Syndicate - Análise

Reboot não tão brilhante como o original.

Lançado originalmente em 1993, Syndicate era um jogo de estratégia em tempo real produzido pelo mítico estúdio Bullfrog, de Peter Molyneux. Naquela época foi altamente aclamado pela sua temática futurista, elevada brutalidade nos combates entre agentes como nunca nada igual tinha sido visto. Posteriormente, recebeu duas expansões prolongando a experiência do jogo original. Mas depois, Syndicate caiu no esquecimento e a marca nunca mais foi utilizada, até agora.

A Electronic Arts decidiu que era altura para revitalizar Syndicate. No ano passado Deux Ex: Human Revolution provou que nunca é tarde para regressar em grande ( embora Syndicate seja mais antigo que Deus Ex) e que a temática futurista tem margem de manobra para grandes estórias e jogabilidade incrível cheia de tecnologias capazes de coisas que apenas são reais nos nossos sonhos.

O potencial de Syndicate é enorme. Passaram-se 19 anos desde o lançamento do original e a evolução dos videojogos nesse período foi imensa. É sempre curioso ver como um jogo lançado há anos atrás é transportado para a atualidade, principalmente um título de estratégica como Syndicate, que utilizava uma perspetiva isométrica, não muito comum hoje em dia.

Para realizar a tarefa da produção do reboot a Electronic Arts escolheu os estúdios Starbreeze, que nos trouxeram The Chronicles of Riddick e The Darkness. Num passo que muitos consideram natural a seguir, o jogo foi transformado num Syndicate FPS. O original era um jogo de estratégica, mas o género está fortemente associado ao PC e tem vindo a perder popularidade entre as massas para os shooters, pelo que esta decisão faz todo o sentido.

Syndicate leva-nos para o cenário futurista do ano de 2069. A tecnologia evoluiu de tal forma que é possível implementar chips nos humanos aumentado as suas capacidades e transformando-os em maquinas assassinas sem qualquer tipo de sentimento. Os países e respetivas fronteiras deixaram de existir, as potencias mundiais são agora mega-companhias, sem qualquer tipo de escrúpulos conhecidas como "Syndicates", que competem entre si pelo domínio global.

Kilo é um dos agentes dessas companhias, a EuroCorp, e é quem controlámos ao longo da campanha, que em grande parte resume-se numa busca por uma cientista da EuropCorpo que foi raptada por uma companhia rival. Na parte final há uma revelação que diz respeito ao protagonista, mas tirando isso, a estória é uma grande desilusão. As personagens são desinteressantes e não há uma tentativa para desenvolve-las mais. E quando digo estória, estou a ser simpático, porque na verdade quase não não há uma estória.

As várias missões são ligadas por um pequeno briefing da voz artificial que Kilo tem na cabeça graças ao seu chip Dart 6., e que não são o suficiente para que a estória ganhe relevância. O jogo também falha em dar a conhecer uma visão vasta de como é o mundo no ano de 2069, decorrendo sempre em ambientes fechados que não nos dão verdadeiramente a conhecer como é o futuro. Para mim um dos maiores interesses em jogos futuristas é ver como evoluíram as grandes metrópoles e como o quotidiano das pessoas mudou com o progresso da tecnologia, e Syndicate falha imenso nesse aspeto.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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