Permanecendo fiel aos princípios de jogo que a série habitou, foram incluídos alguns desvios nas regras e correções que aprimoraram o embate. Felizmente reparou-se aquele "número" caricato que implicava uma ida e queda lateral para re-enviar uma bola distante com imediato levantamento, corrida e queda ao lado oposto para impedir o adversário de marcar o ponto. Sem esse espectacular grau de exigência, os tenistas ficam agora mais dependentes da colocação em campo e muito embora tentem ganhar bolas distantes, haverá situações em que nada mais se pode fazer. O posicionamento distante da rede ainda é a melhor forma para enviar a bola, com sucesso, para o outro lado da rede, com pancadas cada vez mais fortes. Tendo um bom posicionamento e pressionando o botão no momento certo será possível desferir autênticos "tiros" indefensáveis pelo nosso rival.

A inclusão dos "Super Shots" acrescenta algum dramatismo às partidas. Um fator que acrescenta emoção, mas sem causar desvios radicais na evolução do marcador. Trata-se de uma forte pancada que deixa sem reação e sem qualquer hipótese o adversário. Felizmente a utilização por cada jogo é reduzida, dado que só ao fim de mais algum tempo poderá voltar a ser utilizado. Inspirado, por exemplo, a partir dos golpes ultra de um Street Fighter, o momento da utilização é descrito dentro de uma breve cena cinematográfica onde observamos por completo o nosso atleta, frontalmente, a desferir a pancada, em absoluta câmara lenta, sendo perceptível todo um trabalho de animação facial e corporal quando a bola é recolhida, ressaltando na rede de nylon da raqueta do tenista.

Para lá do modo arcade que integra os quatro principais torneios mundiais, o jogador terá à disposição um renovado World Tour; o já conhecido modo carreira que permite criar do zero um tenista e levá-lo ao top mundial do ranking, desafiando tenistas por demais conhecidos.

Desta vez os autores optaram por incluir uma estrutura de progressão próxima dos jogos de cartão. O jogador será convidado a participar numa digressão asiática, antes de partir para outras localizações mundiais. Como se fosse um peão, avança por um conjunto de casas, correspondendo a cada uma finalidades distintas, com base nos bilhetes que tem em sua posse. Estes bilhetes garantem um avanço de duas, três ou quatro casas. Nalguns casos até pode comprar bilhetes de uma unidade de progressão, evitando assim algum tónico da sorte que tende a presidir esquema. De qualquer modo o jogador tem sempre uma margem de antecipação, vendo que possibilidade terá para cada cartão que aplique.

O objetivo continua a ser participar e vencer os principais torneios de cada região, subindo no ranking graças às estrelas acumuladas. Ao mesmo tempo é essencial desenvolver a personagem, pondo o atleta a recuperar da fadiga provocada pelos desafios e mini-jogos e também comprando novo equipamento como acessórios ou vestuário.

Os mini-jogos representam uma parte significativa da progressão do atleta, já que os bons resultados que atingir em cada um, dentro de um grau de dificuldade variável, deixá-lo-ão com atributos melhorados, podendo até desenvolver determinadas técnicas que poderão representar o seu estilo de jogo, devendo para isso obter as respetivas lições.

Estes pequenos desafios, à semelhança do jogo anterior, continuam bastante divertidos e envolvidos numa escala de dificuldade interessante e de diversificados objetivos. Por fim a exploração da componente para vários jogadores ligados em rede permite a formação de jogos singulares ou em pares, podendo ser convocado o atleta criado para o modo World Tour. Em termos visuais, VT4 continua estimulante, e delicado, ao ponto de relevar os pequenos detalhes que normalmente estão associados à modalidade, muito embora não surpreenda ou exiba uma espécie de ultra-realismo. Contudo, sempre se dirá que a sua mais valia é uma robustez gráfica, associada a uma sensação de controlo e animação dos tenistas verdadeiramente cativante. Apesar da falta de mais participantes da modalidade, continuam a marcar presença os atletas masculinos e femininos mais representativos dos últimos anos, assim como algumas lendas da modalidade.

Compatível com a utilização do 3D, VT4 teve uma primeira ronda de contacto com os novos sistemas de controlos por movimento, o Move e o Kinect. No caso do acessório da PS3 o resultado final fica muito aquém da expectativa, já que o jogo dá poucos sinais de resiliência na adaptação à tecnologia. Por contraponto permanece um clássico, garantindo sucesso, se disputado e aproveitado dentro dos esquemas tradicionais de controlo e, na verdade, os que ainda fazem mais sentido de aproveitamento para este produto, que pela primeira vez chega às consolas da nova geração sem a congénere versão arcade. VT4 não acrescenta grandes novidades para quem já percorreu os jogos anteriores, mas também não estamos perante uma série que se passeia anualmente. Estas aparições circulares e espaçadas relembram que na Sega ainda há trunfos que podem ser limados nalgumas arestas e que merecem permanecer intocados no seu núcleo sob pena de se desfazer uma fórmula que assegura o prazer do ténis virtual.

8 /10

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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