Fable Heroes - Análise

O recreio chegou a Fable.

Fable Heroes é um título curioso logo pelas suas origens, começou como uma "brincadeira" que um grupo de produtores da Lionhead explorou, foi depois apresentado durante o chamado "Creative day", um dia que a Lionhead reserva para que qualquer membro do estúdio possa apresentar as suas ideias, e acabou por receber luz verde do estúdio, que encarregou um pequeno grupo de cinco pessoas com a responsabilidade de tornar Fable Heroes uma realidade, num projeto modesto para o Xbox Live Arcade.

Esqueçam tudo o que se lembram dos jogos anteriores da série Fable, destes, Fable Heroes retira apenas o nome e algumas referências. Este spin off é uma obra completamente diferente, que adapta os locais e personagens da série para um mundo animado com bonecos em miniatura e uma serie de níveis organizados num mapa que se assemelha a um jogo de tabuleiro.

É desenhado para ser jogado cooperativamente, funciona como um hack-and-slash que parece uma mistura de "Power Stone" com "Streets of Rage", mas demasiado simplista, competentemente animado, mas sem nunca se assumir fora de um breves sentimentos de nostalgia quando percebemos uma referência à série. O controlo dos bonecos não parece natural, eles são algo desajeitados e inicialmente (antes de upgrades) são terrivelmente lentos.

Os bonecos são basicamente retirados da história de Fable. Os fãs da série devem-se lembrar dos colecionáveis que representavam os principais heróis de Albion, a ideia em Fable Heroes é representar como as crianças de Albion teriam brincado com estes bonecos. O jogo não me pareceu completamente direcionado para crianças, mas nota-se claramente que teve este público em conta.

Percorremos os níveis, também eles inspirados em locais da série, com um grupo de quatro bonecos com habilidades distintas. A ação é tremendamente simples, um botão para um ataque convencional, outro para um ataque lento mas mais poderoso e toneladas de inimigos e objetos para destruir, num autêntico festim de "Button mashing". É um sistema fácil de aprender, mas que nunca adiciona profundidade e se torna rapidamente repetitivo.

É quase redundante afirmar que é muito mais divertido se jogado na companhia de amigos, ou mesmo online na companhia de estranhos, tudo menos jogá-lo sozinho. Vou já explicar a razão de ser tão fundamental não o jogarem sozinhos (ou com npc's neste caso), mas primeiro tenho que referir a introdução de diferentes caminhos nos níveis do jogo, encruzilhadas onde temos que escolher um lado entre dois cenários dicotómicos, uma pequena homenagem ao sistema de escolhas que marca a série Fable.

Cada caminho conduz-nos ou a um boss final, ou a um mini jogo. Do que vi, os mini jogos são bem mais divertidos que os bosses, afinal, depois de 10 minutos a carregar num botão indefinidamente para derrotar todo o tipo de inimigos, tudo que não queremos é ter que passar os próximos 10 a fazer o mesmo num inimigo maior. Rematar galinhas para golo numa "baliza" da nossa cor parece-me muito melhor.

A progressão das personagens funciona num autêntico jogo de tabuleiro, os jogadores rolam dados e avançam pelas várias casas, onde por sua vez podem comprar vários tipos de "upgrades" que tornam a personagem mais poderosa. Para comprar estes "upgrades" precisamos de moedas, e para ganhar moedas temos que completar os níveis. Estas moedas são recompensa de praticamente tudo que é destruído pelos níveis, na apenas dos inimigos.

"O jogo pode ser uma experiência torturante jogado sozinho."

Na sua génese, Fable Heroes é um ciclo de "grind", nada mais do que isso. Repetimos níveis para ganhar moedas, que depois gastamos em "upgrades" no tabuleiro, e que nos tornam mais eficientes a repetir os níveis para ganhar... mais moedas. A parte curiosa, e voltando à história de ser imperativo não jogarem Fable Heroes sozinhos, é que o jogo se torna numa "criatura" totalmente diferente assim que os jogadores percebem que apanhar moedas é mais importante que derrotar inimigos.

Não interessa quando dano dão, quantas vezes salvam o dia, quantos ataques bloqueiam, a única coisa que importa são as moedas… e agora todos sabem, bem, todos menos o "computador", e é exatamente por isso que o jogo pode ser uma experiência torturante jogado sozinho, ou uma competição caótica e imensamente divertida com outras pessoas. Mesmo as próprias mecânicas dos níveis são pensadas para o jogo cooperativo, os baús espalhados um pouco por todo o lado, uns escondem recompensas, outros um efeito (buff) bom ou mau para um membro da quadrilha escolhido aleatoriamente.

A aleatoriedade dos dados pode tornar a progressão das personagens muito demorada, e se quiserem subir todas as personagens o jogo apresenta um total de 12, incluído as que vamos desbloqueando. O curioso é que duas delas não são acessíveis, pelo menos não até jogarmos Fable: The Journey. Coisas do marketing suponho, enfim. Pelo menos parece que nos vão deixar utilizar o gold (as tais moedas) que acumulamos em Fable Heroes, em The Journey, até fiquei curioso para ver qual será a proporção.

É inegável que Fable se tornou um dos grandes nomes ligados à marca Xbox, e isto deveu-se fundamentalmente ao seu mundo de fantasia muito rico, aliado à profundidade da sua estrutura. Fable Heroes é o oposto disto, e por isso pareceu-me uma pobre utilização do nome. Acaba por ser um título que apesar de estruturado com muito replay value, não oferece profundidade para desafiar o jogador a continuar e avançar, goza de algumas boas mecânicas, mas não tem personalidade e torna-se aborrecido rapidamente.

5 /10

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Sobre o Autor

Aníbal Gonçalves

Aníbal Gonçalves

Redator

MMOs e RPG são com o Aníbal. Aliás existe um rumor na redação que a sua primeira casa é o World of Warcraft. Mas às vezes também o vemos a fazer uns exercícios. Não é mau de todo.

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