Reality Fighters - Análise

O Mestre do Karaté está manco.

A PlayStation Vita está quase a chegar à Europa e nas prateleiras das lojas a Sony trabalhou muito para ter o catálogo mais diversificado e forte alguma vez presente no lançamento de uma consola. No entanto, tal empenho não evita que mesmo assim existam alguns pontos danificados na sua muralha e se os jogadores vão ter grandes produtos por onde escolher, algum deles tinha que ficar com a palha mais pequena e ir para o cantinho da vergonha. Sim, a forma severa com que introduzo Reality Fighters certamente não abona nada a seu favor, mas não podemos pedir muito mais de um título que apenas pretende diversão descomprometida, ou podemos?.

Como já vem sendo tradicional no lançamento de um sistema, existem sempre jogos que são quase como que experimentais e raramente são aqueles que conseguem consistência para transcender a algo superior acima da banalidade. Todos os lançamentos dão-nos jogos que mais tarde são esquecidos e que existem para solidificar a diversidade e para destacar os verdadeiros blockbusters. Reality Fighters não é o primeiro produto da Novarama com o qual tenho contacto e na verdade a série inVizimals é certamente um caso à parte, com uma qualidade acima da média.

As capacidades de Realidade Aumentada são o maior ponto aqui presente, mais do que Miyagi o mestre de Karate Kid, mas não vão mais além do que o uso da câmara para fazer do nosso dia-a-dia o palco para os combates que vamos travar. As personagens surgem sem grande destaque, mas aqui os cenários são limitados pela nossa imaginação e criatividade. Podemos apontar a Vita para qualquer parte do mundo que nos rodeia e criar a arena para os cómicos confrontos nos quais vamos participar. Existem cenários pré-definidos que podemos desbloquear cujo tamanho é considerável e oferecem uma boa variante quando as condições ao redor não sejam as mais emocionantes.

O modo história é o palco principal para os eventos e provavelmente é aqui que vão passar o vosso tempo. Ao travar os combates face a inimigos que se vão sucedendo após a apresentação do mestre do karaté, e ao mesmo tempo isto serve como história para o lutador criado pelo jogador, podemos adquirir novos itens para personalizar a nossa personagem. Existem bastantes possibilidades para dar largas à criatividade, mas face a personagens completamente genéricos, rapidamente ficamos a perguntar qual é a motivação. Tradicionalmente essa motivação vem do aprofundar da destreza do jogador no combate ou a utilizar diferentes personagens com diferentes estilos de luta.

Existem vários por onde escolher, muitos deles têm que ser comprados com as estrelas que ganham ao vencer combates. Caso prefiram algo diferente podem sempre investir tempo no modo livre, treinar os vossos métodos de abordagem ao combate, enfrentar o relógio (não no sentido literal) ou então lutar em modo sobrevivência. Com os diversos estilos de combate entre os quais escolher e ainda a possibilidade de deixar de lado o esquema clássico de controlo em prol de controlo por toque (usando o painel traseiro e o ecrã frontal) Reality Fighters mostra rasgos de diversão mas cedo cai na monotonia.

"As capacidades da Realidade Aumentada são o maior ponto aqui presente".

Quando estamos perante um jogo de luta do mais leve que podem encontrar, no qual usar diferentes estilos de combate é uma curiosidade, sem qualquer sensação de profundidade ou qualquer curva de aprendizagem para nos motivar, apenas temos que martelar os botões e esperar que por magia o próximo combate seja diferente do anterior. Pouco existe para cativar o jogo a longo prazo e Reality Fighters não consegue conquistar uma personalidade para si. A única forma de contornar isto está mesmo nos modos multijogador e caso consigam encontrar alguém com o jogo, podem tentar obter alguma variação e desafio a valer.

Tenho sérias dificuldades em encontrar alguém que possa vir a ficar interessado pelo que Reality Fighters tem para oferecer, além da simples curiosidade. Mais facilmente poderia ser encarado como uma demonstração das capacidades da Vita no campo da realidade aumentada, mas mesmo assim o preço exigido deixa-o ainda com menos argumentos. Posso até arriscar a dizer que Reality Fighters é quase banal sem grandes pontos a seu favor mas o mais cruel de tudo é que o jogo não faz nada propriamente de errado, apenas não faz o que é necessário em quantidade ou qualidade suficiente.

Algo no qual Reality Fighters deve ser congratulado é por pertencer ao esforço da SCE Portugal em oferecer o maior número possível de jogos totalmente localizados para Português. É um trabalho que só podemos elogiar e este deveria ser um exemplo a seguir por mais jogos, texto e vozes em Português como opção para os que de tal precisam. É um padrão ao qual a Sony já nos habituou e encaixa bem no bom humor do jogo, especialmente para os mais pequenos.

Reality Fighters nada mais é do que uma demonstração ou curiosidade se quiserem ser simpáticos e mais uma vez ficámos com a ideia que a mensagem que tentaram transmitir ficou perdida devido a facilitismos. Tendo em conta a presença de Ultimate Marvel vs. Capcom 3 no lançamento da Vita, Reality Fighters dificilmente é um produto recomendado. Não temos propriamente elogios de maior que lhe possamos atribuir, mas também fica no ar a sensação de uma tarefa ingrata, um produto que não faz nada realmente de mal mas também faz pouco realmente bem.

5 /10

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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