade que tinha antes, quando era mais novo, para me dedicar aos videojogos (a minha função principal na Eurogamer é escrever, desde notícias, análises e todo o tipo de media e de vez em quando faço análises), mas sempre que tenho oportunidade (a maioria das vezes aos fins-de-semana) gosto de perder várias horas a jogar. Mas não os mesmos jogos que adorava anteriormente.

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O visual psicadélico de Hotline Miami conquistou-me ao primeiro olhar.

Quero coisas novas. Experiências novas. Jogos que nunca experimentei. Jogos que quebram as regras e o convencional. Encontrei o que procuro nos jogos Indie, que graças ao meu novo PC (o meu antigo PC era mesmo velhinho, já não dava para jogar quase nada) posso desfrutar em pleno, e graças ao Steam, ao preço da chuva. Sim, estou-me a divertir à grande com jogos como Binding of Isaac e Hotline Miami, que em conjunto não me custaram mais que 5 euros. Só serve para mostrar que os 69 euros exigidos pelos jogos não são sinónimo de maior qualidade ou de maior diversão. O que estes jogos de 69 euros têm, é uma grande escala, gráficos evoluídos e essa conversa toda.

"São cada vez mais raros os jogos que oferecem um verdadeiro desafio."

E a razão para me estar a divertir tanto com Binding of Isaac e Hotline Miami é a sua dificuldade (em especial o primeiro). São cada vez mais raros os jogos que oferecem um verdadeiro desafio. Cada vez mais vemos os produtores a falar em tornar os jogos mais acessíveis para novos jogadores (é um bom tema para um futuro artigo). O novo Devil May Cry é uma florzinha comparado com os anteriores. Aonde está o desafio? Um dos poucos jogos que foge a esta tendência é Dark Souls, mas não tenho paciência para ele. Já tentei várias vezes e não consigo. Não encaixa no meu significado de diversão. Mas dou-lhe mérito.

Binding of Isaac e Hotline Miami são jogos simples com bastante originalidade. E estes não são os únicos. Existem mais exemplos. Compreendo perfeitamente Markus 'Notch' Persson quando este disse que os Indie estão a salvar o gaming. Será que as novas consolas serão a solução para a esta falta de originalidade? Será um maior poder de processamento sinónimo de originalidade? Não, não e não. Nos últimos anos vimos jogos criticamente aclamados como The Walking Dead, Journey, Limbo, Minecraft, Mark of the Ninja, Faster Than Light e claro, os já mencionados Binding of Isaac e Hotline Miami, e adivinhem, nenhum deles requer um poder de processamento e gráfico descomunal.

Estou cético em relação ao que está para vir. No decorrer de 2013 tenciono prestar mais atenção aos jogos independentes, visto que, dos jogos anunciados para as consolas, apenas há dois que quero jogar. O primeiro, Metal Gear Rising: Revengeance, porque é da Platinum Games (adoro todos os jogos desta estúdio), e o segundo, Grand Theft Auto V, porque pertence à minha série favorita (mas honestamente não estou à espera de inovação ou originalidade, Grand Theft Auto é Grand Theft Auto, a fórmula não muda muito de jogo para jogo). De resto, nada captou o meu interesse.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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