Shaun White Snowboarding: World Stage

Pranchas pelos ares!

Versão testada: Wii

Vamos pôr antes da seguinte forma: com a balance board, Shaun White Snowboarding World Stage tem mais facilidade em reavivar as memórias dos salões de jogos do que pegar destaque como sendo mais um mero jogo para consolas em que um conjunto de jovens imberbes norte-americanos (entre os quais o campeão Shaun White) de casacos volumosos, pranchas pintadas a gosto e estilos personalizados, descem umas montanhas espalhadas pelo mundo, fazendo saltos e acrobacias, num claro desafio às mais elementares regras da gravidade.

Quanto a mim, não terá sido há mais de uma dezena de anos, num grande salão em Lisboa, que arrisquei umas escassas moedas numa máquina do género, julgo que era de esquiar. A dificuldade em adaptar-me rapidamente às características, caindo mais vezes do que o normal e chocando em demasia contra os obstáculos, tornava mais complexa a progressão. Na verdade há sempre uma tendência para simular os movimentos como se estivéssemos sobre uma prancha a valer e acabamos por deixar de lado uma abordagem mais simples e sem grandes preocupações, geralmente a melhor forma de começar a concluir com sucesso as provas. Ora, o mérito desta versão para a Nintendo Wii de Shaun White é a forma como se despreocupou com o apartado gráfico e todo o coro de visuais normalmente desenvoltos nas versões next-gen, apostando antes na balance board como periférico central e decisivo para formatar a experiência de jogo. Na parte respeitante ao Wii remote plus fica difícil rivalizar com o potencial da balança ainda que seja possível desfrutar do jogo dentro dos moldes mais comuns.

Mas o principal atractivo é mesmo a competição. Muitos truques, estilo e acrobacias pintam esta versão. Serão levados a enfrentar um ranking mundial, sendo que o objectivo primordial passa por alcançar o primeiro lugar, desafiando e superando os principais contendores, entre eles o próprio Shaun White. Antes disso e para uma noção do ponto de partida do modo carreira, vemos o grupo de amigos a viajar para o aeroporto. É a partir daí que poderão escolher as provas, consultar filmes e outros arquivos de progressão a partir do computador, juntar prémios (nomeadamente objectos), treinar e até criar uma acrobacia num editor incluído para o efeito.

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Bem que se podia erguer uma pista artificial junto do Sagrado Coração.

Arrancando do fundo do ranking, a conquista e subida dos primeiros lugares atinge-se com alguma facilidade. Para isso também contribui a simplicidade patente nas primeiras provas, com acrobacias simples e de introdução, com pouca dificuldade e que no fundo servem de pretexto e domínio de movimentos básicos essenciais para continuar a somar êxitos nas dificuldades intermédias, avançadas e, por fim, para peritos. Assim, nas primeiras provas, quase em forma de exame de candidatura, terão de aprender a deslizar e curvar acentuadamente para a esquerda, direita, ganhar velocidade de ponta e aprender a técnica dos saltos, essencial para obter um multiplicador de pontos. Este é o trampolim para voos mais altos, já que permite aumentar os pontos cada vez que executam, consecutivamente, acrobacias com êxito.

Nesta fase e tendo a balance board por perto a experiência abre um autêntico prazer, pela forma como os movimentos se executam de forma intuitiva e lesta, sendo que o aspecto primordial é a entrega dos atributos que levam o jogador a ter a situação controlada. Só a falta de prática e a pouca perícia aquando da introdução de manobras mais exigentes podem conduzir a resultados pouco relevantes, mas sem que haja qualquer frustração em virtude de uma deficiente aplicação do esquema de controlo.

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Arriscar uns saltos mortais. Vale sempre a espessura da neve para amortecer.

De tal modo que nalgumas provas, à segunda ou terceira tentativa, até superam a pontuação máxima e sentem que começam a dominar e entrar na onda do snowboard. É tudo uma questão de oportunidade e precisão. A passagem para os desafios superiores abre uma outra dificuldade, sendo que dentro dos primeiros quarenta melhores os obstáculos, barreiras e saltos sucedem de forma galopante durante as descidas, muitas vezes perdendo-se multiplicadores e uma pontuação máxima por não se ter feito o salto a tempo ou deslizado um pouco mais. Mas lá está, é algo superável com prática e quão maior é o número de obstáculos e possibilidades de manobras acrobáticas a executar, maior é a margem de erro.

O modo carreira pode ser perfilhado até 4 jogadores, numa forma de conjugarem esforços entre si ou lutarem por uma pontuação máxima em que cada jogador faz a sua prova e fica à espera do resultado dos adversários. Em qualquer caso ninguém quer ficar de fora do pódio. Se não tiverem balance boards para todos, podem trazer os controladores normais da Wii em número suficiente, ainda que quem pretenda servir-se da balança tenha de juntar indispensavelmente o Wii remote. A experiência com o Wii remote, apesar de globalmente bem adaptada, intuitiva e apta a satisfazer imediatamente os jogadores menos versados, tem os seus limites perante a balance board. Por um lado até existe maior precisão na aproximação às ladeiras e a certos objectos indispensáveis para obtenção de pontos e realização de acrobacias. Depois, continua a ser uma forma expedita para fazer truques com relativa facilidade embora uma colocação menos própria do comando possa provocar algumas quedas inesperadas.

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