Assassin's Creed 3: Liberation - Análise • Página 2

Liberalização do poder da Vita.

Adicionalmente o jogo propõe desafios específicos ao jogador para este obter maior ou completa sincronização nas diferentes sequências. Em certas missões somos convidados a executar determinada tarefa ou a conseguir essa missão com uma persona específica, o que por vezes aumenta a dificuldade da mesma. O resultado é um jogo que ganha alguma diversidade e dá ao jogador o controlo do andamento das coisas. Se quiser responder ao desafio, pode até ter que repetir missões ou passar por mais dificuldades mas assim o jogo cresce na sua longevidade. Caso queira ser mais rápido, porque assim o quer ou porque o tempo disponível o força, o jogador pode facilitar a sua vida e seguir um ritmo seu. É o jogador que decide o ritmo deste Assassin's Creed portátil.

Rasgar cartazes ou eliminar indivíduos para baixar o nível de notoriedade é agora específico das personas e comprar ou melhorar itens/armas continua a existir no jogo, trazendo para esta experiência os tons credíveis e envolventes dos produtos caseiros mas não tem o mesmo peso e não exigem a mesma atenção ou empenho do jogador. Como em praticamente todos os elementos da estrutura de jogo é o jogador que decide como quer moldar a experiência, embrenhar-se em tudo o que oferece e aprofundar a experiência em si ou então simplesmente abordar o jogo como algo leve e mais centrado na ação. O bom de tudo é que cada um escolhe e as possibilidades estão lá.

Tecnicamente Liberation é um jogo que agrada, mas tem os seus quês. Desde já quero referir o excelente trabalho levado a cabo para encurtar ao máximo os tempos de carregamento. Frequentemente uma experiência que procura ser de topo com toda uma forte envergadura é atraiçoada por tempos longos de carregamento, algo que numa portátil é vital. Aqui a Ubisoft Sofia levou a cabo um trabalho quase surpreendente, bem recomendável, e os tempos de espera são quase mínimos e de forma alguma o jogador se sente afastado da açã, ou apenas por brevíssimos momentos. Isto é especialmente importante pois foi uma temática um pouco controversa nalguns jogos já existentes no mercado.

"É o jogador que decide o ritmo deste Assassin's Creed portátil"

Já em relação ao departamento visual temos um jogo que se mostra bem consistente e capaz de surpreender. A todo o momento tive que me relembrar que estava perante um produto portátil e que não o deveria comparar aos produtos nas consolas de alta definição que acompanho há cinco anos. É um pouco difícil devido ao seu bom trabalho mas não é justo. Só a ideia que nos faz, mesmo que inconscientemente, comparar aos anteriores jogos já deve ser em si um bom atestar da qualidade deste produto.

Uma Nova Orleães, e outros locais como pântanos, vai crescendo à nossa volta e apesar de em termos de verticalidade não termos aqui um jogo tão forte como outros, não existem muitos prédios altos o que é compreensível tendo em conta o local e data aqui representados, temos na mesma uma cidade viva e repleta de movimento. O que isto representa em termos gráficos é um nível que podemos quase tratar como se fosse um Assassin's Creed normal mas com as definições gráficas ajustadas para níveis inferiores. O aliasing é mesmo o maior problema pois em termos de capacidades gráficas em si estamos perante um jogo ao nível do que de melhor a Vita nos deu, se não for mesmo o melhor. Pena só mesmo quando a suavidade da ação se perde de forma brusca quando temos cenas mais movimentadas pois de resto é um produto de excelência.

Talvez o grande problema de Liberation seja mesmo os pequenos elementos que se juntam para em sintonia dar grandiosidade à série Assassin's Creed mas que aqui não conseguem brilhar com o mesmo esplendor visto nas consolas caseiras. O maior está intimamente ligado à inteligência artificial e ao comportamento dos cidadãos que passeiam pelas ruas da cidade. Desde uma completa apatia e comportamentos tardios, os adversários mais parecem cidadãos comuns do que propriamente ferramentas para moldar a forma como jogamos e ditar comportamentos adequado à situação. De forma igual, os cidadãos no geral quase parecem nem reparar em Aveline e sentimos aquele pequeno toque magistral marcado na série. Quando vamos pela cidade e ouvimos os comentários dos cidadãos espantados a reprovar a nossa conduta sentimos uma maior imersão no jogo.

"Assassin's Creed 3: Liberation a nível gráfico está entre os melhores da PS Vita, se não for mesmo o melhor."

Este é um dos problemas que encontrei com a minha experiência em torno de Liberation mas não só por esta perspetiva. Outro dos pontos que a inteligência artificial inferiorizada representa é que toda a experiência em si é mais fácil e o jogador mais habituado à série pode não se sentir desafiado. Claro que o enredo e a liberdade em si da experiência são na mesma os seus pontos máximos mas algo que não se fazia sentir, senti-se natural e tinha mérito por o jogador a deixar passar despercebida, não consegue o mesmo efeito aqui, o que por si já é não desejável.

Quanto ao uso das capacidades específicas da PlayStation Vita, temos apenas um modesto uso das capacidades táteis do ecrã frontal e do painel traseiro. Roubar cidadãos é uma tarefa que aqui assume contornos quase de mini-jogos, temos que movimentar os dedos no painel traseiro, enquanto outras tarefas como gerir inventário e menus recorrem ao ecrã tátil. São pequenos toques que não vão espantar ninguém mas que sempre criam algum interesse no jogador. Passado algum tempo tornam-se movimentos rotineiros e tornam a navegação dos menus em algo simplesmente simples e intuitivo.

Assassin's Creed: Liberation é sem dúvidas um dos melhores produtos presentes na PlayStation Vita e é uma prova da filosofia que a Sony aclama para o seu produto: a de um produto portátil que consegue oferecer excelência AAA caseira para ser usufruída em qualquer lado por quanto tempo se quiser. A Ubisoft entendeu a mensagem que a Sony pretende passar e oferece um produto que a representa com todo um entusiasmante fervor. Pena que alguns elementos não tenham conseguido ascender a outro patamar porque Assassin's Creed 3: Liberation poderia ter sido mesmo algo bem grandioso ao invés de "apenas" algo prazeroso.

8 /10

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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