Há quem diga que a E3 já não é o que era. Que antes havia os segredos bem guardados. Hoje os melhores segredos perdem a validade ainda nem o evento arrancou. Talvez porque ninguém quer esperar. Isto aconteceu com New Super Mario Bros U e com outros jogos. Quando apareceu na tela durante a conferência da Nintendo, já a esmagadora dos seguidistas do evento conhecia imagens do jogo e sabia que ia ser mostrado. Ficou então uma surpresa pela metade, a sequela de New Super Mario Bros lançado no fim de 2009 para a Wii. Menos comum é ver um jogo destes próximo da janela de lançamento da Wii U. Por regra a Nintendo prefere dar espaço às produtoras "third party" para ocuparem posições de cabeça de cartaz com os seus jogos de modo a que não tenham de lidar com a sombra dos incontornáveis da Nintendo.

Isso foi assim até a Nintendo ter dado conta da falta de títulos no lançamento da 3DS, no ano passado, e que muitos potenciais compradores preferiram esperar mais alguns meses por uma fornada mais apetitosa. Sendo este o tempo para alinhavar uma nova estratégia por onde passa um novo Mario, que não é de Galaxy - esse é de outra orquestra -, vem juntar-se a uma lista que engrossa e que dá mais garantias a quem pensa investir numa nova consola.

Vimos para a versão Wii como é que New Super Mario Bros é uma experiência apontada sobretudo ao multiplayer. O convívio entre quatro jogadores torna o processo individual de plataformas em duas dimensões mais divertido e sobretudo imprevisível. Quase uma corrida sobre quem é que chega primeiro à meta. Um jogo de acção de plataformas como que se transforma numa autêntica batalha. Cada jogador procura com a sua personagem suplantar o outro; recolhendo mais moedas, saltando primeiro a zonas secretas e obtendo "power ups" antes do adversário.

Isto gera um caos interessante, adensa a competição e quebra alguma da monotonia que se instala quando se joga individualmente. Sendo diferente de um Super Mario World ou Yoshi's Island, que se enquadram mais depressa dentro da estrutura central dos jogos Super Mario, New Super Mario Bros U visa proporcionar o mesmo resultado do jogo predecessor, mas agora totalmente adaptado às funcionalidades que integram o GamePad. Em termos de organização para vários jogadores, a grande novidade é a adição de um quinto jogador. Esse quinto jogador torna-se numa peça chave. Pois é ele que vai usar o GamePad para ajudar os camaradas na aventura ou então tornar as coisas mais complicadas.

Isto quer dizer que os restantes quatro jogadores irão recorrer ao Wii remote para passarem os níveis controlando a personagem que escolheram. O quinto jogador, ligado ao GamePad, não comanda uma personagem, antes interage com o ambiente de jogo, criando pequenas plataformas.

A demonstração que nos foi facultada resume-se a três diferentes níveis e servimo-nos dela precisamente com mais dois camaradas de viagem. Enquanto pude usar o GamePad limitei-me a fazer do ecrã táctil uma espécie de criador de níveis. Criador porque desta forma interagimos dentro do jogo, criando um processo que tanto pode facilitar a vida de um colega nosso, como dificultá-la. Imaginem que têm de saltar por cima de um tubo com a planta piranha. Se desenharem uma plataforma quando ela estiver recolhida, a mesma não conseguirá escapar da próxima vez, não podendo morder letalmente a personagem. O caminho fica aberto para seguir em frente. Outro motivo para estreita cooperação tem que ver com a colocação de plataformas em modo escada para que uma personagem possa pular até ao topo de uma zona secreta.

Imaginem agora quatro jogadores em ação simultânea, estando um quinto jogador a desenhar pequenas plataformas. Teria de existir uma limitação neste exercício. Assim, só podemos desenhar até um máximo de quatro plataformas e se fizermos uma quinta a última das quatro existentes apaga-se. Não fosse este o modo e seria impraticável. Por outro lado, o jogador que se serve do GamePad nem necessita de acompanhar a ação pelo televisor. O ecrã instalado no GamePad proporciona a mesma perspetiva. É como se tivessem o televisor em mãos. É nesta altura e a partir de todo o colorido que emana daquele generoso ecrã que sentimos como a Wii U, mais precisamente o GamePad, é algo de especial.

Infelizmente a demonstração não permite mais funções do que esta, desenhar plataformas. A Nintendo terá optado por revelar apenas uma das funções à disposição do jogador que assume o GamePad. Espera-se que na versão final do jogo seja possível fazer outras coisas e manipular ainda mais o ambiente de jogo.

"É nesta altura e a partir de todo o colorido que emana daquele generoso ecrã que sentimos como a Wii U, mais precisamente o GamePad, é algo de especial."

No que respeita ao comando das personagens dentro dos parâmetros normais, o objetivo por enquanto passa por recolher moedas, power ups e sobreviver para se cortar a meta em primeiro lugar. Mario poderá usar desta vez o fato de esquilo que lhe permite sobrevoar o nível por mais algum tempo. Resta saber que outros "power ups" exclusivos terá reservado a Nintendo.

Em termos visuais, New Super Mario Bros U não é muito diferente da versão lançada para a Wii. Pudemos seguir 3 diferentes níveis. Um deles, alusivo a Mushroom Kingdom, está globalmente preenchido em tons de azul e verde, enquanto que o nível seguinte tem lugar numa secção aérea onde o azul predomina e as plataformas, espaçadas, são mais abundantes. Num terceiro nível, a composição noturna dá relevo a outros objetos como estrelas que giram sobre eixo à medida que uma personagem salta sobre uma das suas pontas. É fácil cair delas se o salto não ocorrer no "timming" correcto.

As personagens não são muito grandes e isso deve-se seguramente à estrutura "multiplayer" do jogo de modo a aglomerar quatro personagens. Sendo cedo para ficar com uma ideia mais clara sobre até onde vai este jogo, para já pudemos perceber o funcionamento básico que está a ser dado ao GamePad. O resultado desta demonstração mostra um jogo coeso, bonito e agradável de percorrer. New Super Mario Bros U marca um regresso esperado e aguardado com expectativa às plataformas em duas dimensões. Juntamente com Rayman Legends, o outro jogo do mesmo género em exibição, ficamos optimistas no que respeita a ambas as entradas. Resta saber o que é que a Nintendo está a preparar para a versão final.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.