Trine 2 - Análise

À segunda com três.

Trine 2 é a sequela do aclamado Trine, produto criado pelos Finlandeses da Frozenbyte, que fez furor em diversos serviços digitais em 2009, e tal como o original, a sequela pretende oferecer uma boa dose de fantasia embrulhada em quebra-cabeças altamente flexíveis que desafiam a capacidade de improviso do jogador sem permitir que o incomodem.

Trine 2 pretende ser tudo o que uma sequela deve ser, maior, mais desafiante, mais divertido, mais envolvente, mais competente, mais diversificado e acima de tudo melhor. Perante um jogo tão cativante quanto o primeiro e a comunidade que dele se tornou fã, tal tarefa pode ser ingrata pois de um desconhecido, Trine passou a ser alvo de seguidores cujas expetativas são agora reais e possíveis de serem medidas e comparadas. Apesar de deixar espaço para melhorias, Trine foi algo único e excecional e a sequela tem uma tarefa bem ingrata pela frente.

Trine 2 segue os eventos vistos no primeiro jogo. Os mesmos protagonistas estão de regresso e o artefacto mágico conhecido como Trine reúne o feiticeiro Amadeus com o cavaleiro Pontius e a ladra Zoya para uma nova aventura cuja história é contada através das falas dos personagens enquanto jogamos e de pequenos manuscritos que ocasionalmente encontramos. Tudo envolto em grande fantasia, raros são os momentos em que o jogador perde o controlo da ação, os ecrãs de carregamento são mesmo os únicos momentos de pausa forçada em toda a experiência.

Devo dizer que as falas trocadas entre os personagens, sempre à procura do reforço da sua personalidade e sempre à procura de um bom humor, são dos melhores elementos para incutir um bom ambiente e uma forte personalidade a todo o jogo. O facto de o fazer sem interromper a ação e de igualmente darem seguimento e expressão à história é ainda melhor pois a forma como os ambientes e a história se interligam é igualmente merecedora de apreço.

Trine 2 é um jogo que desde logo nos arrebata e deixa impressionados. O seu ambiente de fantasia e o seu mundo medieval encantado é-nos apresentado com um esplendor visual simplesmente sem igual. É uma característica que herdou do original mas que aqui surge amplificada, Trine 2 é simplesmente lindo de se ver. Desde o esplendor dos efeitos visuais ao design do mundo de jogo, tudo em Trine 2 surpreende visualmente. A arquitetura dos seus cenários, os animais, as cores, a flora e a fauna, tudo parece ter saído de um belo livro de contos de crianças e a Frozenbyte volta novamente a estar de parabéns. A melhor qualidade visual em termos técnicos apenas serve para representar melhor o mundo imaginado por estas mentes que bem podem estar orgulhosas de si.

O primeiro capítulo surge dividido em três fases distintas que nos colocam no controlo individual de cada um dos protagonistas. É uma forma de nos apresentar um tutorial e ao mesmo tempo de nos mostrar a situação em que se encontra cada um deles. Após isto temos então o esquema Trine básico, controlamos um personagem sendo possível a qualquer momento alternar entre eles e é aqui que percebemos que Trine 2 junta essência e profundidade ao seu aspeto visual. Trine 2 é um jogo de ação e aventura side-scrolling no qual o ênfase na resolução de puzzles é enorme e esta componente é mais do que glorificada, é um aspeto vital na fórmula Trine.

Cada personagem tem habilidade próprias e específicas: Amadeus pode criar objetos como caixas ou placas para ajudar o jogador a resolver puzzles ou progredir pelos cenários, Pontius é simplesmente essencial para as lutas contra os Orcs que nos vão tentar travar e Zoya pode recorrer ao seu grapling hook para alcançar pontos de outra forma inalcançáveis e usa o seu arco e flecha para travar os inimigos. Alternar entre os personagens é essencial e apesar de ser possível resolver os puzzles individualmente com cada um, o seu uso combinado é chave essencial para uma saudosa progressão. O sistema de checkpoints é amistoso e podemos recorrer a ele para "ressuscitar" um personagem e podemos gravar o jogo em qualquer ponto, o que retira um pouco do impacto de um possível desafio mais acentuado, mas mesmo assim Trine 2 não hesita em desafiar o jogador.

Existem puzzles que a simples criação de uma caixa resolve, para podermos subir mais alto, mas outros são mais expansivos e estendem-se a quase todo o cenário para podermos progredir. Os personagens tem habilidades que podem ser melhoradas e novas que podem ser compradas e através de um desafio que vai surgindo em crescendo, cabe a cada um personalizar a sua experiência, algo que surge quando o jogador se familiariza mais com determinado personagem e o decide usar mais tempo. Acaba por surgir quase naturalmente e quando o jogador dá por ela já está melodiosamente a progredir em alternância entre secções de plataformas, combate e puzzles. Tudo em grande sintonia.

A forma como o aparato visual vos conquista e a forma como os puzzles vos captam são elementos simplesmente fulcrais podem são os principais responsáveis para que a experiência Trine 2 vos conquiste. Isto porque Trine 2 pode tornar-se um pouco repetitivo e até demasiadamente igual a si mesmo apenas com um cenário diferente. Apesar da resolução dos puzzles ser altamente liberal, existem várias formas de o fazer e isto realmente se sente como um desafio benéfico para o jogador, em alguns momentos parece que Trine 2 simplesmente deixa de tentar surpreender o jogador, exceto nos gráficos, neste aspeto nunca para de o fazer.

De igual forma, gravar o jogo em qualquer ponto quase que retira o impacto ao excelente uso de checkpoints e apesar de os puzzles não serem contornáveis, os desafios de puzzles baseados na gravidade e em elementos como água e fogo podem perder algum do seu fulgor nos níveis mais avançados. Por outro lado, o único incentivo que o jogador tem para repetir uma campanha que se fica por volta das 7 horas de duração é recolher todos os fracos que permitem adquirir as habilidades. A existência do modo cooperativo é bem-vindo mas também pode servir para banalizar o jogo e cabe ao critério de cada como o interpretar.

No entanto, a soma dos problemas de Trine 2 não chega sequer para fazer frente a tudo o que de bom este título faz. É simplesmente um produto sem igual e que merece ser jogado por qualquer um que se considere adepto de um bom side-scrolling e se adorar o ênfase nos puzzles, então ainda melhor. Tecnicamente espantoso e praticamente irrepreensível, a fraqueza de Trine 2 pode estar no seu maior poder, a primeira experiência é tão espantosa e sente-se de tal forma como algo inédito que o efeito é altamente reduzido quando se repete.

De qualquer das formas vão passar um bom bocado a jogar Trine 2. O esquema de controlos no PC é altamente intuitivo e fácil de assimilar e a sua combinação de visuais encantadores com puzzles desafiantes e flexíveis torna-o recomendável para praticamente todo o tipo de público. Quase tudo o que pretende fazer faz com categoria e apesar de já não ser novidade não perdeu a sua, grande, qualidade.

8 /10

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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