Marvel vs Capcom 3 chega às lojas

Fighting games em alta.

Hoje chega às lojas Marvel Vs Capcom 3, uma década depois da segunda iteração da franquia ter alcançado um êxito apreciável nas arcades e depois nos sistemas domésticos. Com efeito, é mais um momento quente para os adeptos dos "fighting games". Desde o lançamento de Street Fighter IV que não param os anúncios e lançamentos de novos jogos. A Capcom tem sido responsável por uma boa fornada de títulos. Os fãs gostam das novas adaptações e reinvenções de clássicos. Verdade que tempos mudaram e as arcades perderam o significado de filiação que lhes dava uma particular ênfase, mas os confrontos continuam e as comunidades rejubilam perante as novas chegadas.

Em termos mundiais os confrontos ganharam uma dimensão próxima do profissional. O reforço da internet através das transmissões por canais particulares fez disparar o interesse, com vídeos demonstrativos e explicativos das melhores técnicas. Depois, há quem seja mesmo bom a combater e viva só disto, lutando por dinheiro, vencendo competições que se fazem quase todos os fins-de-semana. Outros até cobram aulas (uma hora para aprender e aperfeiçoar técnicas), como sucede Justin Wong. Há seis anos poucos conheciam Daigo Umehara; hoje a sua imagem é capaz de valer tanto quanto a de um produtor. As publicações querem conversar com ele para saber afinal qual é o segredo para controlar daquela forma Ryu e por que motivo ganha tantas vezes à armada norte-americana na competição anual EVO.

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Torneio Street Fighter. Anos noventa.

A Capcom bem pode ter provocado o abanão que faltava ao género. Antes de chegar SF IV o género não registava grandes avanços. Entre alguns jogos pouco entusiasmantes, a incerteza quanto à validade de novas propostas e sequelas minava o pensamento de alguns produtores, com receio da vitalidade do género.

Yoshinori Ono sentiu um alívio na espinha quando no dia em que pela primeira vez colocaram na rede o trailer inaugural de SF IV (encomendado a um estúdio fora da Capcom) o sítio deixou de funcionar devido à extrema quantidade de acessos. Aposta ganha. À margem do sucesso alcançado pela Capcom com a recuperação de SF IV para as máquinas da nova geração (e para as arcades), outras produtoras ecnontraram o ímpeto que lhes faltava e partiram para a conquista do mesmo tesouro. A SNK lançou King of Fighters XII (embora o resultado final tenha sido um amargo de boca) e KOF XIII já está nas arcades. A Arc System Work (Guilty Gear) desenvolveu um novo produto original e bem recebido por alguns grupos de fãs. BlazBlue foi produzido para as arcades e conta com versões domésticas para as consolas da nova geração. A Namco Bandai prepara Tekken Tag Tournament 2 enquanto que em laboratório Harada faz contas às possibilidades para ganhar ao seu rival Ono no "crossover" Tekken Vs Capcom previsto para o próximo ano (a Capcom fará a sua edição tendo por base o motor gráfico de SF IV).

De todo o modo, a Capcom espera alcançar proveitos com o novo MvC. No começo desta semana, a empresa reiterou que para o presente ano fiscal espera vender dois milhões de jogos do seu novo "brawler". E no período que sucede perspectivam mesmo ultrapassar Street Fighter IV, que em Dezembro de 2010 chegou aos 3 milhões de unidades vendidas. Apesar dos bons números e de SF IV se posicionar agora como o terceiro jogo melhor sucedido da série, importa lembrar que em 1993 Street Fighter II Turbo (SNES) vendeu quatro milhões e 100 mil unidades e Street Fighter II igualmente para a SNES chegou aos seis milhões e 300 mil unidades. Margens difíceis de igualar nos dias que correm e que explanam como o género viveu a sua era dourada na década de noventa.

Apesar de mais distante em termos de vendas, os resultados dos jogos criados para a actual geração mostram que a aceitação e validade de clássicos recuperados e de novos produtos (BlazBlue e Tatsunoco vs Capcom) justificam o esforço e os gastos envolvidos para o desenvolvimento.

Haverá muitos interessados em MvC3 que deitarão mão ao jogo pela curiosidade e por força do reaparecimento de um produto sem novos desenvolvimentos desde a passagem do milénio. No fundo, para uma segunda volta, já não teriam a mesma disposição. E isso exige prudência. Basta ver que em Dezembro do ano passado, a versão Super de SFIV tinha alcançado pouco mais de metade das vendas da versão "vanilla". É provável que continue a vender nos próximos meses, mas dificilmente chegará aos números do jogo primitivo.

Neste género, MvC3 é um título mais conservador e, por comparação com Street Fighter, não são tantos os jogadores que o dominam e lhe emprestam uma utilização que se estenda para lá dos primeiros meses e do "fogacho" causado pela chegada ao mercado. Depois desta versão voltará a ser cumprido um hiato muito longo até que a Capcom dê luz verde para outra sequela.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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