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Adam Boyes relembra 118 horas de trabalho por semana

Veterano fala em dias sem ir a casa e tomar banho no trabalho.

O crunch é um assunto altamente controverso na indústria e do qual raramente se fala, mas as palavras de Dan Houser da Rockstar Games trouxeram de volta as discussões em torno do tema.

Houser comentou que os funcionários da equipa de Red Dead Redemption 2 trabalharam 100 horas durante algumas semanas, para cumprir objectivo, algo que mais tarde esclareceu ao Kotaku, mas as suas palavras colocaram de novo o foco no tema do crunch.

Várias personalidades reagiram e uma delas, um veterano da indústria bem conhecido, relembrou os tempos em que trabalhou 118 horas por semana e nem mesmo assim foi a pessoa que trabalhou mais horas.

Essa pessoa é Adam Boyes, que trabalha actualmente na Iron Galaxy Studios, que recentemente entregou Extinction, mas ficou conhecido pelo seu trabalho na PlayStation, como responsável pelas relações com estúdios externos.

Antes de entrar para a PlayStation, Boyes trabalhou na Capcom, mas o seu percurso na indústria começou na EA Canada no departamento de teste e controlo de qualidade, onde viveu momentos que não deseja voltar a viver.

"No meu primeiro trabalho em videojogos tínhamos uma tabela de pontuação onde registávamos quem trabalhava mais horas numa só semana no projecto. Cheguei ao terceiro lugar...com 118 horas," disse Boyes.

"Era fixe! Estavas empenhado no projecto! Empenhado na causa, a tentar impressionar a equipa de desenvolvimento (eu estava no QA), a tentar criar impacto. Tão poucas pessoas eram promovidas para as equipas de desenvolvimento que te querias destacar."

"Ninguém nos pedia para o fazer. Os gestores diziam para pararmos, mas não parávamos...porque funcionava - muitos de nós fomos promovidos devido à nossa 'ética de trabalho' e 'dedicação'".

"Assim que sai do controlo de qualidade, a pressão implícita para sacrificar tudo para cumprir o trabalho cresceu exponencialmente. Era 'fixe' se tivesses uma cama portátil no escritório ou um saco cama debaixo da secretária. Eras 'hardcore' se ficasses sem roupa limpa ou tivesses de tomar banho no trabalho."

Boyes diz que não tinha mulher ou filhos na altura e apenas se prejudicava a si próprio, pedindo desculpas a todos os que acabou por influenciar e aos que trabalharam nas suas equipas.

"Falei sobre 'dedicação' e 'sacrifícios'. Eram tretas."

Boyes diz que hoje tem apenas um objectivo, chegar a casa e jantar com a mulher e os filhos, jogar Fortnite com a família e passear. Diz ainda que não sente saudades das noites em que ficava a trabalhar sem horas para voltar a casa.

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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