Awesomenauts - Análise

Mistura de ambientes familiares.

Permitam-me começar por dizer que Awesomenauts acabou por me dar mais do que eu estava à espera de receber, incluindo alguns momentos hilariantes ainda que por motivos estranhos (a música Francesa). A direção da Ronimo é muito inteligente e prova que é possível fazer um bom jogo sem grandes recursos ou características inovadoras. Com Awesomenauts, o estúdio aproveitou algumas mecânicas e formatos de sucesso existentes, e misturou-os num produto final que proporciona uma experiência que transmite uma sensação de novidade, mas que ao mesmo tempo continua familiar.

Saltando imediatamente para a ação sem nenhum conhecimento prévio, Awesomenauts parece um simples "sidescrolling shooter" em 2D tipo Metal Slug. Mas é só depois de um olhar mais atento, que percebemos que estamos no meio de uma batalha numa arena, online, e em multijogador (MOBA), familiar? Não é novidade nenhuma que o género MOBA ou DOTA ou lá o que preferirem chamar, tem explodido em termos de popularidade, muito por causa do sucesso de League of Legends, atualmente um dos videojogos mais jogados do mundo.

Neste sentido, Awesomenauts merece bastante consideração, não só por trazer um estilo de MOBA para as consolas, mas também por conseguir fazê-lo num formato retro, em duas dimensões e com uma estética animada que chega a roçar o absurdo. Quem não quer jogar com um Sapo que rodopia, um sheriff carregado de dinamite, um robot gigante ou um camaleão com uma língua enorme? A estética em estilo "cartoon" do jogo funciona lindamente, e atribui a Awesomenauts uma personalidade própria enquanto garante que o jogo corra a uma framerate aceitável, pelo menos fora do modo em ecrã dividido.

O mapa é mais simples do que estarão habituados num MOBA, com as batalhas a funcionarem em 3v3, com as linhas defensivas em 2 1 1, ou seja, dois caminhos com uma torre de defesa cada, depois apenas um caminho com uma torre e finalmente a base. Como sempre, o objetivo principal é defender a nossa base enquanto desbravamos caminho na direção da base inimiga.

O que torna Awesomenauts particularmente divertido é o facto de ser em 2D, e por isso funcionar de forma bastante diferente de League of Legends por exemplo. As regras básicas são as mesmas, existem pequenas criaturas controladas pela IA que avançam para a base oposta a toda a hora, e que precisamos aproveitar como cobertura para atacar as torres de defesa. A diferença é que existem plataformas e elementos dinâmicos que tornam a ação bastante diferente, mais imprevisível e imensamente divertida enquanto saltamos de plataforma em plataforma.

Cada personagem tem o seu próprio conjunto de habilidades, muitas delas clássicas dos MOBA e por isso familiares logo à partida para quem conhecer bem o género. Inicialmente apenas temos acesso a três, com outras três disponíveis para desbloquear, no entanto, estão prometidos mais heróis e habilidades em conteúdo futuro. Cada herói tem os seus pontos fortes e pontos fracos, por isso encontrar uma boa sinergia entre os três elementos da equipa representará um aspeto muito importante para os mais competitivos.

Os mapas assumem sempre a mesma estrutura base, mas têm alguns elementos engraçados para adicionar possibilidades e diferentes abordagens aos jogadores. Um exemplo disto mesmo é um verme gigante que aparece do chão para devorar quem estiver na área depois de um dos jogadores carregar num botão colocado por cima de uma pequena plataforma. Na zona onde o verme ataca está uma quantidade apetecível de Solar, basicamente a unidade monetária do jogo, e por isso passei grande parte dessa partida escondido, à espera do primeiro guloso que se aproximasse para poder ativar o botão.

A micro progressão, ou se quiserem, a progressão individual dentro de cada partida, é um aspeto fundamental nos MOBA, e neste caso funciona em dois campos, o nível do herói em cada batalha, e os objetos que consegue comprar com o dinheiro acumulado (Solar). Os "Solar" são umas moedas de forma quadrada que podem ser utilizados na "store" para comprar upgrades adicionais para a personagem. Ganhamos solar eliminando inimigos e completando objetivos dentro da arena, mas também apanhando vários espalhados pelo mapa, a começar logo pelo momento em que a nave mãe nos larga dentro de um foguete em direção à arena de combate.

"O que torna Awesomenauts particularmente divertido é o facto de ser em 2D, e por isso funcionar de forma bastante diferente de League of Legends por exemplo. "

Este sistema não tem a profundidade de DotA ou LoL, mas permite bastante flexibilidade no setup que queremos para a personagem. Cada batalha pode ser dramaticamente diferente apenas dependendo do que compramos para o herói. Cada "upgrade" permite fazer coisas como adicionar um efeito especial a uma das habilidades, ou até para aumentar a velocidade ou vida do herói. Se alguma vez jogaram um MOBA este esquema será imediatamente familiar, mesmo a localização da loja é igual, colocada na nossa extremidade do mapa e acessível através de um "teleport".

À primeira vista a ação parece ser frenética, mas rapidamente nos apercebemos que devemos ser cuidadosos para conseguir vencer. Isto vem bem ao estilo dos MOBA mais tradicionais, onde fugir é também uma verdadeira arte, saber distinguir o momento exato para recuar é muitas vezes mais importante do que atacar. Mas não é só isso, qualquer equipa competitiva sabe esperar pelo momento em que já comprou determinado conjunto de "upgrades", e mais importante ainda, sabe adaptar o seu setup à equipa adversária.

Como comecei por dizer, este é um género nada comum nas consolas, e apesar de se adaptar lindamente ao comando, poderá passar despercebido aos mais dedicados e competitivos jogadores deste género. O "meta game" é também ainda bastante curto, e isso é um problema que apenas irá atenuar com o tempo, e dependendo do apoio que a própria comunidade de jogadores der ao jogo. Tem claro, pouco valor de produção, é um jogo pequeno, que inicialmente se parece mais com uma experiência arcade típica dos anos 80, do que com o MOBA atual que é.

Em suma, gostei imenso de Awesomenauts, é certo que sou fã do género, assim como dos velhinhos sidescrollers, mas julgo que o jogo vos proporcionará várias sessões de diversão se lhe derem a oportunidade. Podem testar uma versão trial, e depois se gostarem o preço final é bastante razoável. É o primeiro MOBA side-scrolling, com todos os elementos que marcam o ambiente competitivo do género, aliados a um estilo cartoon com personalidade própria, com profundidade suficiente para se tornar num jogo em que queremos investir, e não apenas desfrutar.

7 /10

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Sobre o Autor

Aníbal Gonçalves

Aníbal Gonçalves

Redator

MMOs e RPG são com o Aníbal. Aliás existe um rumor na redação que a sua primeira casa é o World of Warcraft. Mas às vezes também o vemos a fazer uns exercícios. Não é mau de todo.

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