The Legend of Zelda: 25 anos

O herói és tu!

A série The Legend of Zelda cumpre 25 anos de existência e para assinalar a efeméride a Nintendo tem vindo a promover desde o princípio do ano um conjunto de iniciativas, eventos e ofertas junto dos fãs. Com o remake de Ocarina of Time já lançado para a 3DS e com o contador ligado dos dias que faltam até Skyward Sword para a Nintendo Wii, 2011 é o ano Zelda. Mas é também o momento ideal para rever muitos dos grandes momentos que os criadores da Nintendo proporcionaram. Zelda é mais do que um conto, é uma história em que o jogador é o protagonista. Ele pode transformar o mundo e essa é uma das maiores riquezas de Zelda.

A Nintendo quer deixar uma marca de homenagem por estes 25 anos e na última E3 começou por cativar a plateia através de um medley tocado em orquestra na conferência. Nesse evento a Nintendo anunciou ainda que Zelda Four Swords para a 3DS seria colocado na eshop e distribuído gratuitamente como prémio dado aos fãs pela fidelidade dada à série. Neste especial iremos rever os episódios mais marcantes e importantes da série.

O vencedor do passatempo que a Nintendo Portugal em parceria com a Eurogamer PT criaram para levar o leitor mais criativo até Londres no dia 25, foi o Armandao. Será uma oportunidade única para assistir ao concerto The Legend of Zelda 25th Anniversary Symphony.

A lenda favorita

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As dungeons do primeiro Zelda foram verdadeiramente desafiantes.

São muitos os que inscrevem a série Zelda nas preferências, tendo um dos seus jogos como o melhor de sempre. Vimos já nos recentes filmes publicitários para Ocarina of Time 3D como Robbin Williams, o actor norte-americano, se tornou num verdadeiro fã da série depois de descobrir o jogo para a Nintendo Entertainment System. A adesão foi de tal modo mirabolante que o levou a eleger (após uma reunião familiar) o nome da princesa Zelda como nome para a sua filha.

Com Zelda os jogadores cresceram enquanto "gamers", descobrindo os novos episódios como quem lida com algo familiar e que lhes diz mais do que se pode imaginar numa luta por um desfecho positivo da princesa e de Hyrule, o espaço territorial que é também o ponto de partida para a exploração. Zelda detém uma narrativa próxima do conto de fadas e isso torna a descoberta do jogo mais fascinante. As diversas fases do argumento, as mudanças e transformações que implicavam uma readaptação da jogabilidade e o rol de personagens que auxiliam Link mas também os antagonistas, foram alvo de uma imediata afinidade, constituindo peças intocáveis. A dimensão narrativa de Zelda é preponderante e mostra porque é tão admirada pelos fãs. Ainda hoje, os fãs que já penetraram na idade adulta continuam a redescobrir o sentido de Zelda, um jogo que comunica um particular significado de missão e transformação pela positiva do mundo que descobrimos.

Como bem escreveu Leigh Alexander, cronista na revista EDGE, para a edição 232 de Outubro de 2011, "todos os jogos feitos pela Nintendo vigoram em simples conceitos que criam modelos familiares para os fãs, mas a série Zelda em particular opera num arquétipo de história do rapaz que sai de casa pela primeira vez para se tornar num homem, tornando-se mais forte à custa das lições que aprende ao longo da sua jornada, até que ele esteja preparado para dar apoio às pessoas e coisas que gosta". É este enquadramento que funciona como escopo narrativo e que tem sido destacado por Eiji Aonuma - à frente da série há 13 anos -, cuja oportunidade que nos foi dada para o entrevistar na última E3, permitiu-nos conhecer do criador esse mesmo intento. Em Zelda, Link é o herói que se confunde com o jogador, que conversa com ele, que lhe transmite uma mensagem e um comportamento. Tem sido assim.

O herói de espada e escudo

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A Link to The Past deu um contributo para a consolidação dos RPG.

Voltar a 1986, quando a Nintendo lançou The legend of Zelda, significa ir ao encontro de uma realidade bem diferente daquela que hoje vivemos. A indústria estava em recuperação depois de ter ocorrido o "crash" no princípio dos anos 80. Isso foi o resultado de sucessivas produções que não conquistaram a adesão do público e encaminharam a Atari para uma posição à beira da falência, o mesmo sucedendo com outras fabricantes.

O lançamento da Nintendo Entertainment System em 1983 (no Japão chamava-se Famicom - abreviatura de Family Computer) mudaria para sempre o curso da indústria, ainda que alguns responsáveis da Nintendo tenham admitido algum receio quanto ao sucesso da consola fora do continente asiático. A verdade é que chegou ao território norte-americano em 1985 e inicia uma fase de recuperação nas produções de jogos.

Os engenheiros da Nintendo entraram numa fase de grande produção, convertendo alguns êxitos das arcadas para o novo sistema doméstico, ao mesmo tempo que começaram a fabricar novas séries pensando em elementos como acção, exploração e puzzles. Foi então da mente de Shigeru Miyamoto que nasceu The Legend of Zelda em 1986.

O jogo tornou-se famoso no ocidente por ser distribuído sob a forma de um cartucho completamente dourado e com uma pequena abertura na caixa de cartão que permitia ver para o interior. O jogo combinava de uma forma única elementos de acção, aventura, puzzle e role-play. O mapa mundo era extenso, polvilhado de inimigos que tornavam mais complexa e exigente a demanda de Link. Ainda hoje não são muitos os que arriscam jogar o primeiro jogo da série do princípio ao fim sem sentirem um enorme desafio.

Ciente disso, a Nintendo deu uma ajuda e distribuiu para alem do cartucho e do manual com instruções de jogo, um extenso mapa com a solução para as diversas áreas. Selado, continha um aviso expressando que só deveria ser utilizado em situações especiais. O contributo de Legend of Zelda foi essencial no desenvolvimento dos jogos de role-play e consolidou Hyrule como espaço territorial central, para além de estabelecer o herói Link, a princesa Zelda e Ganon o cavaleiro como personagens titulares. Foi através deste jogo que ganhou destaque a imagem do jovem herói que enverga uma indumentária verde e se serve de uma espada e escudo para lutar contra o eixo do mal.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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