L.A. Noire

Estrela branca, cidade noire.

Esta é aquela parte da análise na qual eu vos conto como L.A. Noire me é tão especial e parece ter sido desenhado ao encontro do meu fascínio pela época nele retratada, na qual vos conto como o jogo apaixonou-me e fez-me pesquisar mais sobre produtos relacionados com a Los Angeles no final da década de '40, mas provavelmente vocês não estão para aí virados. Provavelmente já estamos demasiadamente atrasados na análise e querem avançar rapidamente. Provavelmente muitos de vocês saltaram diretamente para aquela parte da página que mostra um número em azul, provavelmente viram um oito, e decidiram voltar aqui para tentar saber o porquê.

Então está na hora de passar ao que interessa e mais do que a nota, explicar o que a Team Bondi fez no seu estúdio na Austrália para merecer tal valor. Uma nota tão alta provavelmente significa que triunfaram em vários aspetos, senão todos, e que os seus visuais são de luxo, a sua história envolvente e entre outras coisas, a sua jogabilidade ostenta qualidade. Ora vamos lá.

Desde o primeiro instante, ainda nos menus iniciais, que o ambiente de L.A. Noire apodera-se de nós e fica aquela vontade imediata de ir a correr acender um cigarro e fumar num mundo a preto e branco. Mesmo que nem sejam fumadores nem coisa que se pareça. É simplesmente o forte encanto que exerce sobre nós, a palavra noire assenta-lhe tão bem, e a vontade de querer pertencer àquele mundo, onde o estilo parece reinar com tanta força, que nos apercebemos que o mundo dos videojogos é como que uma terra encantada onde podemos sonhar ser o tipo repleto de estilo e que nos fazem esquecer que o controlamos por via de uns sticks e de uns botões.

1
Um agente com verdadeira preocupação para resolver crimes numa cidade que já não quer saber de si mesma.

L.A. Noire é um desses jogos repletos de personalidade, maturidade e que nos fazem sentir intelectualmente superiores por o estarmos a jogar. Faz-nos sentir desafiados e valorizados enquanto seres pensadores, ou pelo menos é o que tenta transparecer, pois enquanto produto de entretenimento é forçado a seguir padrões para que se torne acessível, mas não deixa a momento algum que a sua identidade se perca e sempre que pode agarra-nos de uma forma impressionante. Para tal a Team Bondi transporta-nos para uma L.A de tom noire na década de 40, num jogo no qual a sensação de imersão e envolvimento entre o jogador e o mundo são os valores máximos.

Quando ouvirem o vosso personagem a apresentar-se no jogo, este vai dizer que se chama Cole Phelps. Cole é um tipo porreiro, pacato, mas com um sentido de justiça ímpar numa sociedade corrupta e que prefere virar a cara aos problemas. É o verdadeiro sentinela do sonho Americano, numa cidade que parece ter cedido à perversão dos oportunistas. Obviamente que não queremos revelar quaisquer elementos relacionados com o enredo e a evolução das personagens aqui presentes. L.A. Noire precisa demasiado disso para vos atrair para que pensasse-mos sequer em destruir tal. No entanto, é preciso referir que enquanto Cole surge como um personagem cheio de dinamismo e interessante, a médio e longo prazo a sua evolução alcança um ponto de estagnação e Cole falha em apresentar o carisma de outros ícones da Rockstar como Niko ou, o meu favorito, John Marston. Aliás, tal pode ser estendido a todo o leque de personagens.

Isto porque talvez a Team Bondi tenha optado por um tom mais sombrio dentro do credível, real e cru. Mas talvez Cole seja vítima de um exagerado tom sóbrio que por vezes se poderia ter permitido a nuances. Tal também se pode indicar à história, que mais do que um filme interativo, longe de tal pois apesar de ser do mais cinematográfico que já vimos, L.A. Noire consegue com todo o mérito sentir-se sempre como um jogo, se assemelha a uma série na qual vamos assistindo a sucessivos episódios. Como em qualquer série, alguns episódios têm mais impacto que outros e enquanto todos acrescentam nem que seja um mínimo à trama, nem todos se mostram relevantes e nem em todos existe um óbvio desenvolver de acontecimentos e nas personagens. Só mais perto do final do jogo vamos começar a poder juntar todas as peças e a visualizar o alcance de toda a trama, mas não deixa de parecer que tudo é um pouco aleatório em alguns momentos.

2
Varrer as zonas dos crimes para procurar pistas é dos momentos mais importantes no jogo.

L.A. Noire é um jogo de ação e aventura na terceira pessoa no qual o género de mundo aberto é uma das fases de jogabilidade a que temos acesso, sendo as outras duas a investigação criminal e os interrogatórios. Como vem sendo hábito nos dias de hoje, existe uma enorme vontade de jogar ao 'descobre as influências' e dentro desse diálogo, se tivesse que arriscar diria que L.A. Noire está mais perto de The Getaway do que de GTA. Isto porque, tal como a série igualmente da responsabilidade de Brian McNamara, o primeiro jogo da Team Bondi foca-se mais na história e nela aposta para cativar o jogador do que propriamente se preocupa em oferecer elementos secundários de jogo para o divertir e entreter. Optando por deixar que o mundo de jogo seja mais uma espécie de cenário para um grupo de intervenientes do que propriamente um palco interativo de jogo expansivo.

Enquanto percorremos a cidade de um ponto para outro, dando continuidade à história, os únicos momentos que nos permitem dela divagar são os crimes de rua. Quando um crime acontece é feito um pedido que é ouvido no rádio do carro, caso queiram podem responder e seguir para o novo ponto no mapa. Existem 40 no total e são a única alternativa existente para além da história. Exceto quando procuramos novos carros, pontos turísticos ou filmes, que é a única coisa parecida com tarefas secundárias que aqui vão ter. Para um jogo sem modos alternativos e sem modos multi-jogador tal pode ser um pouco arriscado, especialmente porque ficamos com a sensação que o "vaguear" pela cidade ao fazer com que se demore mais tempo a resolver o caso vai afetar a pontuação obtida no final.

Publicidade

Lê o nosso Sistema de Pontuação

Salta para os comentários (56)

Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

Conteúdos relacionados

Também no site...

Comentários (56)

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela tua contribuição!

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários