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A Plague Tale: Requiem - O poder do singleplayer cinematográfico

Pequenos problemas não o impedem de brilhar.
Eurogamer.pt - Recomendado crachá
Um espetacular singleplayer cinematográfico que impressiona com a qualidade visual, mecânicas e maior ambição no design.

Após colocar o seu nome no mapa com Innocence, a Asobo Studio apresenta agora A Plague Tale: Requiem, uma sequela que glorifica o significado da palavra. Sem se afastar da essência que diferenciou o original ao ponto de cativar mundialmente, o estúdio francês expandiu as mecânicas e a escala da sua ambição, para alcançar um resultado que apaixona facilmente os adeptos dos singleplayer cinematográficos.

A Plague Tale: Requiem chega 3 anos após o original e com uma versão nativa para a PlayStation 5 e Xbox Series pelo meio, o estúdio já se ambientou às mais recentes consolas e entrega um jogo visualmente espetacular, com momentos incríveis, que criam grande imersão neste mundo onde os segmentos de ação furtiva se misturam com quebra-cabeças ligeiros.

Requiem decorre 6 meses após o final de Innocence e mostra-te os irmãos Amicia e Hugo a tentar alcançar uma ilha no Mediterrâneo. O objetivo é curar Hugo da doença que o aflige, mas como já calculas, soldados que os perseguem e os infernais ratos estão de volta para te forçar a percorrer cenários construídos com foco na luz para progredir.

À primeira vista, Requiem é muito similar a Innocence, nos segmentos mais lineares poderás sentir que é o mesmo jogo, mas rapidamente avistas uma maior ambição na escala de alguns dos cenários e na qualidade gráfica, sem esquecer a expansão das principais mecânicas de jogo. Novas armas além da fisga, como uma besta, novas misturas alquímicas e novas habilidades para Hugo (radar de inimigos e controlar ratos) significam que o gameplay foi expandido de formas que tornam o design original ainda mais amplo.

Envolvido intimamente com a narrativa, o design de mecânicas foi expandido para mostrar os dilemas que assolam os protagonistas. Amicia é o melhor exemplo disso, ela agora luta contra a noção que já matou inúmeras pessoas na jornada para proteger o seu irmão, e agora pode recuperar de um ataque e escapar para se esconder novamente. Isto permite-te quebrar o contacto visual com o inimigo que te viu para tentar novamente desbloquear o melhor caminho até ao passo que te permite progredir para uma próxima zona.

Além das zonas lineares como no original, Requiem alcança uma nova escala com zonas maiores e mais ambiciosas. Pensa na diferença entre a trilogia Uncharted original e Uncharted 4 ou o Legado Perdido. A Asobo parece ter-se inspirado na Naughty Dog (existem até diversos momentos com a câmara à frente de Amicia para a mostrar a correr de uma ameaça) e intercala os segmentos lineares com zonas maiores, com mais opções de exploração e que cortam um pouco a sensação de linearidade nos níveis.

É fácil perceber o quão igual está ao original, mas também é fácil perceber o esforço feito para expandir essa experiência. A ambição da Asobo merece elogios pois o design expandido de alguns cenários permite capítulos de escala inesperada. Combinado com a fantástica qualidade gráfica nas consolas de atual geração (joguei na PlayStation 5), A Plague Tale: Requiem é uma delícia para adeptos de bons gráficos e jogos cinematográficos.

O único elemento onde a Asobo revela debilidades é na inteligência artificial, seja dos aliados como nos inimigos. Os comportamentos dos inimigos quebram constantemente a imersão e esperam pelo teu ataque (sem esquecer que os modelos dos inimigos são muito limitados e passas o jogo todo a matar as "mesmas pessoas"). Além disto, os teus aliados surgem na visão dos inimigos e não são detectados.

Os momentos de confronto, onde é constante o incentivo à abordagem furtiva, também permitem correr por lá fora quando és apanhado (especialmente porque Amicia agora pode apanhar facas que espeta no inimigo que a agarra), enquanto o confronto direto é morte certa. Com uma qualidade soberba e o constante desafio ao uso das habilidades para progredir por locais infestados de ratos assassinos ou soldados impiedosos, fazendo de A Plague Tale: Requiem uma experiência superior à original, atestando em pleno o significado dessa palavra. Por isso mesmo, é pena que a IA não esteja à altura do design e gameplay.

A Plague Tale: Requiem entrou diretamente para a minha lista de jogos favoritos do ano e se tens um gosto especial por experiências cinematográficas para um jogador, também para ti será um dos mais brilhantes momentos do ano. A Asobo Studio superou-se em praticamente todos os sentidos e sem perder a essência do que tornou o primeiro tão interessante, introduziu novidades, expandiu a escala e conseguiu realmente uma experiência belíssima, cativante e durante a qual dificilmente sentirás vontade de parar de jogar.

Prós: Contras:
  • Gráficos espetaculares
  • Ação e aventura singleplayer cinematográfica de alta qualidade
  • Enredo que te agarra e personagens com as quais te preocupas
  • Design expandido de alguns níveis
  • Gameplay do original expandido com puzzles mais ambiciosos
  • Banda sonora de alto gabarito
  • Totalmente legendado para Português do Brasil
  • Problemas severos de desempenho nesta versão inicial
  • Problemas na inteligência artificial
  • Alguns erros que forçam o reinício do capítulo ou secção
  • A interface de escolha de armas e alquimia não é intuitiva

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Sobre o Autor

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Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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