Dead Space 2 • Página 2

Sentir o medo.

A coisa mais fantástica que Dead Space 2 tem é a sua atmosfera. É incrivelmente imersiva e pertence àquele tipo que prende completamente o jogador ao ecrã. Ao vaguearmos pela estação espacial damos de caras com cadáveres encostados nos cantos e sangue pelas paredes. Tudo está deserto, não há um único indício de vida por perto. É como se fosse uma estação espacial "fantasma". Não será de espantar se muitos de vós sentirem arrepios constantes enquanto jogam Dead Space 2.

O que ajuda muito o jogador a inserir-se na atmosfera aterradora e arrepiante de Dead Space 2 é a sonoplastia. Aqueles sons que ecoam pela estação espacial são pequenos mas põem o jogador em constante alerta. Ouvir somente os passos de Isaac aumenta exponencialmente o sentimento de solidão. Quando entramos em áreas de vácuo é uma sensação extraordinária não ouvir nada para além do barulho de Isaac a respirar. Nada foi deixado ao acaso pela Visceral Games e nota-se que teve um grande cuidado neste aspecto do jogo.

Outra das preocupações da Visceral para Dead Space 2 foi torná-lo um título mais macabro que o anterior. As alucinações de Isaac são um passo nessa direcção, mas há mais. Com a introdução dos novos necromorph esta tarefa foi alcançada com sucesso. Um dos novos necromorph apresenta-se na forma de um bebé que rasteja lentamente, e de forma inocente, até chegar até nós. Mas não se deixem enganar, quando chega aos nossos pés explode como bomba. Outro necromorph assume a forma de uma criança que liberta uns gritos estridentes que ferem os ouvidos. Estes pequenos diabos podem ser difíceis de eliminar devido à sua baixa estatura e porque atacam sempre em grupo. Com estes novos inimigos não admira que as mães odeiem este jogo.

Em determinadas partes, geralmente no final de cada capítulo, Dead Space 2 oferece momentos espectaculares e com um aspecto cinematográfico. São o auge ou os pontos máximos do jogo. Porém, a maioria destes momentos resumem-se a cinemáticas interactivas em que temos que pressionar rapidamente no botão A, e não compensam a quase inexistência de confrontos com bosses (apenas recordo-me de dois).

O maior defeito de Dead Space 2 é que começa a cair numa rotina, principalmente após a segunda metade do jogo. A maior parte do tempo é gasto a percorrer corredores e a desmembrar os vários necromorph que vão aparecendo. De certa forma, todos os jogos, por muito bons que sejam, sofrem deste defeito, mas esta sensação de rotina foi mais forte para mim neste título do que em outros. No entanto, não é algo que desmotive o jogador ou que o faça perder a vontade de jogar, Dead Space 2 prende o jogador até ao final.

Na dificuldade normal, não é um jogo difícil. Existem, contudo, alguns momentos mais complicados e de maior frustração por causa da quantidade de inimigos que por vezes temos de enfrentar. Ainda bem que o jogo faz um bom trabalho em acalmar os nossos ânimos. Os pontos de gravação são frequentes e os checkpoints são muito mais frequentes. Quando perderem, o provável é começarem apenas uns passos atrás ou perderem um ou dois minutos de progresso.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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