Splinter Cell Trilogy

Sam Fisher ao cubo.

A onda das coleções masterizadas em alta definição, numa tentativa óbvia de aproximar os clássicos de outrora dos padrões das atuais consolas, começou lentamente mas vai ganhando cada vez mais adeptos. É uma oportunidade única para ver os grandes jogos da geração passada receber um tratamento de alta definição, e alcançar assim um aspeto que não era anteriormente possível. Mas é também uma faca de dois gumes: se por um lado é de louvar a possibilidade de voltar a ter ao alcance algumas desta obras, por outro é possível que exista o sentimento de que certas coisas do passado são melhor deixadas como estão.

Splinter Cell HD Trilogy é uma coleção que conta com os originais Splinter Cell, Splinter Cell Pandora Tomorrow e Splinter Cell Chaos Theory, todos eles a correr a 1080p e com opção de jogar em 3D estereoscópico. Mas ao contrário de outras versões masterizadas para alta definição, este pacote tem uma particularidade: as versões originais utilizadas são provenientes do PC e não da PlayStation 2, como no caso da coleção God of War ou Sly. Ora, à partida, este pequeno fator permite desde logo que o grafismo alcançado seja relativamente superior - e isso nota-se, principalmente se olharmos em escada para as 3 versões, das quais a última se destaca em particular.

Se a Playstation 2, naturalmente, nunca evoluiu a nível de Hardware, o mesmo não aconteceu com o PC. Há, por isso, uma grande discrepância na qualidade das 3 versões. A conversão é, em qualquer uma delas, bem executada na medida em que os jogos estão bem polidos - existe grande detalhe na maioria dos ambientes e é geralmente livre de serrilhado em qualquer uma das versões. Em certa medida faz-me lembrar um pouco o caso da Orange Box, na qual parte dos conteúdos tinham sido lançados anteriormente no PC e, por essa mesma razão, o comportamento nas consolas em 2007 era ainda bastante surpreendente.

Enquanto os jogos são iguais aos originais e funcionam da mesma forma que qualquer um poderá esperar, existem, ainda assim, diferenças assinaláveis no salto para a alta definição entre cada uma delas. Principalmente considerando os 2 anos que separam o primeiro do terceiro jogo, são de assinalar grandes diferenças no que toca a animações, ambientes ou mesmo em certos melhoramentos feitos, como é exemplo a utilização de certos Gadgets.

Splinter Cell

É o primeiro jogo da trilogia e, por isso mesmo, começa com o treino que dá a Sam Fisher o protagonismo nesta trilogia. Começa por ensinar ao jogador as mecânicas mais básicas da jogabilidade, tornando familiar certos elementos que, na realidade, nem nos dias de hoje são normalmente utilizados. Como é óbvio serão mais recompensados por "brincar às escondidas" do que ao entrar a matar, por isso é importante que certas mecânicas sejam rapidamente aprendidas.

Splinter Cell é um jogo escuro, não só o primeiro, como toda a série - e nota-se perfeitamente que essa é umas das principais bases na qual se assenta o estilo de jogo virado para a espionagem. Numa panorama ideal, o jogador passaria uma missão sem ser avistado do início ao fim, e tal só seria possível graças à escuridão. Mas é também um dos meus maiores problemas com este Splinter Cell - em parte, pelo menos.

É que, sendo pedra basilar na estrutura do jogo, os níveis tornam-se recorrentemente demasiado escuros. Mas isso não seria um problema, uma vez que Sam Fisher está equipado com um dispositivo de visão noturna - errado. Tanto neste primeiro como no segundo jogo da série, a visão noturna tem uma aplicação que, embora talvez fosse decente há uns anos atrás, perde muito com o salto para a alta definição. Torna o ecrã a preto e branco, com formigueiro e, de forma geral, é uma solução visualmente agressiva.

Se de uma forma arriscam-se a caminhar no escuro sem ver seja o que for, da outra arriscam-se a ficar encandeados ao fim de alguns minutos. Seja como for nenhuma das duas permite ao jogador apreciar os ambientes, que por sinal até são bastante ricos em pormenores. É realmente de salientar o cuidado e detalhe existente na recriação de cenários, com pormenores deliciosos e realmente surpreendentes tendo em conta a sua data de lançamento original.

Os ambientes acabam por ter ligação direta com a forma de atuar em cada missão. Por isso mesmo não existem dois níveis iguais e, se repetirem um mesmo nível, é bem possível que atuem de outra forma. Acaba por oferecer um conjunto de "ferramentas" decentes para a aplicação da espionagem, no entanto só Chaos Theory acabaria por se destacar nessa vertente. O caminho a seguir nem sempre é óbvio, mas é quase sempre linear. Existem informações a recolher como forma de explorar os diversos cenários, ou poderão até ter que encontrar objetos escondidos.

No fim de contas acaba por ser um bom jogo por aquilo que sempre foi e não graças à transição para alta definição. Na verdade, ganhou muito pouco de bom: certos filmes introdutórios têm má qualidade; o grafismo chega a parecer demasiado polido e o framerate, sendo inconstante, nunca chega realmente perto do desejável. Vale por aquilo que sempre foi, já que os problemas apontados também não mandam por baixo a experiência; simplesmente não a enaltecem como deveriam.

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Sobre o Autor

Ricardo Madeira

Ricardo Madeira

Colaborador

É redator e dá voz à Eurogamer Portugal. É um dos mais antigos membros da equipa, e ao mesmo tempo um dos mais novos. Confusos? É simples.

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