Brave: The video Game - Análise

Pouco mais que uma jovem de cabelos ruivos e olhos azuis.

Proveniente da Disney e dos famosos estúdios de animação Pixar, chega-nos o vídeo jogo Brave, uma proposta claramente orientada para uma audiência infanto juvenil, que pode assim, sem grandes complexidades, seguir com mais ou menos distancia o filme que ainda pode ser visto nos nossos cinemas.

Com grande proximidade ao enredo do filme, Brave revela-nos uma destemida jovem heroína escocesa de longos cabelos ruivos encaracolados chamada Merida, que um dia é chamada a desempenhar uma missão que visa salvar o seu castelo de uma maldição que começou por transformar a mãe num urso. Merida é uma "menina" habituada ao mais alto nível de combate. Adquiriu os ensinamentos do pai para manejar uma espada e arco, conhecimentos que lhe permitem combater ao mais alto nível os inimigos de Mor'du.

O jogo arranca com a fuga da mãe de Merida do castelo, já transformada num colossal urso capaz de fazer tombar todas as árvores que aparecem pelo caminho. Enquanto Merida desata a correr no seu encalço, chegam as primeiras instruções de comando, com indicações para o salto, duplo salto, e uso de espada através do movimento operado no Wii remote. O arco pode ser utilizado como alternativa para atingir inimigos à distância e alvos específicos. Neste caso basta premir o d-pad do Wii remote de acordo com a direção pretendida para atirar as flechas.

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Os primeiros segmentos do jogo revelam a natureza do jogo. Um título de perspetiva na terceira pessoa, tipicamente de plataformas e bastante linear. Para os mais pequenos oferece os condimentos necessários para uma adaptação muito rápida e eficaz. Há arcas do tesouro escondidas que melhoram o equipamento utilizado, os inimigos derrotados são trocados por moedas que aumentam o saco de moedas de Merida e o combate é quase sempre ligeiro e de fácil alcance.

Mais à frente Merida descobre uma bruxa que lhe propõe uma solução para acabar com o feitiço que transformou a mãe num urso. O plano é mais um engano arquitetado pela velhota e para piorar a situação, Merida vê também os seus irmãos transformar-se em pequenos ursos. Pode, porém, utilizá-los em pequenos desafios de organização de plataformas e ativação de mecanismos, podendo comandar cada um dos seus irmãos de forma individual.

Descoberto o Ring of Stones, Merida apercebe-se que pode deslocar-se para diferentes áreas, algo que lhe permite continuar a lutar contra o feitiço que caiu sobre a sua família e castelo. Os ambientes oferecem alguma variedade como espaços vulcânicos, planícies geladas, esgotos e ruas de castelos. Estas secções vão sendo desbloqueadas à medida que completam os objetivos associados para cada ponto do mapa. Entre os tesouros estão poções que melhoram o indicador de saúde, mas é sempre possível recorrer a uma espécie de mercador onde podemos comprar poderes e atributos especiais de ataque, dando origem a uma progressão constante em termos de habilidades de combate, imprescindíveis para defrontar as criaturas de fim de nível.

Outra particularidade tem que ver com a utilização dos elementos da terra como ar, fogo, terra e água e que permitem derrotar mais depressa inimigos conotados como frágeis com algum desses elementos. Regra geral o combate é demasiado simples e rotineiro. Há sempre novos ataques a desbloquear e o ajuste da dificuldade leva a assumir confrontos eventualmente mais exigentes.

A caracterização dos ambientes e inimigos segue de perto o conceito do filme, mas comparado com outras propostas do género, Brave não oferece nada de particularmente relevante senão uma variedade de locais cliché reproduzidos ao mínimo. Depois há toda uma linearidade que pode colher o agrado dos mais pequenos, mas que rapidamente frustra a audiência adulta pela ausência de um sério desafio. Os puzzles revelam-se minimamente eficazes e quebram o ritmo da ação, mas não permitem uma fuga à monotonia. Há um modo cooperativo local para dois jogadores. O primeiro jogador é seguido permanentemente pela perspetiva de jogo e se o segundo jogador sair do raio de ação terá de ser repescado, o que acaba por ser algo inconsistente.

Brave, o vídeo jogo, podia ter sido mais criativo e habilitado e ganhar a atenção dos adultos. Extremamente simples, linear e sem grande poder de persuasão, apenas os mais pequenos poderão sentir-se interessados em investir algum do seu tempo numa obra deste género.

4 /10

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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