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Arcade de excelência em Pac-Man Championship Edition DX

Como tornar melhor um jogo originalmente perfeito.

Recentemente adquiri através do Ebay, a preço bastante satisfatório, um Namco Arcade stick, em muito bom estado, na caixinha, e através de um Galês que após conhecer a minha nacionalidade me congratulou pela vitória de Portugal no Europeu (entrei em contacto com ele na véspera da final), após desafio frente aos franceses, que no entender dele ganharam demasiadas vezes. Quando ao stick, lançado por ocasião do lançamento da PlayStation, em "bundle" com o jogo Soul Blade, corria o ano 1997, não é só uma notável máquina de guerra, feito para resistir a um uso constante como as boas máquinas arcade e sujeito a todo o tipo de pressões (capaz de suportar descargas de fúria quando um combate não corre tão bem), como é um dos produtos do género com belo design, excelente sensibilidade ao toque dos botões e stick, mas sobretudo um dos acessórios com maior compatibilidade com consolas da Sony de diferentes gerações.

Criado para emular o tipo de experiência arcade na PlayStation, ou em casa, se preferirem o termo, sobretudo para os jogos da Namco (primeiro saiu Soul Blade mas depois veio Tekken), prosseguiu compatível na PlayStation 2 e depois na PlayStation 3, neste caso através de um pequeno dispositivo USB que pode ser adquirido separadamente por meia dezena de euros. O resultado é um dos mais duráveis sticks, peça elementar para não só os jogos de combate, plataformas, "shmups" e todo o tipo de jogos de formato arcade.

Podemos perfeitamente jogar com ele um Guilty Gear na PlayStation, passar para um Castlevania: Symphony of the Night, bater umas chapas no 1945 para a PS2 e terminar o a sequência aos encontrões no KOF XII. A experiência torna-se mais autêntica e a sensibilidade ao toque garante uma interacção estável. Conectando-o à PS3, o mais elementar seria recorrer aos jogos de luta. Indagado sobre outros jogos descarregados, entretanto apagados por força das sucessivas PS3 que se avariaram frente às minhas mãos, pus-me a verificar alguns títulos adquiridos na "Store", descendo até ao período de abertura da conta na PS3, na tentativa de encontrar outros jogos com uso conveniente para o acessório.

É possível ligar o Namco Arcade Stick a uma PS4, para jogos como Street Fighter V, mas terão que adquirir um acessório.

Recuando na lista, parei alguns instantes em 2010, quando identifiquei o título Pac-Man Championship Edition DX, acompanhado de uma pequena gravura em tons neon. De imediato as memórias desfiaram. Primeiro, as do original lançado em 2007 no Xbox Live Arcade, um jogo absolutamente fenomenal e depois as da versão que tornou o original perfeito para a PlayStation Network, três anos depois. O original é um daqueles jogos perfeitos. Está bem assim e julgámos que não precisa de mais nada. Mas a equipa de produtores japoneses foi ainda mais longe e adicionou novos modos de jogo e fez o que se julgava impossível: melhorar um jogo perfeito. Não estou a exagerar quando digo que Pac-Man Championship Edition DX é dos melhores jogos de sempre. Se não conhecem o jogo, vão à PS Store e descarreguem a demonstração. Não vejam vídeos da net. Entrem no jogo. Em menos de cinco minutos estarão a descarregar a versão completa. É daqueles jogos que vale por si mesmo, sem mais nada a adulterar ou baseado em estímulos que não sejam os do próprio núcleo e da estrutura. Tal como Tetris, Pac-Man nasceu perfeito e esta versão tornou tudo melhor.

O sucesso de PCE DX reside em dois pontos centrais: a luta pelos resultados e o desafio. Ao jogarmos mais ficamos melhores e resistimos mais tempo em jogo, arriscando mais e conseguindo uma melhor pontuação. A capacidade que dispomos para nos sujeitarmos à superação individual é dos factores mais aditivos, especialmente quando dispomos das tabelas de liderança e das pontuações dos nossos amigos como incentivos. Mas isso até pode ser secundário se pensarmos nos nossos limites. Claro que a determinada altura torna-se mais difícil incrementar o score mas o jogo proporciona tantas opções, modos de jogo e desafios que rapidamente podemos experimentar outros caminhos e alternativas.

O ritmo de jogo é elevado assim que aumenta a velocidade de Pac-Man e a partir desse momento errar é mais fácil.

A jogabilidade é a tradicional. Comemos os pontos, frutas e fantasmas, sempre que alcançamos um ponto maior. Esta regra é particularmente valiosa já que em lugar dos originais 4 fantasmas que nos perseguem, existem muitos outros espalhados pelo labirinto e quando eles detectam a nossa presença, imediatamente encetam a perseguição. Num dado momento podemos ter um exército atrás de nós e será melhor, nessa altura, comer um desses pontos maiores que os atordoa, deixando-os vulneráveis num curto período de tempo, podendo ser comidos à medida que o "score" cresce exponencialmente. Naturalmente, Pac-Man ganha mais velocidade, o que complica a escolha das melhores saídas e percursos. Podemos acabar num beco sem saída ou comidos por um fantasma. Mas antes disso podemos usar uma arma de recurso, uma bomba que rapidamente envia os fantasmas para a casa de partida, deixando novamente o caminho livre. É neste quadro de constante aperto e sufoco que gerimos a nossa prestação e procuramos atingir a melhor pontuação.

De certa maneira existe um alívio em termos de dificuldade, mas em contrapartida as novas regras criam mais oportunidades para obter melhor pontuação, oferecendo mais contextos e menos previsibilidade numa jogabilidade consolidada. Além disso, os novos modos de jogo oferecidos nesta versão melhorada encontram-se bloqueados à partida. Só ficam disponíveis depois de cumpridos os objectivos básicos no modo "championship". Alguns requerem uma pontuação num minuto e meio, outros em dez minutos e até existe um modo "free" no qual podem jogam enquanto não perderem as vidas todas. Mas para desbloquearem tudo terão que completar imensos objectivos e nisso reside grande parte da longevidade deste título, pois encontram sempre novas regras e diferentes variantes enquadradas numa mesma moldura.

No final, podem observar a repetição e comparar a pontuação obtida com a dos vossos amigos, mas estarão sempre mais dispostos em atingir novos máximos individuais. A toda uma jogabilidade contagiante, desafiante e sem tempos mortos, acresce um dos quadros visuais e musicais mais impressionantes. Podem mudar a estética dos labirintos, entre composições 3D e redefinições retro, assim como a música e os efeitos, numa conjugação altamente psicadélica, que aumenta de ritmo à medida que a velocidade de jogo cresce, como uma batida cardíaca ofegante, o que significa uma injecção de adrenalina em momentos fulcrais (manter a concentração tenderá a favorecer os mais audazes).

Ainda há dias escrevi numa análise sobre a importância que plataformas como o XBLA tiveram no desenvolvimento de novos jogos marcados pelas qualidades que definiram as experiências arcade. PCE DX é um dos melhores exemplos no que toca à recuperação de um clássico e simultânea adaptação aos tempos modernos. Um título oriundo do XBLA que se converteu num dos melhores jogos digitais multiplataformas de sempre. Preservando as enormes qualidades de um título icónico e melhorando o que foi uma nova produção perfeita, a Bandai Namco atingiu aqui um ponto que não é de superação fácil.

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Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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