O segundo campo principal onde se desenrola a ação são as quests, ou missões se preferirem. Estas estão disponíveis nos npcs que habitam a nossa capital e outras cidades, e são identificáveis por um ponto de exclamação amarelo nas suas cabeças (familiar?). É exatamente durante as missões que o jogo se transforma então no tradicional RTS que todos conhecemos dos títulos anteriores da série. Temos que treinar villagers, colecionar os recursos tradicionais (wood, food, stone e gold), construir edifícios, treinar unidades militares e combater os inimigos enquanto protegemos os edifícios da nossa cidade. Os objetivos das missões variam, desde construir um exército para derrotar um grupo inimigo, colecionar determinado número de recursos, proteger um aliado, aguentar um ataque frenético durante alguns minutos, construir um monumento, etc. Depois de completar o objetivo podemos voltar à nossa capital, entregar a quest e reclamar a recompensa, normalmente um conjunto de materiais, ou/e uma peça de equipamento. No combate durante as missões, as unidades funcionam no clássico sistema de pedra-papel-tesoura, ou seja, um tipo é mais eficiente contra uma determinada unidade, e correspondentemente mais frágil contra outra. O jogo inclui ainda uma opção elite nas missões, aumentando a dificuldade para os jogadores mais experientes, mas elevando também as recompensas no final.

Um dos aspetos que me irritou foi a estranha forma da I.A. se comportar quando controlamos um exército de tamanho "respeitável". Enquanto são apenas duas dezenas de unidades não há problema, e elas atacam os alvos pretendidos. Agora quando por exemplo executamos um ataque em grande escala, sempre que dentro da base inimiga, as nossas unidades pura e simplesmente recusam em obedecer aos nossos comandos e atacam tudo o que estiver à volta de forma aleatória, tornando aquilo que os jogadores de RTS mais experientes chamam de micromanagement, simplesmente impossível.

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Zona reservada para o comércio no império Eurogamer.

Várias missões permitem que joguemos em modo cooperativo, em grupo com um amigo. Apesar de conseguir ser divertido, o jogo não faz grande coisa para incentivar os jogadores a fazê-lo. Primeiro porque é raro que consigamos encontrar alguém do mesmo nível e com a mesma missão por completar. E segundo porque se decidirmos ajudar um amigo de nível inferior ao nosso numa determinada missão, não temos direito a recompensa. Apesar de isto ser o standard dos MMO, num RTS parece particularmente estranho. As missões são a principal fonte de recompensas, o problema é que é fácil ficar chateado depois de completarmos algumas. Muitas das missões até são bastante rápidas, mas obrigam a que façamos aquela fase inicial aborrecida onde temos que treinar villagers e construir a base toda. Depois quando terminamos a missão ficamos sem grande vontade de iniciar outra missão e começar tudo outra vez. Puro grind adaptado a um RTS, pelo menos foi novidade para mim.

A partir de nível seis somos convidados a participar na Spartan arena, na cidade Sparta PvP, em combates de 1v1 ou 2v2. O equilíbrio do sistema de matchmaking para já parece bom, mas ainda é muito cedo para julgar. Apenas podemos participar em ranked pvp se tivermos comprado uma civilização premium, e apenas a partir de nível 25. Neste sentido, se quiserem participar em batalhas competitivas ao mais alto nível, terão mesmo que comprar uma civilização premium.

Em termos globais, o design por detrás deste Age of Empires Online é bastante interessante. Gostei dos dois ritmos completamente diferentes enquanto estamos na capital, em comparação com o tempo que passamos dentro das missões. A diferença entre estes modos tão distintos de jogo permite a alternância entre relaxamento e ação, execução e planeamento, dispêndio de energia e recuperação. Enquanto estamos na nossa capital, passamos o tempo a visitar as cidades de outros jogadores, a gastar o nosso ouro e pontos de império, a planear a posição dos edifícios, a recolher as matérias-primas dos workshops, sempre de forma relaxada. Depois se ficarmos aborrecidos podemos iniciar uma, ou várias das missões disponíveis e mergulhar então numa experiência RTS clássica de Age of Empires, onde o ritmo de jogo é mais frenético.

Como em qualquer MMO, o mundo é persistente, neste caso particular, positivamente persistente. Ou seja, continuamos a ganhar recursos com o jogo parado, os outros jogadores podem continuar a visitar nossa capital e comprar nas nossas lojas, mas felizmente não a podem atacar. Assim, não existe o perigo de voltarmos ao jogo um dia só para encontrar a capital em ruínas. Adicionalmente é curioso notar que apesar de ser um jogo online, as mecânicas não exigem grande interação dos jogadores uns com os outros. Aliás, a interação assume um papel algo opcional, já que podemos completar tudo em modo single-player sem nunca utilizar o chat do jogo (que deixem-me dizer é um caos), nem nunca jogar um Co-op.

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A nossa base durante uma missão onde precisamos construir duas pirâmides.

Voltando ao início, para fazer algumas considerações sobre o modelo de negócio adotado para este Age of Empires Online. Eu sei que nem todos os jogadores apreciam este tipo de modelo, e sinceramente também vi com desconfiança esta transição em particular, afinal o que eu queria mesmo era um Age of Empires 4, fiel à série. A Microsoft acabou por misturar micro transações com a venda de grandes pedaços de conteúdo, e complicou as coisas. Dentro da capital temos o Empire Bazaar, basicamente a loja de Age of Empires Online, onde podemos comprar conteúdo com dinheiro real. À venda temos desde artigos decorativos para a cidade (estátuas, plantas), os packs premium para as civilizações, um Booster pack que vem com missões especiais onde temos que defender a cidade de Crete, e até um season pack que disponibiliza todo o conteúdo que está e estará disponível durante a primeira temporada (as duas próximas civilizações incluídas).

Ora para poder jogar Age of Empires Online a sério (de forma competitiva), precisamos de comprar pelo menos uma das versões premium das civilizações, desbloqueando assim o ranked pvp, mais espaço nos armazéns, a possibilidade de equipar peças de valor raro e épico, mais conselheiros, e mais workshops a produzir materiais a toda a hora. Se optarem por ficar pela versão grátis, Age of Empires Online tem muitas horas de conteúdo para oferecer, no entanto, na minha opinião as restrições desta versão aproximam mais o jogo de um "demo gigante", do que propriamente um free-to-play com conteúdo opcional extra através de micro transações. Como qualquer MMO, a versão atual do jogo não representa o final, mas o ponto de partida de uma vida que se deseja que seja duradoura e repleta de experiências épicas para os jogadores. A quantidade e qualidade do conteúdo disponível na versão gratuita é suficiente para que não haja desculpa para não o experimentarem, principalmente se apreciam a série. Sinceramente duvido que justifique o preço do season pack, mas certamente justificará as civilizações premium, se tal como eu, lhe dedicarem alguma atenção.

7 /10

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Sobre o Autor

Aníbal Gonçalves

Aníbal Gonçalves

Redator

MMOs e RPG são com o Aníbal. Aliás existe um rumor na redação que a sua primeira casa é o World of Warcraft. Mas às vezes também o vemos a fazer uns exercícios. Não é mau de todo.