Citizen Zelda: Um modelo de referência

Um modelo de referência.

Artigo de Aníbal Gonçalves e Nelson Zagalo do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho, publicado na edição nº 10 da revista de ciências da informação e da comunicação do CETAC "Prisma.com". Este artigo foi dividido em duas partes.

"Se tivesse à sua disposição todos os videojogos alguma vez criados, qual escolheria para jogar neste momento?". Esta pergunta foi feita aos utilizadores da revista inglesa de cultura dos videojogos, EDGE, e o vencedor foi um videojogo do ano de 1998, The Legend of Zelda: Ocarina of Time. O presente artigo analisa os principais aspectos do gameplay do jogo, enquanto tenta perceber o que leva um videojogo com onze anos a manter o seu apelo e estar ainda bem vivo na memória dos jogadores. A análise vai desde o comando inovador da consola Nintendo 64, à utilização de uma narrativa de duplo enredo, ou a forma inteligente como a música funciona como elemento de gameplay. Legend of Zelda: Ocarina of Time será assim analisado e dissecado enquanto o possível Citizen Kane (1940) dos Videojogos.

A propósito da comemoração do número 200, a reconhecida revista inglesa de cultura dos videojogos, EDGE, publicou em Abril de 2009 o resultado de mais uma deliberação acerca de qual seria, na opinião dos utilizadores, o melhor jogo de todos os tempos. No entanto, desta vez a questão foi colocada de uma forma mais pessoal, foi perguntado aos votantes; "se tivesse à sua disposição todos os videojogos alguma vez criados, qual escolheria para jogar neste momento?".

Surpreendente para alguns, para outros talvez não, o vencedor foi um videojogo de 1998, exclusivo para a consola Nintendo64, The Legend of Zelda: Ocarina of Time. O objectivo deste artigo é perceber o que está por detrás deste resultado, ou seja, o que leva alguém em 2009 a escolher um jogo de 1998, tendo em conta os gigantescos avanços operados na indústria dos videojogos. O que é que o título em causa trouxe de novo à própria série The Legend of Zelda, assim como ao universo dos videojogos de acção e aventura. Quais os aspectos e mecânicas inovadoras, e por outro lado, o que o mantém actual.

A série The Legend of Zelda

Criada por Shigeru Miyamoto e Takashi Tezuka, desenvolvida e publicada pela Nintendo, The Legend of Zelda é uma das séries mais conhecidas, respeitadas, e de maior sucesso da comunidade de jogadores videojogos. A fonte de inspiração da série vem das florestas e cavernas de Sonobe, Kyoto no Japão, onde Miyamoto passou a sua infância, assim como da mitologia Nórdica e Japonesa. O objectivo original da série, que acabou por se manter ao longo da história da mesma, era criar um mundo que proporcionasse aos jogadores um "jardim em miniatura" que pudessem explorar, e assim partir numa aventura ao seu próprio ritmo.

Em relação ao nome da série, Miyamoto afirmou ter-se inspirado no nome da esposa do escritor Americano Scott Fitzgerald chamada Zelda Sayre. Miyamoto disse ter gostado da sonoridade do nome. É curioso verificar que a inspiração de The Legend of Zelda partiu das próprias experiências de Miyamoto enquanto criança. Já Jesse Schell na obra The Art of Game Design: A book of lenses (2008) encoraja quem procura uma ideia para um jogo, a procurar inspiração não nos outros jogos do género, mas sim nas suas próprias experiências "to use this lens, stop looking at your game, and stop looking at games like it. Instead, look everywhere else". Se é verdade que a inspiração é um dos principais ingredientes na construção de qualquer obra de arte, The Legend of Zelda parece ter-se socorrido de muito bons argumentos.

A narrativa nos títulos The Legend of Zelda é bastante simples e centrada na típica jornada de um herói na luta do bem contra o mal. Kristina Drzaic destaca a possibilidade de ser o próprio jogador a subverter a própria filosofia e a seriedade da história através dos seus actos à medida que avança na aventura, já que não existe à partida uma direcção obrigatória a tomar, mas sim um mundo rico em possibilidades para serem exploradas. The Legend of Zelda trata um jogo, que mistura puzzles, aventura, acção, estratégia, e importantes aspectos RPG, estes elementos de jogo mantiveram-se constantes ao longo dos 24 anos da série, apenas com algumas adições ao longo do tempo, e claro mudanças gráficas. A aventura passa-se no reino de Hyrule onde controlamos o protagonista, uma personagem chamada Link, na luta para salvar o reino, e a princesa Zelda, e proteger a Triforce dos planos diabólicos do mais conhecido antagonista da série, o vilão Ganon. Este enredo também se mantém constante em todos os títulos The Legend of Zelda.

Os objectivos do jogo, centram-se normalmente na procura de Dungeons, que necessitam de ser exploradas até ao confronto final com o Dungeon Boss, normalmente a progressão de cada uma destas dungeons está dependente da posse de um item especial, que se encontra também dentro da mesma. O primeiro título da série foi lançado no Japão em 1986 na plataforma Famicom, e foi na altura revolucionário em muitos aspectos, alguns muito para além do gameplay. Por exemplo, o primeiro título da série The Legendo of Zelda continha um sistema de backup incorporado no cartuxo do jogo, proporcionando continuidade na aventura de uma sessão para outra, algo muito incomum nos videojogos da altura, que na melhor das hipóteses utilizavam o sistema de palavras passe para garantir progresso aos jogadores. Trata-se portanto de uma série de sucesso desde o início, conta até á data com quinze títulos originais, muitos deles marcos na história da indústria, todos exclusivos das consolas da marca nipónica.

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Sobre o Autor

Aníbal Gonçalves

Aníbal Gonçalves

Redator  |  Darthyo

MMOs e RPG são com o Aníbal. Aliás existe um rumor na redação que a sua primeira casa é o World of Warcraft. Mas às vezes também o vemos a fazer uns exercícios. Não é mau de todo.

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