Artigo - O ano de 2011 em iOS

Do espaço a Arkham City.

O ano de 2011, que ainda agora terminou, foi especialmente interessante para os adeptos dos jogos nos sistemas iOS (iPhone, iPad e iPod). Um dos pormenores mais curiosos para os que se enquadram nesta categoria é que ao pensar nos videojogos que nos acompanharam neste ano é como que ler um diário, pois conseguimos lembrar de momentos, locais, pessoas e situações específicas que se enquadram enquanto jogávamos esses mesmos jogos. Por exemplo, consigo perfeitamente lembrar que determinado jogo me acompanhou numa viagem ou num simples passeio, como a dada altura um específico jogo não me saía da cabeça e o jogava em tudo o quanto era sítio. Tudo isto acaba por ser uma bela forma de recordar um ano tão intenso para as plataformas da Apple que não ganharam apenas protagonismo na indústria como assistiram a um crescente respeito por parte das massas.

Todos sabem que um smartphone é muito mais do que um telemóvel, é mesmo um verdadeiro companheiro e quando existe um esforço para oferecerem experiências com maior profundidade, o jogador só se pode sentir elogiado e entusiasmado até porque de forma alguma a robustez de um jogo vai contra a natureza de um jogo portátil. Pelo contrário, apenas dá força e diversidade a um catálogo e permite ao indivíduo se formar enquanto jogador dentro da realidade da sua plataforma e dos seus gostos. A esse respeito o ano de 2011 foi para os iOS muito rico e diversificado e se por um lado mostrou que pode oferecer experiências ao nível das vistas nas portáteis, por outro mostrou que não há que ter vergonha daquelas pequenas experiências casuais.

Desta forma quero então aqui partilhar convosco esta espécie de diário de bordo de 2011 relacionado com os jogos iOS, um ano que tanta qualidade nos deu e que tão bem pavimentou o futuro para grandes séries e estúdios. Se em 2012 os sistemas iOS vão ser alvo de cuidada e especial atenção por toda a indústria, este ano de 2011 teve muita responsabilidade por tal e como certamente vão notar, não estão presentes aqui muitos jogos de referência e que já se tornaram de culto, aqui apenas estão os escolhidos para me acompanharem. Existem muitos outros mais que poderiam marcar presença mas como não os joguei não os posso referir, quem sabe podem partilhar sobre eles nos comentários e quem sabe alguns dos que estão aqui vos passaram ao lado e assim possam conhecer um pouco mais deles.

Janeiro de 2011 foi certamente um mês interessante para mim enquanto jogador iOS. No final desse mês estava previsto chegar Dead Space 2 e antes uma ponte entre este e o original iria agraciar os sistemas iOS. Era a chegada de mais uma série de renome da EA às plataformas da Apple e ainda por cima numa aventura de ação e terror similar ao que se tinha nas plataformas caseiras. A tentação de optar por um esquema on-rails poderia ser irresistível mas tal não foi o caso e para os fãs da série, e para os que procuram uma experiência robusta e forte, Dead Space iOS é mesmo um dos jogos mais recomendáveis na plataforma. Se Dead Space 2 é um dos melhores jogos do ano nas plataformas HD, Dead Space iOS é um dos melhores jogos iOS do ano de 2011 e passei momentos de grande intensidade.

Dead Space serviu para mostrar que as plataformas iOS tinham grande potencial e que podiam ser muito mais do que estava à espera. Assim sendo, em Fevereiro decidi dar a oportunidade a Infinity blade, o grande fenómeno que por aquelas alturas dava que falar por toda a internet. É o único jogo desta lista que não saiu em 2011 mas foi a grande alternativa que encontrei para passar por um mês no qual Devil May Cry IV: Refrain e Ultimate Mortal Kombat 3 foram dos principais destaques. O jogo da Chair Entertainment, que se tornou numa série iOS de sucesso e que já conta com uma novela escrita, foi mesmo algo impressionante de ver. A sensação de demonstração técnica do Unreal Engine 3 nos iOS e até de demonstração do poder do iPad podem ter sido os principais pontos de referência para muitos mas o certo é que atualmente o vejo como o princípio de uma experiência de jogo cativante e intuitiva.

Visuais fantásticos, uma direção de arte exemplar e uma jogabilidade imediata mas profunda, fácil de assimilar mas possível de conquistar na plenitude pelos mais dedicados, fez com que Infinity Blade se tornasse numa referência e quando lhe chamam o Halo dos iOS não é de admirar, marcou um ponto nas suas plataformas e estabeleceu um padrão qualitativo a vários níveis. Foi uma bela forma de passar o mês de Fevereiro e quando dava por mim a pensar que era estúpido reiniciar a caminhada pelo castelo, a vontade de adquirir dinheiro para novas armas e armaduras ou de ver se a minha técnica de combate havia melhorado ganhava.

Março foi novamente um mês pelo qual aguardei impacientemente pela chegada de mais um novo título, desta vez com a chegada de Final Fantasy III. Depois de o ter jogado na Nintendo DS, foi a curiosidade de o comparar na sua versão iOS que me fez desejar tanto este primeiro passo da Square Enix em 2011 nos iOS. Fora as comparações técnicas, o maior ponto de interrogação era ver como uma experiência RPG à moda antiga se adaptava num iOS e nisto a Square Enix cumpriu e bem ao importar a versão DS renovada para as plataformas Apple. Com valores de produção bem acima da média de um jogo iOS e com uma apresentação que partilha dessa similaridade, FFIII iOS provou novamente que não me tinha que forçar a experiências rápidas e fáceis associadas aos produtos móveis como uma exclusividade. Foi a prova que podemos ter mais e mais profundo sem comprometer.

Também em Março tive o meu primeiro contacto com a aclamada série Angry Birds na versão Rio, mas apesar de o ter adorado, prefiro aqui abordar Tiny Wings, um jogo que me conquistou pela sua simplicidade. Talvez por ser algo diferente do que vinha a jogar ou talvez porque não esperava me apaixonar com tanta facilidade pelas ditas experiências casuais e simples que tanto ouvia criticar, o certo é que Tiny Wings é mesmo um dos meus mais memoráveis jogos de 2011. Mostrou-me como uns visuais simples e coloridos podem servir sem críticas, como uma jogabilidade imediata e simples na qual o simples toque de um dedo é o que se precisa pode ser o suficiente para nos fazer querer jogar um jogo semanas a fio. É um jogo que ainda hoje gosto de jogar e algo com o qual qualquer pessoa se consegue relacionar.

Abril foi também ele especial porque novamente trouxe para os iOS uma experiência vinda das ditas plataformas válidas de videojogos. Cerca de 2 anos depois de ter agraciado o WiiWare da Nintendo Wii, World of Goo chegou aos iOS e tornou-se imediatamente num jogo a testar. Este jogo de puzzles baseados na física faz com que os controlos por toque sejam algo que se sente tão natural e quase nos leva a perguntar se vamos algumas vez querer ter uma experiência similar com outro tipo de forma de controlo. Os visuais simples e coloridos aliados a um esquema de controlo tão simples eram apenas alguns dos elementos de destaque pois o verdadeiro campeão é mesmo a dificuldade e o desafio dos puzzles. Qualquer um que entre neste World of Goo vai-se sentir desafiado e vai sentir um enorme prazer em tal e ter isto numa plataforma móvel é algo de louvar.

Pessoalmente foi também mais uma forma de atestar a capacidade dos sistemas iOS em oferecer jogos de plataformas caseiras com todo um mérito e valor que estas pediam. Foi mais um atestar da sua validade enquanto plataforma de jogos e cada vez mais a relação qualidade/preço dos jogos ganha um estatuto próprio. World of Goo foi um exemplo de como a Apple cada vez mais poderia tornar-se numa parceira válida das editoras bem conhecidas dos donos de consolas caseiras.

Maio foi um mês de alguma calmaria e aqui o destaque foi Gears, jogo lançado no final de Abril mas com o qual só em Maio tive contacto. Gears foi na altura aclamado como um dos jogos iOS do ano até à sua altura e provou novamente que a Crescent Moon Games era, e é, um estúdio com vontade de algo mais e com capacidade para levar mais longe os videojogos nos iOS. Em Gears o jogador tinha que controlar através do toque uma bola. A precisão e a intensidade dos nossos movimentos combinados com o excelente design de níveis fez com que Gears fosse um caso de amor à primeira vista. A perspetiva aérea sobre a acção era mais do que competente e os obstáculos mais do que muitos. Gears é ainda agora um dos jogos que mais facilmente recomendo e um jogo que nos desafia mas nos permite sentir inteligentes.

Com o Verão pronto a chegar em toda a sua glória, Junho é conhecido por ser um mês não muito preenchido em videojogos e apesar da atualmente o panorama estar a mudar, em 2011 não fugiu muito a si mesmo. No entanto, os grandes blockbusters de Verão que chegam às salas de cinema são inevitáveis e este ano foi Thor: Son of Asgard a cumprir a relação videojogo de filme a que tive acesso. Não é especialmente um jogo que recomende, longe de tal, mas foi o jogo que me acompanhou em Junho, o único novo, e apesar da sua qualidade mediana, Son of Asgard serviu para mostrar como um hack'n'slash pode funcionar nos iOS. Pensem em God of War a correr num iOS mas sem qualquer da sua imponência ou escala, com alguma da sua diversão e sem o seu arrebatador design de níveis. Pelo menos serviu como entretenimento oco e passageiro.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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