Uma nova ideia da Ninja Theory em DmC foi colocar Dante numa cidade que está a tentar matá-lo e que se transforma em tempo real. Esta novidade foi demonstrada no mais recente trailer, em que vemos de facto a cidade de transformar-se. O que não vi, foi a cidade a tentar matar Dante, e pergunto-me, se este parasse de correr, aconteceria realmente alguma coisa? Ou é apenas um linearidade empregue para o show sem um fim em concreto?

A mudança de Dante para metade anjo metade demónio implica alterações na própria estória de origem de personagem, e estou bastante curioso para ver como a Ninja Theory conseguirá dar a volta a isto. Em declarações à revista japonesa Dengenki PlayStation, o estúdio disse que DmC tem lugar num universo alternativo e que não está relacionado com outro Dante (tentativa de reduzir os danos causados?). Mas isto leva-nos a outro problema. Se a personagem e a sua própria estória é diferente, porque razão dar-lhe o nome "Dante"? O jogo seria bem melhor aceite, e não haveria tanta controvérsia, se este novo Dante fosse uma personagem diferente, assim como Nero em Devil May Cry 4.

Conseguirá fazer frente aos melhores do género?

Lidar com o legado de Devil May Cry não é tarefa fácil, a série sempre esteve entre os melhores do género, e inevitavelmente, DmC será comparado com os melhores do género atualmente. Isso implica estar frente-a-frente com Bayonetta e God of War III. DmC ainda não deu provas que consegue estar a altura desse desafio. O erro em DmC começou logo pela própria escolha do estúdio. A Ninja Theory tem apenas três jogos no seu currículo, dos quais se destacam Heavenly Sword e Enslaved. Ambos são jogos de qualidade, mas a nível de combate ambos deixam a desejar. O cair no esquecimento é outra das particularidades que ambos partilham. Existe uma razão simples para isto, faltou algo de surpreendente. E é deste ingrediente que DmC mais tem falta.

Para além disto, a Ninja Theory parece não conseguir desprender-se de Enslaved ou até mesmo de Heavenly Sword, pelo que se notam várias influencias do jogo em DmC. A mais visível está na palete de cores usadas, que é muito semelhante. Uma desculpa poderá ser o uso do mesmo motor, o Unreal Engine 3, mas quando olhamos para os inimigos, vemos novamente mais semelhanças entre os dois jogos. Por último, a rapariga de DmC aparenta ser uma sucessora espiritual de Trip, não em aparência, mas na sua função. De reparar que nos vídeos de DmC a rapariga diz-nos sempre o que fazer e como fazer, assim como Trip fazia em Enslaved (algo que acaba por se tornar frustrante e reduzir o desafio).

DmC está ainda em produção e a sua data de lançamento está ainda por definir (espera-se que seja no próximo ano), pelo que a Ninja Theory ainda poderá mostrar novidades e surpreender. Contudo, as esperanças para que isto aconteça são cada vez menores. Se DmC não cumprir, os fãs terão que se contentar com a coletânea em alta definição dos primeiros três jogos, que pelo menos, temos a certeza que não são Devil May Cry só de nome.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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