A Activision disse que os jogos são relacionamentos.

Em entrevista com o VentureBeat, Eric Hirshberg, patrão da Activision Publishing, contou que a forma como interagimos com os videojogos mudou muito nos últimos anos.

"Os jogos são diferentes, porque eles não são descartáveis, não são uma coisa que se faça uma só vez," disse ele. "Eles são mesmo relacionamentos. A forma como interages com um jogo tem muito mais em comum à forma como tu interages com o desporto que tu adoras, ou com um passatempo que tu gostas, do que a forma como vês um filme, em que tu o fazes durante duas horas e que depois segues à tua vida."

"Por isso acredito que tudo o que estamos a tentar fazer é olhar para esses comportamentos e mudar a forma como falamos para as pessoas sobre jogos."

A Activision tentou estreitar relações com os seus clientes através de Call of Duty Elite e Call of Duty XP - ambas extensões da marca Call of Duty.

O Elite, que foi lançado no final do ano passado ao mesmo tempo que Modern Warfare 3, é um prolongamento online da experiência Call of Duty, oferecendo vídeos tutoriais, estatísticas e, para aqueles membros que pagam, oferece acesso em primeira mão a conteúdos descarregáveis a um preço mais baixo.

Enquanto que o XP trata-se de uma convenção de Call of Duty que atrai milhares de jogadores. É o lar para torneios, anúncios e outro tipo de coisas.

"Se olharmos de um determinado ponto de vista, tanto o Elite como o XP, são uma espécie de experiências em como as pessoas estão dispostas a entrar num relacionamento verdadeira com um jogo que elas gostam," disse Hirshberg.

"Pensar de forma diferente do que algo que tu compras uma vez num ano, pensar em algo mais como tu fazes durante o ano todo. Ou fazes, no caso do XP, como uma espécie de pedaço de estilo de vida de entretenimento."

"Por isso penso que ambos apresentam potencial maior do que as pessoas pensam que os jogos têm, eles tornam-se nesse tipo de coisas que marcam as vidas das pessoas."

Hirshberg descreveu esta mudança de jogos como marcas, como uma mudança de mentalidades.

"As pessoas não têm qualquer problema em pensar desta forma sobre os produtores de outros sectores," disse ele. "Penso que ninguém vai dizer quanto tu compras um produto da Apple, que estás apenas a comprar um pedaço de um dispositivo eletrónico. Estás também a comprar um pouco do sistema de crença da Apple, um emblema da tua criatividade, um design que vai ao encontro da tua estética. O mesmo se passa com os sapatos da Nike ou das mais diferentes marcas de bebidas."

"Noutras categorias, existem todos os tipos de marcas que têm um significado para além do produto em si. Isso não tem acontecido com os jogos, mas eu acredito que possa acontecer, e algum do trabalho que fizemos em Call of Duty e algumas das abordagens que tomámos em Skylanders mostram isso."

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Luís Alves

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