Dishonored - Análise • Página 2

Corvo Attano conquista o nosso coração.

Para além das armas físicas, Corvo adquire poderes sobrenaturais, que lhe são atribuídos pela personagem denominada por The Outsider, que lhe aparece pela primeira vez quando está a dormir. Os poderes sobrenaturais são divididos em duas categorias, passivos e ativos. Os passivos, quatro no total, estão sempre acionados, como por exemplo a capacidade de cair de grandes alturas sem se magoar (Agility), aumentar a energia (Vitality), transformar os inimigos que assassinamos em cinzas (Shadow Kill), e ganhar adrenalina que posteriormente irá permitir executar fatalidades (Blood Thirsty). Os poderes ativos, são seis e necessitam da nossa intervenção, como por exemplo a possibilidade de nos teleportar em curtas distâncias (Blink), visão melhorada que permite ver através de objetos (Dark Vision), possuir um rato e até um humano para aceder a determinados locais (Possession), parar o tempo em nosso redor (Bend Time), convocar um grupo de ratos que irá atacar quem estiver por perto (Devouring Swarm), e a capacidade deslocar o ar para empurrar inimigos ou objetos (Windblast).

É esta sublime simbiose entre as capacidades físicas e sobrenaturais que dão uma identidade única a Dishonored. A jogabilidade está a um nível muito alto em termos de qualidade, a movimentação é fluída, a utilização dos poderes é bem adaptada às missões e ao meio que nos rodeia. Os locais percorridos estão construídos de maneira a que nunca seja igual a nossa abordagem, permitindo repetir posteriormente todas as missões da maneira que o jogador quiser. Quando terminamos uma missão, há sempre aquela voz interior que nos diz, e se tivéssemos feito desta maneira e não daquela?

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Não há imagem que consiga descrever a obra de arte que é Dishonored.

Em cada missão (mapa), existem items para recolher, desde dinheiro, objetos valiosos, comida para restaurar energia, Runes e Bone Charms. Runes são utilizados para adquirir e melhorar as capacidades sobrenaturais de Corvo. Bone Charms são encantamentos permanentes, existe um limite máximo a ser utilizado, que permitem melhorar e adquiri variadíssimas capacidades, como aumentar a regeneração de energia, subir mais rápido, maior rapidez no manuseamento da espada, e claro, estes Bone Charms vão fortalecer as nossas capacidades sobrenaturais.

"Não existem jogos perfeitos, Dishonored não o é, mas será que alguma vez existirá o jogo perfeito? Creio que não. Mas é indiscutível que é um jogo impressionante em todos os sentidos. "

Os Runes e Bone Charms são detetados no mapa através de um Coração (The Heart), que nos é oferecido pelo The Outsider. É um artefacto um pouco estranho, algo mecanizado, que tem vida própria. Este ao ser selecionado bate com mais frequência à medida que o apontamos para o local onde se encontra um Rune ou Bone Charm. Curiosamente existe uma voz no seu interior, e sempre que pressionamos o botão de ação essa voz revela segredos, personalidades, acontecimentos, coisas que ainda irão acontecer.

A construção da jogabilidade de Dishonored anda em redor da união entre as capacidades físicas, poderes sobrenaturais, e os encantamentos adquiridos. É um conjunto de possibilidades muito recompensador que permite criar um personagem à nossa imagem, à maneira como cada jogador joga.

À medida que vamos avançando no jogo, Corvo torna-se cada vez mais num assassino implacável e impiedoso. É certo que podemos simplesmente passar grande parte das missões sem matar um grande número de inimigos, mas o desenrolar da estória cria no jogador uma sensação de revolta e uma sede por vingança. As habilidades físicas do nosso personagem são diversas, podemos subir até locais vertiginosamente elevados, esconder nas sombras, espreitar pelas fechaduras das portas. Podemos ser silenciosos ou ignorar por completo a abordagem mais furtiva, mas para tal é necessário um perfeito domínio de todas as nossas capacidades, pois assim que o inimigo nos deteta irá chamar por reforços ou acionar o alarme. Temos que estar preparados para um confronto brutal, pois os danos que nos podem infligir são enormes, perdemos energia muito rapidamente. O que inicialmente pode parecer um embate controlado poderá tornar-se na nossa morte.

Mas Dishonored não seria o que é se o seu grafismo não estivesse concebido da maneira que está. É um regalo para os olhos, é pura arte, é uma combinação de cor, luz, construção, design, que raramente se vê num videojogo. Viktor Antonov é a mente por detrás desta obra de arte virtual. Visualmente, é como uma aguarela, é esta a melhor forma para descrever Dishonored. Os vídeos e imagens que tenham visto do jogo não fazem juízo à sua qualidade visual, só mesmo experimentando. A versão testada é a do PC, a uma resolução de 2560x1440 a uns constantes e maravilhosos 60fps. Quando experimentarem Dishonored irão ficar de boca aberta em muitas partes do jogo.

Em termos sonoros, estamos perante um jogo que não descuida esse elemento. Os sons gerais estão como deveriam estar, as vozes dos personagens adequadas às situações e às expressões faciais. A música é outro ponto a favor, com uma banda sonora impressionante e arrepiante, que em muitas vezes me fez lembrar o fenomenal BioShock.

É claro que nem tudo é perfeito no jogo. Os inimigos não são propriamente dotados de grande inteligência, não se escondem, não procuram cobertura, limitam-se a correr em nossa direção sempre que nos detetam. Também ao chegar ao fim do jogo existe a sensação de que determinados momentos deveriam ter sido prolongados, com determinadas missões a não atingirem o auge devido. A dramatização de toda a estória poderia ser ainda maior, apesar de não estar a um mau nível, a inclusão mais frequente de cutscenes ajudaria para esse efeito. Deveria haver uma maior preocupação com as ligações sentimentais entre os personagens.

Não existem jogos perfeitos, Dishonored não o é, mas será que alguma vez existirá o jogo perfeito? Creio que não. Mas é indiscutível que é um jogo impressionante em todos os sentidos. Será um crime não o jogar, deixar de lado esta experiência vídeojogável. É nestas ocasiões que me sinto feliz por pertencer a este mundo que são os jogos virtuais. Não percam esta aventura, deixem que Corvo Attano conquiste o vosso coração.

10 /10

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Sobre o Autor

Adolfo Soares

Adolfo Soares

Director

É o nosso homem do PC, por isso qualquer coisa é com ele. É também responsável pelo Eurogamer, bem como dá uma perna nas notícias.

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