Artigo - Minecraft

A imaginação é infinita.

Como sou o viciado em Minecraft aqui da redação, coube-me a "árdua" tarefa de poder falar sobre este fantástico universo sempre em crescimento. Pois bem, permitam que comece por dizer, este artigo não tenciona ser uma análise. Aliás, Minecraft é um daqueles exemplos que evidenciam que as análises de videojogos assentes nos critérios clássicos (tecnologia, estética, mecânicas e história) podem ser tremendamente limitadas para auferir o real valor da experiência interativa. Que classificação teria Minecraft no campo dos gráficos? E da narrativa?

A minha intenção principal ao longo dos próximos parágrafos, passa por olhar alguns dos elementos simples mas absolutamente geniais, que estão por detrás do monstruoso sucesso do jogo criado por Markus "Notch" Persson. O game designer Sueco que quase sem meios para divulgar ou distribuir o seu jogo, se tornou numa autêntica celebridade dentro da comunidade "gamer", e um milionário com apenas 30 anos. Se existem exemplos de sucesso dentro dos jogos indie, Minecraft é sem dúvida um dos maiores. O jogo esteve em estado Alpha e Beta durante vários anos, e cresceu imenso graças ao feedback da comunidade, isto representa um exemplo para a indústria em geral, ouvir os jogadores é das lições mais importantes para um designer.

Melhor que experimentar, é criar para experimentar:

A esta hora provavelmente todos os nossos leitores conhecerão o funcionamento básico de Minecraft, um imenso "sandbox" de blocos que podemos destruir e reordenar à nossa vontade. Existem dois modos de jogo principais, Creative e Survival, e ambos podem ser jogados individualmente ou em modo multijogador. O modo Creative é mais um brinquedo virtual do que um jogo, e por isso houve quem dissesse que Minecraft nem sequer deveria ser considerado como um videojogo por assim dizer. No entanto, basta uns minutos no modo Survival, a joia da coroa na minha opinião, para percebermos que sim, minecraft é um jogo, um exemplo de escolha, tensão e liberdade criativa. E sim, com desafios, frustrações e recompensas à mistura, mas já lá vamos.

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A minha pirâmide.

Em grande medida Minecraft é uma lição para os videojogos modernos no campo da criação de níveis (level design). Logo que iniciamos um jogo, somos largados dentro de um mundo gigantesco criado de forma aleatória, e composto por blocos de vários tipos e materiais. Existem desertos, florestas, cavernas, pradarias, montanhas, neve, lagos, oceanos, e até aldeias e minas abandonadas para explorar. Estas zonas são compostas pelos seus blocos particulares e pela sua fauna característica. Existe uma beleza estética particular nestes gigantescos mundos montados em blocos quadrados, mas este é apenas o ponto de partida em Minecraft, logo de seguida, o poder passa para as mãos do jogador.

"Minecraft não tem qualquer tipo de tutorial, nenhuma indicação sobre que direção tomar, nada."

Temos basicamente duas habilidades fundamentais, criar (colocar um bloco), e destruir (retirar um bloco). A responsabilidade de level design fica completamente a nosso cargo, e portanto o jogo é muito mais sobre a experiência que o jogador escolhe criar para si, do que o tradicional experienciar daquilo que o designer construiu para o jogador. É uma dicotomia clássica em game design, dar liberdade para que o jogador jogue à sua maneira, ou constrangê-lo para controlar a experiência. O modo de jogo Creative é centrado completamente nesta componente, temos acesso a topo o tipo de blocos e objetos, e o único objetivo é criar o que entendermos. O poder criativo é algo fundamentalmente humano. O ato de criar algo que anteriormente não existia, pegar num conjunto de elementos e reordena-los de forma a produzir algo novo e fundamentalmente nosso. Outros jogos de sucesso como o Sim City ou Theme Park também assentam nestes conceitos, ainda que com um conjunto muito maior de regras, objetivos mas também limitações.

Sobreviver é a mais básica das necessidades humanas:

O modo Survival é o expoente máximo de Minecraft, pelo menos para mim. Este modo combina todas as virtudes do modo Creative, com uma variedade de elementos que oferecem uma enorme profundidade a Minecraft. A minha primeira experiência com este modo foi sozinho, e só recentemente me juntei a uns amigos num servidor online. É imensamente mais divertido construir uma cidade inteira com os amigos, mas nada se compara ao sentimento que se apoderou de mim a primeira vez que o jogo me largou sozinho no meio de um vasto mundo desconhecido, sem nada para me defender, nada para comer, e a noite a aproximar-se.

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Eurogamer em lapis lazuli.

Sem qualquer tipo de tutorial, nenhuma indicação sobre que direção tomar, nada. O jogo não precisa orientar o jogador, pois existe algo profundamente humano que guia as nossas ações quando iniciamos um mundo neste modo, o instinto de sobrevivência. O nosso ponto de "spawn" é aleatório, mas independentemente da zona onde o jogo nos coloque, o nosso primeiro impulso é explorar a zona envolvente com segurança, enquanto apanhamos os vários tipos de blocos que vamos destruindo com as próprias mãos. Depois, quando percebemos que está a escurecer, construímos um abrigo. A primeira noite será sempre a mais longa, principalmente se não conseguirmos os materiais suficientes para construir uma cama, e é exatamente durante essa primeira noite, que vão descobrir que não estão sozinhos.

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Sobre o Autor

Aníbal Gonçalves

Aníbal Gonçalves

Redator

MMOs e RPG são com o Aníbal. Aliás existe um rumor na redação que a sua primeira casa é o World of Warcraft. Mas às vezes também o vemos a fazer uns exercícios. Não é mau de todo.

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