Alice: Madness Returns

Um universo partido em dois.

Depois de uma versão de antevisão que deixou excelentes indicações para um produto final que se avizinhava no mínimo acima da média, Alice Madness Return é um dos jogos que criou em mim um misto de emoções, algumas nada boas. A versão que tínhamos jogado correspondia a cerca de 25% de jogo, e permitiu vislumbrar certas mecânicas gameplay e formas de contar a estória interessantes, era num fundo um crescendo que antevinha um clímax na versão final. Mas tal não é verdade, e posso até dizer que fora o enredo em si, pouco muda. Melhor, piora em diversas frentes.

Esta introdução serve de certa forma para expressar a desilusão em que se tornou Alice Madness Return. Quanto maior é a nossa admiração pelo trabalho de um autor, como é o caso de American McGee, e a sua visão macabra e negra do País das Maravilhas, tanto maior é a probabilidade de as expectativas saírem defraudadas. Alice Madness Return não é um mau jogo, apenas parece estar deslocado no seu tempo em mais de cinquenta porcento do jogo.

Alice é uma menina conturbada, aqui já numa idade mais avançada, mas onde os pesadelos do passado continuam a minar toda a esperança de futuro e a pedir explicações do passado. O principal pesadelo é o incêndio ocorrido na sua casa, onde a sua família foi morta e Alice é a única sobrevivente. Penalizada pela culpa, pois pensa que pode ter sido a responsável, Alice entra na sua mente e sonhos à procura de respostas sobre o incêndio, sendo que lhe são revelados pequenos pormenores conforme vai encontrando personagens mais ou menos conhecidas do conto original escrito por Lewis Carroll.

Existe um comboio(Infernal train) que de forma continuada está sempre a fugir de Alice. Este comboio parece ser a fonte de todas as respostas, mas ao mesmo tempo a fonte de todos os problemas. O País das Maravilhas não é nome correto para este novo mundo macabro, conturbado e doentio onde Alice agora se encontra. Tudo parece saído de um conto gótico, mas que ao mesmo tempo é algo deslavado face à pobreza gráfica em grande parte dos níveis.

Um dos termos que descreve bem Alice Madness Return é a palidez. Alice é pálida, o universo criado para sustentar este conto é na sua maioria pálido, desprovido de particularidades e técnicas gráficas atuais, parecendo mais um jogo a nível gráfico e desenho de níveis de 2004. A juntar a isto tudo ainda temos uma sonoplastia pálida e monótona e completamente ausente em muitos casos. Compreendo a forma de construção do som, afinal estamos dentro de um sonho, dentro de um formato que não corresponde ao real. Este aspeto poderia ser desculpado se por exemplo fosse apenas em um ou dois níveis, agora sempre? Dei por mim literalmente a aumentar o som do jogo na esperança de haver algum problema com as colunas de som.

Cada nível que passamos recolhemos uma chave, que por sua vez são mais explicações sobre o que realmente ocorreu na noite fatídica do incêndio. Na maioria das vezes iremos andar aos saltos de plataforma em plataforma. Este aspeto poderá dividir opiniões, alguns poderão achar fantástico, pois coloca-nos novamente num tipo de jogabilidade que está de certa forma perdido no tempo, e foi com algum saudosismo que encarei a jogabilidade. A questão de ser necessário de saltar algumas vezes de forma milimétrica e de tempo necessário poderá afastar alguns, principalmente, que é para mim o único senão, quando não existem locais de gravação específicos e muitas vezes a última gravação automática é um pouco longe para um simples salto que é necessário.

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Sobre o Autor

Jorge Soares

Jorge Soares

EG.pt Master of Puppets

Sempre ocupado e cheio de trabalho, é ele quem comanda e gere a Eurogamer Portugal. Queixa-se que raramente arranja tempo para jogar, mas quando está mesmo interessado num jogo, lá consegue arranjar uns minutos. Tem mau perder e arranja sempre alguma desculpa para a sua derrota, mas no fundo, é o que todos fazemos.

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