Dishonored - Antevisão

Já jogámos um dos jogos mais surpreendentes da E3.

Corvo Atano é ágil, metódico, rápido, eficaz e quase invisível. Corvo Atano é forte, preciso, com muitos poderes e extremamente letal. Corvo Atano é uma das personagens mais interessantes que temos visto recentemente nos videojogos. Não porque tem uma personalidade profunda, ou que tenha muito para contar. Não, Corvo Atano é simplesmente uma personagem interessante, que dá gosto "conduzir".

Para quem ainda não conseguiu associar o jogo em causa, estou a falar de Dishonored, a nova PI da Bethesda, ao cargo do Arkane Studios. O portefólio dos principais responsáveis pelo estúdio é invejável, incluindo jogos tais como Half-Life 2, Dark Messiah of Might and Magic e uma participação em Bioshock 2. Dishonored é um projeto ambicioso, que de acordo com a equipa de produção é o jogo que sempre quiseram fazer. Na verdade tudo o resto foi uma aprendizagem que culmina com Dishonored.

Falar de Dishonored é também falar do projeto The Crossing, cujo desenvolvimento foi parado devido a parcos recursos financeiros. Após a aquisição por parte do ZeniMax Media, proprietários da Bethesda, o estúdio voltou a ter a liquidez tão desejada, e Dishonored é um misto de diversos jogos. É perfeitamente natural vermos influências de Half-Life, a arte de Bioshock e as mecânicas de gameplay de The Crossing. Quando tudo é para bem do projeto, porque não pegar em algo já estabelecido e onde o estúdio teve participação direta?

É interessante como Raphael Colantonio, produtor de Dishonored, fala sobre a arte envolvida. Raphael menciona que queriam que cada frame fosse uma pintura. Uma aguarela em movimento. Se olharem com atenção para a arte do jogo isso é logo evidente. Dishonored tem um ambiente estranho, sombrio, mas ao mesmo tempo arquitetónicamente belo, cheio de pormenores que saltam à vista. É um misto de steampunk com Art déco, que rapidamente nos conquistou.

Como referido no início, somos Corvo Atano, um segurança privado que viu a sua vida transformada num autêntico caos quando é acusado de assassinar Empress, o que então protegia. Esta acusação foi manipulada pelo poderoso Lord Regent, e agora é exigida vingança. Enquanto na prisão, Corvo recebe uma visita misteriosa de alguém chamado simplesmente de The Outsider, que lhe oferece uma máscara, tornando-o super-poderoso. Dishonored joga-se como um FPS, mas mistura sabiamente elementos stealth na ação. Aliás, existem duas formas de jogar Dishonored, uma com mais ação, entrando a matar, e com estilo, e outra mais sorrateira, tendo como principal alvo o cumprimento das missões.

Para aqueles que pensam já em mundo aberto, apesar de termos muita margem de manobra Dishonored tem como premissa uma linearidade meio escondida. Temos uma missão e temos que a cumprir, não importa como. Temos a cidade de Dunwall como pano de fundo, onde podemos palmilhar desde as águas sujas dos esgotos até pelos seus telhados. A cidade não tem muita vida, pautada por prostitutas, vagabundos, trabalhadores e soldados. É fantástico ver a mistura de elemento de diversas épocas, onde a tecnologia vive de mãos dadas com um ambiente do século 19 ou 18, onde os cavalos ainda são uma das forças de transporte.

Na demo presente na feira, onde foi mostrada em duas variações (stealth e mais ação), tínhamos que matar dois irmãos, os Pendleton, dois políticos corruptos que se encontram numa casa de banhos (bordel claro), chamada de Golden Cat Bathhouse. Este bordel é frequentado por altas patentes e por isso a presença de guardas na porta e anteriores é uma constante. Corvo tem para além do uso da espada ou punhal (que poderá ser melhorado com o tempo) na sua mão direita, pode manusear armas de fogo com a mão esquerda e poderes.

Foi referido que a espada na mão direta é fixa. Não podemos por exemplo usar uma arma de fogo na mão direta e ao mesmo tempo poderes. O acesso aos poderes é feito por intermédio de um menu em forma de roda de inventário. Este é um dos aspetos que jogando com o comando (não testei com a versão PC) torna as rotinas de troca de poderes algo chato e quebra a ação. Na realidade podemos adicionar atalhos ao D-pad, quatro na sua totalidade, mas quando temos que utilizar poções de cura, armas e poderes, os quatro atalhos tornam-se poucos. No PC seria interessante termos os atalhos diretos por uso de diversas teclas, e não apenas uma troca de arma de forma rotativa.

A estratégia em Dishonored passa pela análise do terreno e pormenores tais como animais. Existe um poder que é a possessão, que durante um período de tempo poderemos manipular um animal ou humano a nosso favor. Na demo vimos isso acontecer por entrarmos dentro de um peixe, e assim pudemos passar por um tubo de esgoto e aparecer dentro da casa. Noutra situação, no assassinato de um dos irmãos, usamos um deles para o deslocar até à varanda e o matar lá. É interessante que poderíamos por exemplo cometer um suicídio, mas antes do político chegar ao chão teríamos que poder saltar para um local seguro, senão também morríamos. Este poder poderá ser usado em sentido inverso, por exemplo atirarmo-nos de um sítio alto e quando chegarmos quase ao chão saltar para dentro de alguém que está ao nível da rua.

Outro dos poderes é a paragem do tempo e manipulação de objetos e pessoas. Este é um dos meus favoritos pois abre um enorme leque de possibilidades, como por exemplo matar alguém com o seu próprio tiro por simplesmente deslocar o inimigo. Temos depois o vento, que é excelente para afastar os inimigos quando estão em grande quantidade à nossa volta.

"Os enormes Tallboys, que transpiram por todos lados inspiração de Half-Life. Só pode ser algo de bom."

Ainda temos o poder de ver através das paredes onde se destaca a perceção do ângulo de visão de cada pessoa, ou ainda a teleportação, que longe de ser um poder que faz desaparecer o jogador de X lugar para aparecer em Y lugar, é mais um voar de forma rápida e invisível. Tive o sabor amargo desta experiência quando quis passar entre uma corrente elétrica, pois se fosse teleportação não havia o risco de morrer eletrocutado. Todos estes poderes são limitados a uma barra de energia azul, que é o medidor para cada poder. Algo tipo mana nos RPGs clássicos. Esta barra regenera-se automaticamente, por isso temos que usar sabiamente os poderes, conjugando sempre com armas de fogo e espada.

A Golden Cat Bathhouse é tudo aquilo que possa imaginar. As meninas a tomar conta dos rapazotes e a combinarem entre si o que fazer e a quem se dedicar primeiro. O primeiro Pendleton foi morto dentro de uma sala de sauna, onde abrimos ligamos um tuba de gás às condutas, mas não antes termos trancado a porta por fora. Esta morte foi um momento estranho, pois em vez de estar nu ou de toalha, o político estava vestido de fato, nada prático para estar numa sauna. O segundo Pendleton foi conforme já descrito em cima, na varanda do se próprio quarto. Corvo sai sorrateiramente usando uma menina de rua e refugia-se na escuridão da cidade.

À partida tudo muito simples, pelo menos a missão em si. A grande questão está na dificuldade da missão usando as duas vertentes, quer Stealth quer mais ação. Se formos pelo Stealth então preparem-se pára e arranca, de estarmos sempre escondidos, de analisarmos as rotinas e conversas dos guardas. Uma falha e temos um batalham de guardas à nossa procura.

Por último não queria deixar de falar sobre os enormes Tallboys, que transpiram por todos lados inspiração de Half-Life. Só pode ser algo de bom. Estes gigantes metálicos são conduzidos por soldados e têm um enorme poder de fogo. Temos que usar diversos poderes para os poder destruir, na melhor das hipóteses a possessão, virando-se um contra o outro, e em seguida o poder do vento para deitar abaixo ou os desequilibrar.

Dishonored é um videojogo que encanta desde o seu início. A sua arte, o gameplay e nível de complexidade e exigência em termos de usarmos sabiamente os recursos, é algo a destacar. Por outro lado, às vezes esta complexidade aliada aos comandos parecem bloquear a jogabilidade, pois temos que rapidamente alternar de poderes e armas, o que não é abonatório em locais apertados e cheios de soldados.

Ainda existe muito para explicar sobre o jogo, nomeadamente mostrarem mais locais, analisarmos a história como um todo e não apenas o que vimos, que foram missões escolhidas sem termos uma base de enredo principal. Dishonored é assim um dos jogos que mais espero para este ano e será lançado no dia 12 de outubro para a Xbox 360, PS3 e PC.

Salta para os comentários (4)

Sobre o Autor

Jorge Soares

Jorge Soares

EG.pt Master of Puppets  |  eurogamerpt

Sempre ocupado e cheio de trabalho, é ele quem comanda e gere a Eurogamer Portugal. Queixa-se que raramente arranja tempo para jogar, mas quando está mesmo interessado num jogo, lá consegue arranjar uns minutos. Tem mau perder e arranja sempre alguma desculpa para a sua derrota, mas no fundo, é o que todos fazemos.

Conteúdos relacionados

Tentam imaginar como será a Nintendo Switch Pro

Este conceito é o melhor que vimos até agora.

Editora de GTA quer cobrar €79,99 em jogos com muito valor

Começou com NBA 2K21 e vai continuar no futuro.

1 mês de PlayStation Now está com 50% de desconto

Menos de 5 euros para aceder a mais de 700 jogos.

Também no site...

Tentam imaginar como será a Nintendo Switch Pro

Este conceito é o melhor que vimos até agora.

Editora de GTA quer cobrar €79,99 em jogos com muito valor

Começou com NBA 2K21 e vai continuar no futuro.

1 mês de PlayStation Now está com 50% de desconto

Menos de 5 euros para aceder a mais de 700 jogos.

Comentários (4)

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela tua contribuição!

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários