Heroes of Ruin - Análise • Página 2

A primeira aventura a quatro para a Nintendo 3DS.

A facilidade de Heroes of Ruin é dos aspetos menos atrativos. Se a jogar a solo já apresenta pouca dificuldade, em cooperativo roça o ridículo. Com quatro jogadores ao mesmo tempo, derrotar os bosses torna-se uma questão de segundos. Há alguns inimigos que causam alguns efeitos negativos, como diminuir o ataque, velocidade ou defesa, mas até esses morrem com poucos golpes. Mesmo depois de terminarem o jogo, não existe a opção de recomeçar numa dificuldade mais elevada, o que acaba por arruinar o entusiasmo a longo prazo.

Durante as 8 a 9 horas que vão demorar a completar a estória, Heroes of Ruin é competente em manter o jogador interessado. Subir de nível e aumentar as estatísticas do herói assim como encontrar equipamento cada vez melhor torna-se um vício. Desperta em nós aquela sede de poder, de querer ficar mais poderoso. De área em área vamos limpando os inimigos ganhando mais experiência e na esperança de estes deixarem "cair" um item mais poderoso que os que já temos. Existindo quatro classes distintas, nem sempre os itens poderão ser usados por nós. Mas vale sempre a pena apanhá-los, podendo estes ser trocados com outros jogadores ou vendidos.

A estória acaba por surpreender, sendo mais que uma desculpa para justificar a aventura, mas devia ter tido um melhor desenvolvimento e ocupar uma fatia maior do jogo. Grande parte da estória é contada em texto, sem haver sequer voz das personagens. São poucas as cinemáticas, e estas são mostradas em imagens animadas. No final há várias reviravoltas, e a estória acaba por não ser tão previsível como inicialmente dava a entender.

As áreas a explorar apresentam-se em quatro variedades, uma gruta no fundo do mar (Coral Tombs), uma floresta (Elder Florest), uma montanha gelada (Frost Reaches) e um mundo estranho onde habitam os demónios (Soul Void). Cada uma destas áreas divide-se em outras sub-áreas. Para um jogo para uma consola portátil, a escala de Heroes of Ruin é mais que suficiente, mas falha num aspeto essencial de um dungeon crawler, que é a possibilidade de revisitar os bosses. Enquanto que os inimigos comuns nunca se "esgotam", e se regressarem a uma área aparecem com regularidade, os bosses, depois de vencidos nunca mais aparecem.

A inexistência de reencontro com os bosses juntamente com uma única dificuldade, não beneficiam a longevidade de Heroes of Ruin. A n-Space parece estar consciente disto, caso contrário não teria limitado o nível das personagens a 30. Quando terminarem o jogo, a vossa personagem estará algures a nível 26 ou 27, perto do limite. Podem gastar umas horas extra a subir os restantes níveis, mas não existe nenhum motivo aparente para tal.

Assim, os desafios diários e semanais acabam por perder relevância. Qual a razão para obter melhor equipamento se não há inimigos mais fortes para derrotar? Uma justificação poderia ser a existência de multijogador competitivo (PvP), mas Heroes of Ruin não conta com tal modo.

Embora dê uso a várias funcionalidades da Nintendo 3DS ainda não usadas por outros jogos, Heroes of Ruin não faz um uso competente do 3D. Este é um daqueles em que o 3D quase se torna irrelevante. Existem alguns efeitos ao longo do jogo que sobressaem com o 3D ligado, mas em geral, não há nada a perder se se jogar com o efeito desligado. A nível visual a cidade de Nexus está bem construída e apresenta bons detalhes que lhe garantem vivacidade, assim como as áreas em redor, se bem que haja algumas partes em que note desleixo. Algumas quebras de framerate têm lugar quando os inimigos se juntam à molhada, mas nada que arruíne a experiência.

A implementação de dificuldades maiores, reencontro com os bosses e modo Player vs Player eram elementos fundamentais para que Heroes of Ruin se pudesse afirmar como um excelente dungeon crawler e um dos títulos de destaque da Nintendo 3DS. As limitações em cima não o impedem de ser uma boa recomendação se estão à procura de um RPG de ação para passar o tempo, e se estiverem dispostos a completar o jogo com as quatro classes, a longevidade quadruplica para quase 40 horas. A julgar pelo final, a n-Space está disposta a apostar numa sequela. Como uma nova propriedade intelectual, Heroes of Ruin tem potencial para evoluir, resta agora cruzar os dedos e esperar que venda o suficiente para que o desenvolvimento de uma sequela seja viável.

7 /10

Se ainda estão com dúvidas em relação a Heroes of Ruin e querem experimentar antes de comprar, podem descarregar gratuitamente a demo que se encontra disponível na eShop da Nintendo 3DS.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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