Yakuza 3 - Análise
Kazuma regressa ao lado sombrio de Tóquio.
Versão testada: PlayStation 3
É inevitável iniciar a crítica de Yakuza 3 estabelecendo paralelismos com a série Shenmue, inculcando no leitor a proximidade e o afastamento que há entre os títulos. Apesar das fortes diferenças que existem entre a série Yakuza e Shenmue, não é menos evidente o traço que as une, principalmente a partir do momento em que o protagonista nipónico deambula pelas ruas de uma fictícia mas verosímil divisão administrativa de Tokyo chamada Kamurocho e também pela ilha de Okinawa, interagindo com personagens, observando “a vida” de outras pessoas, divertindo-se em bares, comendo gostosas refeições em restaurantes, pondo em prática um esforço altruísta e envolvendo-se numa série de arriscadas e perigosas missões ligadas à máfia japonesa, constituindo estas o âmago que faz de Yakuza um jogo com o seu espaço, argumento e a sua definição bem alinhada para o confronto entre clãs; uma espécie de GTA/Godfather do sol nascente. Mas ainda há mais pontos a partilhar entre as séries, nomeadamente o sentimento de vingança que impele os heróis, trepidando por uma série de desafios e combates até atingir o topo da pirâmide para então decepar a cabeça do responsável pelos tumultos colhidos após os instantes iniciais.
Com efeito, é o mesmo dizer que são boas notícias que chegam aos fãs de Shenmue embora e só cá para mim a preferência em argumento vá direitinha para Yakuza. Tendo sido o terceiro capítulo mostrado pela primeira vez na Tokyo Game Show de 2008 e lançado no Japão em Fevereiro do ano passado, este é o primeiro jogo da série a merecer honras de ingresso na Europa, num esforço significativo da Sega em finalmente galgar os oceanos, disponibilizando-se para os mercados ocidentais, ao mesmo tempo que revela um compromisso capaz de honrar a sua história e tradição.
Afinal só mesmo com a Sega para encontrar em Yakuza 3 um mini-jogo de UFO “catcher” num salão da marca em Kamurocho. No fundo o apoio demonstrado para esta obra levará a Sega a adaptar para o nosso mercado a próxima ronda deste padrinho “kick ass” que gere os dias com energia, já pintada de fresco no mercado japonês.
Uns pequenos desafios na tranquila praia de Okinawa.
Para os que agora tomam conhecimento com o universo e argumento de Yakuza, nada está perdido. A qualquer altura a partir do quadro inicial de opções ou num ponto em que a história ainda dá os primeiros passos, poderão conhecer o homem máquina que é Kazuma Kiryu. Encontrá-lo agora a gerir um orfanato na pacata e paradisíaca ilha de Okinawa colhe de surpresa. Talhado para o combate e confronto, vê-lo a participar em tarefas triviais do dia-a-dia, constituindo as primeiras diligências, lidando com as contrariedades e alegrias dos miúdos do orfanato junto à praia parece redentor.
Por largas porções nem parece credível que o herói se distanciou definitivamente das rivalidades e das permanentes lutas letais entre os clãs que controlam o poder em Tóquio. Kazuma providencia e zela pelo bem-estar das crianças que tem à sua guarda no orfanato, revelando uma faceta altruísta/humanista anteriormente desconhecida mas que alimenta uma primeira fase de Yakuza 3 claramente mundana. O espaço tranquilo do orfanato coexiste nesta fase com a baixa de Okinawa, zona de movimentação, ao jeito de uma metrópole onde abundam os estabelecimentos.
Enquanto Kazuma minimiza as preocupações e limita as faces esmurradas a pequenos grupos gangsters que não constituem grande ameaça e ainda permitem coleccionar alguns cobres, servem também de alicerce para compreender o regenerado sistema de combate que tanto furor fez nos jogos anteriores. A maior parte do tempo obriga a cumprir uma série de mini-jogos como golfe, pesca, basebol, entre outros, existindo quase sempre uma relação entre estas actividades e a vivência das crianças do orfanato.
A aparente tranquilidade que condiciona a vida refeita de Kazuma é sumariamente intercalada pelos curtos segmentos cinematográficos que apontam para uma convulsão em vias de grandes proporções que afectará os principais líderes do clã Tojo. Na base da agitação está a quebra de um acordo logrado entre Daigo, um dos chefes, e Kazuma, para a manutenção do orfanato. Esse acordo foi rompido a partir do momento em que um individuo semelhante com o pai adoptivo de Kazuma disparou sobre Daigo, atirando-o para a cama do Hospital em estado grave.
A escalada de traições aumenta e os chefes declaram guerra. Perante a ameaça de perder o lugar que conquistou em Okinawa, Kazuma voa para Tóquio, para o sentido de combate que o marcou nos episódios anteriores. Isto só acontecerá, porém, depois das cinco ou seis primeiras horas de jogo, sendo que o tempo investido neste jogo é uma variável. Mais curto se limitarem a seguir a principal quest, mais vasto se optarem por conhecer as ofertas em termos de mini-jogos, exploração e “side-quests”, que abundam, devendo para tal seguir alguns pedidos lançados pelos transeuntes.
Pausa para um cigarro.
Não é por acaso que despendemos um largo percurso da crítica de Yakuza 3 em torno do argumento. Este não só é vital, representando um dos atributos mais fortes do jogo, promovendo um permanente sentido de descoberta. A colaboração entre Toshihiro Nagoshi (produtor) e Masayoshi Yokoyama (argumentista) levou a uma produção em massa de texto e “cut-scenes”, não sendo menos relevante todo o trabalho inerente ao desenho das faces das personagens e construção do ambiente, a cargo de Daisuke Tomoda, pedindo esforços do motor gráfico Magical V-Engine. Só em trechos animados o jogo investe aproximadamente 5 horas. É dose e obra invulgar diga-se, mas cada trecho é servido no momento certo, sem que haja uma estrutura formal sobre o momento para pausar o jogo. Há uma equiparação com as longas sequências de Metal Gear Solid, mas aqui a história é outra. As personagens vivem em permanente tensão, dentro de um rastilho a queimar que não se sabe muito bem quando explode.
Não se pode perder de vista, nesta vastidão de cenas animadas que em causa está muito tempo de transmissão cinematográfica sem que seja oferecido ao jogador o mínimo de decisão. Nestas situações já se sabe que acaba por se resumir a um mero espectador e ainda há que considerar o tempo em que o diálogo entre personagens se limita ao “chit-chat”. Porém, neste caso trata-se de um esforço plausível, bem alcançado e intercalado com as missões, servindo uma clara definição das personagens, acentuando-lhes o relevo; uma carga dramática envolvente em constante manutenção em virtude das reviravoltas. A apresentação facial é quase perfeita e a sincronização com os lábios é satisfatória. Muito embora esteja uns furos abaixo da definição em torno do mais recente GTA, perante outras opções do género Yakuza 3 acaba por morder os calcanhares da obra da Rockstar.
Considero decisão acertada a manutenção do japonês enquanto única língua falada no jogo. Possivelmente foi decisão da Sega em reduzir custos, não contratando vozes inglesas, mas assim, não só cumpre perfeitamente o espírito da série (um legado nipónico) como ainda adensa o sentido autóctone das personagens. Escrutinando atentamente o texto descobre-se aqui e acolá algumas deficiências nomeadamente palavras que soam fora do contexto. Nada de relevante porém, numa tarefa sempre hercúlea dada a quantidade delirante de diálogos.
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Comentários (27) Latest comment 2 anos atrás
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Bom , pelo que joguei isso merece 7/10 no máximo....
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Isto seja espremido como um limão porque vende no Japão e deixa de perder interesse com cada título, é um mal menor em que cada vez que esta série se torna mais ambiciosa, mais perto estamos de um Shenmue 3.
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obviamente que se deres este jogo a 3 pessoas diferentes nem todas vão ter a mesma opinião acerca do mesmo.
que mundo era este se tudo a gente gostasse do azul e ninguém do vermelho.
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No que diz respeito à nota, devo lembrar-vos que o jogo já tem mais de um ano, e mesmo assim tem gráficos espectaculares e uma jogabilidade excelente. É preciso lembrar-vos que isto não é um GTA japonês, nem o tenta ser.
É apenas um jogo cheio de conteúdo, com uma mistura de acção e rpg, e uma história excelente.
Quem jogou os primeiros 2, vai de certeza adorar este. Quem nunca jogou, que veja os videos no menu inicial, ou quando o jogo vos propuser, e apreciem um fantástica experiência de jogo.
Para mim, foi um must buy. Comprei-o mal o vi à venda na loja.
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Acredito que os criadores de GTA nem devem de ter conhecimento deste jogo, ou nunca lhes puseram a vista em cima.
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Os 2 primeiros são daqueles jogos com muitos erros, mas que nós deixam apaixonados por eles. A história é a melhor que vi até hoje em um jogo.
Só alguns conseguem fazer isto. Considero um jogo especial.
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Comprarei com certeza, um dia. =D
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Nah, já fui nessa dos vídeos a explicar a história do anterior com o Xenosaga 2... à segunda só cai quem quer. :p
Nada como jogar mesmo os jogos. Se não os encontrei cá, encontro lá fora.
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Acredito que os criadores de GTA nem devem de ter conhecimento deste jogo, ou nunca lhes puseram a vista em cima."
Pois, tens razão. Desculpa lá.
DrWhat: "Alem de que GTA é bem anterior"
Devo informá-los que o GTA pode ser anterior, mas só apartir do Vice City é que começaram a incluir mini jogos, que nem mini jogos eram.
E a saga Yakuza é, considerada por muitos, o primo afastado da saga Shenmue. Eu joguei o Shenmue, e já nesta altura a SEGA incluia este tipo de gameplay. Mas o Shenmue tinha uma história muito acriançada, tipo telenovela de adolescente.
A saga Yakuza tem uma história bem construída, forte, adulta, e cheia de reviravoltas (superior ao GTA, na minha opinião).
Zoro: "Nah, já fui nessa dos vídeos a explicar a história do anterior com o Xenosaga 2... à segunda só cai quem quer. :p
Nada como jogar mesmo os jogos. Se não os encontrei cá, encontro lá fora."
Fazes tu muito bem! Atenção só a uma coisa, se tens uma ps3 com retrocompatibilidade, o primeiro Yakuza não deixa chegar à batalha final (pelo menos, aconteceu-me a mim). Já no segundo, não tive quaisquer problemas. Se quiseres, a fnac estava a vender o Yakuza 2 a 10 euros até há pouco tempo.
Mas para todos os que gostariam de experimentar este jogo, mas têm medo de não conseguir acompanhar a história, os filmes incluídos no menu principal contam a história dos 2 primeiros jogos de uma maneira fácil de perceber, e com direito a reviravoltas e tudo.
É também de constatar o carinho com que este jogo foi feito. Nota-se que o jogo não foi feito para agradar às massas, mas sim para agradar a todas as pessoas que gostam de uma boa história e de jogos de acção. Já o cheguei ao fim 2 vezes, e sempre que o jogo, lembro-me do Streets of Rage (o meu jogo de acção preferido de todos os tempos). E é por isso que não é para toda a gente. Uns podem achá-lo limitado e desinteressante, pois em vez de apreciarem a história e a boa mecânica de combate, focam-se em coisas triviais como "Oh, é uma cópia do GTA, mas não vale nada!", quando na realidade ele é apenas um jogo de acção com uma história fantástica e com a jogabilidade mais acessível que se pode desejar. Já para não falar na longevidade do jogo, sobretudo se jogarem as substories. Mas isto é só a minha opinião :P.
Ah, e a demo nem lhe faz justiça...
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GTA usa mini jogos não será sinceramente por causa de Yakuza acredita.
Os minijogos são coisas que sempre existiram em jogos, e Yakuza não foi o que popularizou tal, nem o jogo que serviu de inspiraçao para o que quer que seja.
Se quiseres valorizar o jogo, pensa em coisas melhores do que tentares dar uma conotação dessas ao jogo.
Yakuza não influenciou em nada GTA, e duvido que Yakuza tenha influenciado qualquer jogo, seja de que maneira for sinceramente, porque a popularidade do mesmo em terras ocidentais, e qualidade geral, deixa-o muito a desejar.
Yakuza não foi o "inventor de minijogos", e se GTA foi buscar inspiraçao a alguma coisa, acredita que Yakuza não tem nada haver com o processo creativo das mentes de GTA
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E não estou de forma alguma a criticar o GTA, pois também gosto bastante da saga.
Mas concordo contigo numa coisa: não vamos entrar em especulações. O que tinha escrito acima, não li depois de editar. O que eu queria ter dito é que talvez tivesse sido uma influência (nomeadamente os jogos de salão, tipo o bilhar e assim).
Mas não quero entrar em discussões com ninguém. Gostas do jogo, tudo bem... não gostas, amigos à mesma. :P
De qualquer forma, eu gosto, e do GTA também :P.
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gta e yakuza sao coisas completamente diferentes,encontro mais parecenças com o shenmue ambos sao misturas de generos.
das 3 series shenmue e sem duvida a melhor na minha opiniao.
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A diferença é que as telenovelas de adolescentes têm sucesso, já Shenmue não teve, infelizmente.
Anyways, história muito acriançada? É uma história super normal, digna de um Uncharted, Gears of War ou qualquer outro jogo desta geração... Nunca percebi a panca das pessoas em não gostarem de Shenmue, a sério... É sem dúvida alguma a melhor série que alguma vez passou numa consola da SEGA e tenho imensa pena que o terceiro seja quase impossível sair e, em vez desse, sai esta amostra chamada Yakuza que não passa de uma tentativa falhada de adaptar o Shenmue a uma história mais popular que é a mafia, neste caso japonesa. Muito má série mesmo.
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Eu disse que não achava que a Rockstar tivesse usado Yakuza como inspiração (algo que tu admites concordar agora) e no entanto forçaste tambem o teu ponto de vista.
O meu comportamento foi exatamente igual ao teu. Disse que não concordava contigo, e tu fizeste o mesmo. Não concordaste comigo e respondeste.
Não estou a forçar te a teres a mesma opinião, não mais do que o que tu tambems estás a fazer ao dizeres que é um bom jogo, e que GTA foi roubar inspiração a Yakuza.
A sério, a cada dia que passa, é mais um cromo a entrar no site com a mania que tem a verdade absoluta, que pode contrariar os outros, que pode dizer as merdas que quer, mas condena quando as outras pessoas teem a mesma atitude.
Não meu caro rapaz, não estou a impingir a minha opinião, não mais que tu. Fiz exatamente o que tu fizeste. Dar a minha opinião, não concordei contigo e mostrei isso. Tu tambem fizeste o mesmo.
Se achas que estou a forçar ideias, então penso que devias de olhar para ti tambem, e evitar criticas quando tu estás a ter a mesma atitude que os outros
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Nem merece comment"
x2
Concordei com o DrWhat :fear: